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Série Crônicas do Campo I: em terras KAINGANG

1 abr

por Bel Rodrigues

 

 

Tendo em mãos os papéis devidamente carimbados autorizando a realização da pesquisa, com um atraso de seis meses no cronograma inicial, em dezembro de 2009, lá estava eu em terras kaingang.  Era a manhã de uma quarta-feira, dia de sol.  Fui de mala e cuia para ajeitar uma casa de família para ficar alojada e poder colocar as mãos na massa ou os pés na lama, pois, embora tivesse chegado numa manhã de sol, os dias seguintes que passei no campo foram de muita chuva.

Casas T.I. Faxinal - Cândido de Abreu/PR, 2011 (foto D. E. Canieli)

Casas T.I. Faxinal – Cândido de Abreu/PR, 2011 (foto D. E. Canieli)

Foi em terras kaingang que ouvi as músicas da banda Dejavu. A música “Telefone” e as coreografias da banda estavam lá entre eles. Povo dançante, ritmado, alegre, festivo. Nas casas, a maioria delas construída pelos programas de governo, pequenas, mal conservadas, com instalações sanitárias precaríssimas, entre outros problemas, sinalizando a carência vivida por essas pessoas, existia um contraste: a presença da tecnologia. Contraste esse visto pela existência, em inúmeras residências, de televisão, de antena parabólica, aparelho dvd, aparelho de som novos, modernos e potentes. Eles se orgulham de seus sons.

Muita música, vários ritmos – axé, gauchesco, forró, pagode, romântica, sertanejo – vindos dos rádios ou dos dvd’s piratas, embalaram em alto e bom som o trabalho de campo.  Tudo, entre crianças e jovens vira dança, em casa, na escola, na igreja. Os adultos só dançam no salão de baile. Tem baile quase todos os sábados. Sempre tem alguém ou um grupo que os promove – o cacique, os times de futebol, os grupos religiosos. Esses grupos contratam a banda e vendem a bebida, geralmente refrigerante e cerveja. O baile começa tarde e acaba cedo, pouco antes do raiar do sol.

O dia em Faxinal começa cedo para alguns, para outros nem tanto.  Percebi uma circulação noturna. Até altas horas eu ouvia o barulho de conversas e de músicas. As pessoas fazem fogo no chão e ficam em volta dele conversando, tomando chimarrão, preparando a taquara e fazendo balaios. As crianças acompanham esse ritmo. As visitas também são constantes. Fazem balaios em sistema de mutirão. Jogam baralho e organizam campeonatos. Andam sempre em grupo, nunca sozinhos, principalmente as mulheres. A mulher, independente da idade, tem medo de andar sozinha à noite, pois, pode ser estuprada, então nunca sai sozinha. É o costume, dizem eles. É uma regra entre eles. Existem relatos de casos recentes de estupros dessa natureza.

Mulher Kaingang na confecção de artesanato, 2011 (Foto Bel Rodrigues)

Mulher Kaingang na confecção de artesanato, 2011 (Foto Bel Rodrigues)

Não me falaram claramente a respeito, mas participei de duas reuniões onde essa questão foi abordada. A primeira delas foi durante os avisos da celebração católica na igreja. A situação apareceu por conta do horário dos ensaios e das reuniões dos grupos de jovens. Uma mãe pediu aos coordenadores que fizessem essas reuniões mais cedo por que tinha medo da filha andando sozinha de noite pelos caminhos. Isso levou a um alongamento da discussão. Eles falaram algumas coisas em Kaingang, então não pude entender, mas sei que os argumentos giraram em torno disso. Para resolver essa questão eles marcaram uma reunião num final de tarde e colocaram na pauta, além desse assunto, a organização da Romaria de São Gonçalo.

Essa reunião durou quase três horas e girou basicamente em torno da polêmica gerada pelos horários dos ensaios e da celebração. A reunião inteira foi em língua kaingang, com a presença do cacique, das lideranças e de pessoas de todas as idades, principalmente mulheres e jovens. No final, quando saíram o cacique e as lideranças, ainda me provocaram dizendo entendeu tudo né, Isabel?! Eu ri e confirmei: claro, entendi tudinho!

 

 

 

MITO E TRADIÇÃO ENTRE OS KAINGANG DA TERRA INDÍGENA RIO DAS COBRAS (PR) – ALGUMAS REFLEXÕES (parte II)

5 abr

Por Bel Rodrigues

O texto abaixo, é fruto de uma produção coletiva realizada durante uma oficina, e é um importante elemento que nos oferece sinais do lugar que a tradição ocupa na vida desses Kaingang.

HISTÓRIA DO CASAMENTO KAINGANG[1]

Antigamente os pais escolhiam o rapaz ou a moça com quem iriam casar os filhos. O rapaz escolhido teria que ser trabalhador, antes disso os pais da moça deveriam olhar as palmas das mãos do rapaz, se estivessem calejadas, o rapaz seria a pessoa certa para a sua filha, esse poderia sustentá-la.

Quanto à moça essa deveria ser pura, decente. Chegando o dia do casamento, o rapaz é convidado para ir a passeio, este passeio seria até a casa dos pais da moça, porque os pais do rapaz e da moça já estão todos de acordo, chegando até lá pensando ele estar a passeio, seus pais comunicam a moça que ele agora é seu marido e ela a sua esposa, sendo assim não há festa.

Também antes não poderia haver casamento entre Kamé com Kamé e Kairu com Kairu, somente Kamé com Kairu ou Kairu com Kamé pois entre estes não há grau de parentesco.

Hoje não fazemos mais como nossos índios de antigamente, temos a liberdade de escolha, não respeitamos mais os graus de parentesco (Kamé-Kairu), se gostamos é com este que casamos, não nos importando com que os outros falam. (Texto coletivo produzido durante a oficina)

Com este texto posso então, me valer da segunda contribuição mencionada anteriormente. Trata-se de uma discussão feita por Balandier, no capítulo em que este pensador discute a tradição. Segundo ele, ´na concepção ocidental, a tradição tem duas figuras: uma passiva, que manifesta sua função de conservação, de memorização; outra, ativa, que lhe permite ser o que já foi. A palavra, o símbolo, o rito a mantêm sob este duplo enfoque. É por meio deles que a tradição se insere em uma história onde o passado se prolonga no presente, onde o presente chama o passado; história desconcertante, porque negadora de seu próprio movimento e refratária à novidade (1997, p. 93).

É uma forma de compreensão que libera a tradição do ranço de estar vinculada apenas à sua manutenção e cristalização no passado. Remove a idéia de coisa retrógrada e conservadora. Dá vida a ela. Como em Vernant (2002), em referência ao mito – só existe porque está vivo – porque é lembrado, contado, recontado, vivido. Assim também, Balandier (1997) nos apresenta a tradição, como algo vivo, dinâmico, em constante transformação.

O texto sobre o casamento dos Kaingang evidencia essa idéia: um passado que está presente, conhecido por todos do grupo. Um passado que não sabemos exatamente como datar. No texto há sinais de vários tempos, indicando uma tradição que se movimenta, que se modifica mediada pelas relações sociais, culturais, políticas, econômicas, cosmológicas do presente. A tradição está presente nas práticas cotidianas e faz a mediação entre o antigo e o novo. Por meio dela, as relações se transformam e se estabelecem dinamicamente[2].

Varal de saias Kaingang, foto Bel Rodrigues, 2010

Segundo a Antropóloga Kimyie Tomasinno (2001, p.20), os Kaingang: Apesar das mudanças radicais em seu modo de vida, de terem perdido a maior parte de suas terras, de terem de viver subordinados, continuam referindo-se como descendentes daqueles que aqui já estavam antes do primeiro branco aportar em suas terras (…)

A organização social em grupos de parentesco e reciprocidade nas atividades de pesca, nas roças de coivara, na venda de artesanato na cidade continua sendo seguida pelos Kaingang. A regra da uxorilocalidade (costume em que o jovem casal deve morar na casa do pai da esposa, isto é, o genro deve morar com o sogro) tem sido retomada quando há déficit de residências. A uxorilocalidade está diretamente relacionada com a reciprocidade existente entre os cunhados, pelo lado masculino, e entre as irmãs, pelo lado feminino.

A minha intenção como apontei acima, era perceber no cotidiano deles essa organização social mediada pelo mito da criação. Encontrei. Não no mito lido, registrado, mas no conhecimento das tradições Kaingang. Embora eu tivesse notado o desconhecimento das duas versões registradas do mito, foi possível perceber no grupo, sinais que, mesmo superficiais, demonstram conhecimento da uma organização social mediada pelos aspectos abordados pelo e no mito. Não só conhecimento das tradições está presente entre os Kaingang, como também a prática dessas tradições. Mas não da forma como já foi no passado, e sim, ressignificada de acordo com a realidade do presente.

Buscando contextualizar esse presente, penso ser necessário apontar algumas referências sobre o grupo e depois sobre a Terra Indígena Rio das Cobras.

Primeiro, que se trata de um grupo de jovens entre dezoito e trinta e cinco anos. Segundo, entre eles alguns são falantes de kaingang e português fluentemente; alguns só entendem, mas não falam, pois vieram de terras indígenas onde a primeira língua é o português. Terceiro, é uma terra indígena onde existe uma entrada muito forte da Igreja Missão Cristianismo Decidido e influência marcante do Summer Institute of Linguistics – SIL. Isso pode ser atestado pelo fato de que a “missão” tem duas propriedades vizinhas à Rio das Cobras, que chega a se confundir com a própria área indígena dado o fato de que são propriedades que se limitam geograficamente ao território indígena, e são referidas como se fossem parte da mesma terra.

Além disso, numa delas existe uma editora da missão, que publica livros escritos pelos indígenas em parceria com os religiosos do SIL, nas línguas guarani e português. Na outra, os próprios indígenas chamam-na de Aldeia Missão, apesar de que a denominação oficial é Aldeia Trevo; nela se localiza uma das escolas de ensino fundamental – mantida pelo estado e pelo município – que atende até a quarta série/quinto ano do ensino fundamental; uma igreja evangélica; e um consultório dentário.

Também funcionava nessa propriedade, um posto de saúde mantido pela missão. Hoje o posto não existe mais e os moradores têm atendimento no posto de saúde da aldeia sede. Um dos participantes do grupo, o mais velho deles, é professor na escola que funciona na missão, mas é contratado pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Ele, nos seus depoimentos e textos, afirmou ter se tornado professor por incentivo e convite do pastor que administra essa propriedade da missão.

Em quarto lugar preciso situar um pouco essa Terra Indígena. A Terra Indígena Rio das Cobras é composta por nove aldeias, nas quais habitam populações Kaingang e Guarani, sendo: Aldeia Sede (Kaingang); Aldeia Trevo (Kaingang); Aldeia Taquara (Kaingang); Aldeia Campo do Dia (Kaingang); Aldeia Encruzilhada (Kaingang); Aldeia Vila Nova (Kaingang); Aldeia Água Santa (Guarani); Aldeia Rio da Lebre (Guarani); Aldeia Pinhal (Guarani).

A T.I. possui uma extensão territorial de 18.681,98 hectares, com uma população em torno de 2245 pessoas, sendo, aproximadamente, 500 famílias. Ela é a maior área indígena no Paraná em extensão territorial e em população. A maioria de sua população é kaingang. Essa terra é cortada por duas rodovias, uma estadual e outra federal, que trazem inúmeros e graves problemas para essa comunidade[3]. Problemas que o poder público – local, estadual e federal – ignora completamente, haja visto a ausência de políticas públicas no sentido de resolver ou mesmo minimizar tais situações.

As famílias cultivam suas roças para a subsistência, plantando milho, feijão, mandioca, bata-doce, amendoim. Também praticam a caçam no pouco que possuem de matas e pescam nos rios que cortam a T.I. Há ainda as roças coletivas, cultivadas e administradas pelos funcionários da Funai.

Atualmente, o chefe do posto na T.I. é indígena e estudante universitário do curso de Administração de uma universidade pública no Paraná. Nessas roças coletivas plantam milho, soja, trigo, algodão.

A renda obtida nas lavouras coletivas é utilizada para manutenção de equipamentos e compra de material de consumo, de novos implementos agrícolas, de medicamentos etc. Também fabricam artesanatos como, cestarias, colares, brincos, anéis, esculturas de bichinhos em madeira, cuja renda auxilia e, em muitos casos, garante o orçamento de várias famílias.

Em quinto lugar, Rio das Cobras se localiza bem próximo ao município de Nova Laranjeiras, e o contato com a cidade é muito freqüente. A situação de discriminação e preconceito por parte dos moradores da cidade é muito evidente quando se referem aos índios.

Diante desses apontamentos que são dados práticos da realidade dessa T.I., recorro novamente a Balandier quando ele se refere às sociedades tradicionais.

A tradição traduz-se continuamente em práticas; é aquilo pelo que a comunidade se identifica (tal como aparece diante de si mesma), se mantém em uma relativa continuidade, se faz de maneira permanente sempre produzindo as aparências de ser, agora, o que deseja ser. Na medida que permanece viva e ativa, a tradição consegue nutrir-se do imprevisto e da novidade (…) Na medida que é praticada, descobre seus limites: sua ordem não mantém tudo, nada pode ser mantido por puro imobilismo; seu próprio dinamismo é alimentado pelo movimento e pela desordem, aos quais ela deve finalmente se subordinar. A tradição não se dissocia daquilo que lhe é contrário. Governa os indivíduos e a coletividade, mas só alguns a conhecem inteiramente. Na superfície do conhecimento banal – aquele que as práticas utilizam – encontra-se escondido o conhecimento profundo, que só um pequeno grupo detém e que se transmite por meio de um lento procedimento iniciático. (1997, 94).

O que poderia figurar, num primeiro momento de minha experiência com o grupo de educadores, um possível desconhecimento das tradições, revelou-se o contrário. Sempre nutri um gosto especial pelos ditos populares pela sapiência que eles encerram. Nesse sentido, nada mais apropriado do que lembrar que as aparências enganam.

Um outro aspecto apontado por Balandier (1997), no trecho acima, e muito apropriado para dar suporte às análises acerca de populações indígenas, diz respeito ao conhecimento que os membros de um dado grupo possuem sobre a tradição: todos têm conhecimento da tradição; mas somente alguns o dominam inteiramente. Ele prossegue sua argumentação:

A tradição é ao mesmo tempo exotérica e esotérica, vulgarizada em graus variáveis segundo as condições sociais e, em sua totalidade, reservada apenas à guarda dos sábios (1997, 94).

Ou seja, aquilo que pode ser transmitido sem restrição para todos do grupo e aquilo que é transmitido apenas para poucos, compreensível apenas por poucos. O que remete ao sentido de segredo – que inclui o oculto – que ocupa todos os lugares do espaço social. Segundo Balandier:

É o segredo que atribui à tradição antigas funções, sua capacidade de proteger a arte, o saber e a habilidade. A tradição mantém e transmite procedimentos técnicos e seus instrumentos; vai além ao associá-los a sistemas simbólicos, mitos, mistérios e ritualizações pelos quais os artesãos compõem uma determinada sociedade no interior da grande sociedade. Esta tradição restrita a um corpo apresenta contudo características consideradas próprias à tradição comum da qual participam os membros de uma mesma coletividade: requer mestres que a conheçam, que a mantenham viva e a comuniquem aos que nela se iniciam, recebe sua autoridade e eficácia pela sua antiguidade, pelas idéias, pelos valores e modelos dos quais é herdeira, pelo segredo que a diferencia dos saberes comuns. (1997, 94-5).

Nos estudos sobre os povos Kaingang, embora haja, no Paraná, uma carência de etnografias mais recentes – questões de organização social, cosmológica, econômica, pertencimentos, tradição, recriação dos mitos etc. – têm tido lugar privilegiado  abordagens muito importantes, que sem dúvida, contribuem sobremaneira para o registro da história de um povo que tem sua origem remetida há pelo menos três mil anos antes do presente.[4]

Tais estudos demonstram como, ao longo da história do contato, os indígenas que vivem nesse território foram sofrendo perdas irreparáveis, mas ao mesmo tempo, foram e estão resistindo a esse contato, e ressignificando suas práticas cotidianas e mantendo vivas suas histórias, suas tradições, seus mitos. Quanto aos ritos, eles existem. No entanto, é mister que pesquisadores desenvolvam densas etnografias para evidenciar em que situações e em que medida eles estejam acontecendo.

Rogério Rosa (1998), em sua dissertação de mestrado, ancorado na antropologia do Imaginário, afirma, em síntese, que na dinâmica da transformação da cultura Kaingang ao longo do contato e a partir do atual movimento de reconquista dos antigos territórios, os Kaingang de Iraí (RS) transcendem o tempo presente – em que a terra foi aniquilada pela sociedade regional e nacional – e restauram o tempo mitológico em que seus ancestrais (…) viviam numa estreita relação com o Cosmos (1998, p.01).

Este mesmo autor conclui que: Nas demandas políticas, as pulsões dessas pessoas no Cosmos continuam impregnadas pela rítmica dos seus grandes mitos, dos seus rituais tradicionais. O comportamento concreto e histórico dessas pessoas na luta pela sua Terra-Mãe acaba repetindo, de muitas maneiras, as situações dramáticas que passam no tempo mitológico os heróis lunares Kaiurucré e Kamé e as pessoas das metades kairú e kamé do Xapecozinho que saem da aldeia para se confrontar com a Morte no mato – dramática encenada no sacrifício do pinheiro durante uma das etapas do ritual do Kiki (1998,154).

Juracilda Veiga, por oito anos e meio, trabalhou com os Kaingang da T.I. Xapecó (SC), da T.I. Chimbangue (SC) e da T.I. Nonoai (RS) e após esse tempo, embrenhou-se na pesquisa acadêmica com o objetivo de, a partir do cabedal que adquiriu junto a esse povo, contribuir para o refinamento das pesquisas sobre os povos indígenas no Brasil. Ela teve o privilégio de vivenciar junto aos Kaingang da T.I. Xapecó,  (SC), a celebração do ritual do Kiki. Segundo ela,

os Kaingang  guardam fidelidade a sua cosmologia e seguem as balizas colocadas por sua cultura como guias seguras nesse nevoeiro civilizatório em que se transformou a sua terra após o contato (1994, p.01).

Veiga em suas conclusões afirmou que: a cultura Kaingang continua viva, e que atos aparentemente comuns ao mesmo tempo preservam e encobrem toda sua visão de mundo e os protegem para continuar sendo eles mesmos (1994, p.179).

Nesse sentido, podemos perceber que essas contribuições teórico-metodológicas nos apontam os possíveis caminhos e os sinais para evidenciar aquilo que está submerso nesse universo cosmológico dos Kaingang que, ao longo dos séculos, vêm resistindo, vêm lutando, vêm criando e recriando práticas e estratégias para se manter como Kaingang que são.


[1] Autores: Ângela B. Cornélio, Danuza Korig Bernardo, Edenilson Fogta Nunes Manduca Felix; Lucas Revag Laurindo; Lucas Tavares; Marcelo Pereira; Marinilson Belino; Sebastião Paulista;Vilson Kavigkag Paulista.

[2] No caso das sociedades indígenas, onde, historicamente, as diferentes etnias enfrentaram e enfrentam variadas investidas com os mais variados propósitos, é preciso estarmos atentos às sutilezas e singularidades da realidade vivida por eles.  Há muito a Antropologia e as Ciências Sociais, de maneira geral, já esgotaram e superaram determinadas idéias e pré-conceitos, como integração, aculturação etc., mas no âmbito de uma cultura escolar, essas idéias permanecem muito vivas e atuantes.

[3] Atropelamentos com mortes e prostituição  são dois dos principais problemas enfrentados pelos moradores da T.I.

[4] Sobre esse assunto, há uma extensa que vem crescendo consideravelmente desde a década de 1980. Esse referencial tem sido produzido tanto por historiadores, quanto por antropólogos, lingüistas, biólogos etc. Dentre tantos podemos ver: AMBROSETTI, 1895; BIGG-WITHER, 1974; BORBA, 1908; HAVERROTH, 1997; MABILDE, 1983; MOTA, 1994, 1995, 1998, 2001-2;NIMUENDAJÚ, 1986, 1993; NOELLI, 1996, 1998, 1999; SANTOS,L. & PONTES, I., 2002; OLIVEIRA, 1996; OLIVEIRA, 1996; RODRIGUES & CABRAL, 2007; ROSA,  1998, 2000; SCHADEN, 1956; TOMMASINO, 1995, 1996, 2001; VEIGA, 1994, 2000; WIESEMANN, 1978.

(*) Ref. Bibliográficas na Parte I.

MITO E TRADIÇÃO ENTRE OS KAINGANG DA TERRA INDÍGENA RIO DAS COBRAS (PR) – ALGUMAS REFLEXÕES (parte I)

1 abr

Por Bel Rodrigues (*)

Mito é como um quebra-cabeça

(C. Junqueira)

Este texto faz parte de algumas de minhas reflexões em torno de questões que me remeteram à busca pela identificação de aspectos dos mitos Kaingang na vida cotidiana deles, ou seja: ‘que pedaço da vida dos Kaingang o mito ocupa?’

Nesse sentido, necessário se faz apresentar algumas, dentre tantas possibilidades, de interpretação do termo. Principio com Vernant (2002, p.198), que entende o mito como um dos três elementos que constituem o sistema religioso[1] de uma sociedade. E uma sociedade segundo ele, é um sistema de relações entre os homens, atividades práticas que se organizam no plano da produção, da troca, do consumo, em primeiro lugar, e depois em todos os outros níveis e em todos os outros setores da vida coletiva (…). E na concretude de sua existência, os homens definem-se também pela rede das práticas que os ligam uns aos outros e da qual eles aparecem, em cada momento da história, ao mesmo tempo como autores e como produtos (VERNANT, 2002, p.54).

Referindo-se as formas de crença e de racionalidade na Grécia dos séculos VIII a IV a.C.,Vernant diz que mito significa a crença naquilo que é contado por meio das narrativas transmitidas oralmente (2002, p.200).

Segundo Calvino (1990) a história vai nascendo pequena e vai crescendo, crescendo e vira mito. Trata-se de uma narrativa que dá preceitos. Joseph Campbell (1990) nos ensina que o mito fornece a matéria-prima para as grandes histórias contadas pela humanidade; eles oferecem modelos de vida adaptados ao momento em que estamos vivendo. Os mitos, também, segundo ele, tratam da transformação da consciência. E são ainda, o registro simbólico do estar vivo[2].

Godelier, preocupado com o conceito de ideologia, diz que mito é um instrumento de mobilização e coloca os mobilizados em uma posição subalterna em relação aquele que o enuncia (1981, p.190). Para John Thompson (1999), mito é um discurso que mobiliza e ao mobilizar, submete. Junqueira (2008), afirmou que os mitos são pistas para as potencialidades do espírito humano e possui quatro funções: mística (dimensão do mistério); cosmológica; sociológica; e pedagógica. Assim, toda mitologia se remete a sabedoria da vida.

Imbuída desses argumentos definidores do termo mito, a busca por mim do entendimento do papel do mesmo no cotidiano Kaingang, partiu de uma experiência antropológica: a ação pessoal que vivenciei com um grupo de alfabetizadores de adultos, moradores da Terra Indígena Rio das Cobras, localizada nos municípios de Nova Laranjeiras e de Espigão Alto do Iguaçu, na região sudoeste do Paraná. E, a partir dessa experiência pontuarei questões que borbulham em minha mente como peças de um quebra-cabeças que tento encaixar umas nas outras.

Todo o contexto do trabalho deu-se junto a um grupo de dez pessoas, entre homens e mulheres, que atuam como alfabetizadores de jovens e de adultos nas turmas que funcionam na terra indígena. Essa atividade surgiu de uma proposta de elaboração de um livro, que a SEED/Paraná (Secretaria de Estado da Educação), por meio do Programa Paraná Alfabetizado, me convidou para participar como assessora[3].

Essa oficina teve duração de três dias. A atividade foi programada tendo em vista a realização de levantamento e registro de fontes diversificadas – fotografias, depoimentos dos educadores/educandos e demais moradores da T.I., e que abordaram questões sobre o passado e o presente; também as histórias, os mitos, as receitas culinárias, as ervas medicinais, divertimentos, festas, danças, religiosidade, pescaria, futebol, escola, artesanato etc., que resultou em material para a composição do livro.

A experiência que me interessa aqui e que me serviu como mote para essa reflexão, se refere ao segundo dia da oficina, durante o qual a conversa foi a partir da pergunta: de onde surgiram os Kaingang?

Interior de habitação Kaingang, foto D. E. Canieli, 2010

Já tínhamos abordado no dia anterior e nas etapas anteriores, sobre o interesse e a importância de escrever no livro, a história dos povos indígenas que vivem no Paraná. Procurei conduzir o dia de trabalho, partindo de uma metodologia de contextualização das atividades que já havíamos realizado, retomando os passos seguidos e as combinações que tínhamos acordado. A idéia era discutir a história dos Kaingang.

Quando fiz a pergunta eles responderam terem vindo do mesmo lugar de onde vieram as outras pessoas: de seus antepassados, de Deus, de resultado do amor entre duas pessoas etc. Fiquei meio frustrada, pois nenhum deles fez qualquer referência a uma possível origem mítica, que era o que eu pretendia ouvir. E continuei perguntando, buscando a resposta que eu esperava! Eles continuaram firmes na posição inicial. Também perguntei o que conheciam sobre as duas metades exogâmicas que são os kamé e os kairu; e, qual a relação dos Kaingang com a terra. Perguntei, perguntei… e nada! Nenhuma resposta que se aproximasse minimamente do lugar onde eu pretendia que a conversa chegasse.

Isso trouxe à tona duas questões que estão sempre presentes na minha mente. Primeira, a lembrança de uma conversa com uma sábia professora Kaingang, Gilda Kuitá, que certa feita me disse que quando os Kaingang querem falar, não é preciso perguntar. Eles falam!

Segunda, a pertinência e atualidade de um bonito trecho de Tristes Trópicos (1986), no qual Lévi-Strauss em tom de decepção e simultaneamente de admiração, refere-se aos índios do Tibagy, e de como eles não se subordinaram à dominação: (…) despindo de poesia a imagem ingênua que o etnógrafo principiante constrói de suas futuras experiências, davam-me uma lição de prudência e objectividade. Ao encontrá-los menos intactos do que contava, ia descobrir que eram mais secretos do que aquilo que se podia esperar da sua aparência exterior (LÉVI-STRAUSS, 1986, p.149).

Penso que eles me transmitiram exatamente esse tom de segredo, de possuidores de uma lógica que eu mal compreendo e que busco compreender. Recorri então, a contribuição de dois autores que me ajudaram a pensar sobre a experiência vivenciada.  Um deles, Godelier (1981, p.190) quando afirmou que: Um mito não é um “mito” senão para aqueles que não acreditam nele, e os primeiros a acreditar nele, são aqueles que o “inventam”, isto é, pensam-no e formulam-no como “verdade” fundamental que imaginam lhes ser inspirada por seres sobrenaturais, deuses, ancestrais etc.

O mito dos Kaingang ao qual me referi é o da origem dos Kaingang na terra, registrado em duas versões. Uma de Curt Nimuendajú (1913) e outra de Telêmaco Borba (1908).

Apresento abaixo a versão registrada por Telêmaco Borba, na sua obra Actualidade Indígena:

Em tempos idos, houve uma grande inundação que foi submergindo toda a terra habitada por nossos antepassados. Só o cume da serra Crinjijimbé emergia das agoas. Os Caingangues, Cayurucrés e Camés nadavam em direção a Ella levando na boca achas de lenha incendiadas. Os Cayurucrés e Camés cançados, afogaram-se; suas almas foram morar no centro da serra. Os Caingangues e alguns poucos Curutons, alcançaram a custo o cume de Crinjijimbé, onde ficaram, uns no solo, e outros, por exiguidade de local, passaram muitos dias seguros aos galhos das arvores; e alli passaram muitos dias sem que as agoas baixassem e sem comer; já esperavam morrer, quando ouviram o canto das saracuras que vinham carregando terra em cestos, lançando-a á agoa que se retirava lentamente. Gritaram elles ás saracuras que se apressassem, e estas assim o fizeram, amiudando também o canto e convidando os patos a auxilial-as; em pouco tempo chegaram com a terra ao cume, formando como que um açude, por onde sahiram os Caingangues que estavam em terra; os que estavam seguros aos galhos das arvores, transformaram-se em macacos e os Curutons em bugios. As saracuras vieram, com o seo trabalho, do lado donde o sol nasce; por isso nossas agoas correm todas ao Poente e vão todas ao grande Paraná. Depois que as agoas secaram, os Caingangues se estabeleceram nas immediações de Crinjijimbé. Os Cayurucrés e Camés, cujas almas tinham ido morar no centro da serra, principiaram a abrir caminho para o interior della; depois de muito trabalho chegaram a sahir por duas veredas: pela aberta por Cayurucré, brotou um lindo arroio, e era toda plana e sem pedras; dahi vem terem elles conservados os pés pequenos; outro tanto não aconteceo a Camé, que abrio sua vereda por terreno pedregoso, machucando elle, e os seos, os pés que incharam na marcha, conservando por isso grandes pés até hoje. Pelo caminho que abriram não brotou agoa e, pela sede, tiveram de pedil-a a Cayurucré que consentio que a bebessem quanto necessitassem. Quando sahiram da serra mandaram os Curutons para trazer os cestos e cabaças que tinham deixado em baixo; estes, porem, por preguiça de tornar a subir, ficaram alli e nunca mais se reuniram aos Caingangues: por esta razão, nós, quando os encontramos, os pegamos como nossos escravos fugidos que são. Na noite posterior á sahida da serra, atearam fogo e com a cinza e o carvão fizeram tigres, ming, e disseram a elles: – vão comer gente e caça –; e os tigres foram-se, rugindo. Como não tinha mais carvão para pintar, só com a cinza fizeram as antas, oyoro, e disseram: – vão comer caça –; estas, porem, não tinham sahido com os ouvidos perfeitos, e por esse motivo não ouviram a ordem; perguntaram de novo o que deviam fazer; Cayurucré, que já fazia outro animal, disse-lhes gritando e com Mao modo: – vão comer folhas e ramo de arvore –; delas vez ellas, ouvindo, se foram: eis a razão porque as antas só comem folhas, ramos de arvore e fructas. Cayurucré estava fazendo outro animal; faltava ainda a este os dentes, lingoa e algumas unhas quando principiou a amanhecer, e, como de dia não tinha poder para fazel-o, poz-lhe ás pressas uma varinha fina na bocca e disse-lhe: – Você, como não tem dente, viva comendo formiga –; eis o motivo porque o Tamandoá, Ioty, é um animal inacabado e imperfeito. Na noite seguinte continuou e fel-os muitos, e entre elles as abelhas boas. Ao tempo que Cayurucré fazia esses animaes, Camé fazia outros para os combater; fez os leões americanois (mingcoxon), as cobras venenosas e as vespas. Depois de concluido este trabalho, marcharam a reunir-se aos Caingangues; viram que os tigres eram mãos e comiam muita gente; então na passagem de um rio fundo, fizeram uma ponte de tronco de arvore e, depois de todos passarem, Cayurucré disse a um dos de Camé, que quando os tigres estivessem na ponte puxassem esta com força, a fim de que elles cahissem na agoa e morressem. Assim o fez o de Camé; mas, dos tigres, uns cahiram á agoa e mergulharam, outros saltaram ao barranco e seguraram-se com as unhas; o de Camé quis atiral-os de novo ao rio, mas, como os tigres rugiam e mostravam os dentes, tomou-se de medo e os deixou sahir: eis porque existem tigres em terra e nas agoas. Chegaram a um campo grande, reuniram-se aos Caingangues e deliberaram cazar os moços e as moças. Cazaram primeiro os Cayurucrés com as filhas dos Camé, estes com as daquelles, e como ainda sobravam homens, cazaram-os com as filhas dos Caingangues. Dahi vem que, Cayurucrés, Camés e Caingangues são parentes a amigos. (1908, p.20-22)

Essa versão de Borba foi lida duas vezes, na oficina com eles. Em suas feições e expressões percebi um desconhecimento do que foi lido. Após a segunda leitura feita de maneira serena, por uma das participantes do grupo, fui perguntando sobre o que eles haviam entendido. Foram relendo frase por frase e eu fui anotando no quadro de giz as falas de cada um. A expressão era de que eles estavam ouvindo algo completamente novo.

Algumas perguntas foram sendo feitas por eles: onde fica essa serra Crinjijimbé? Saracuras que vieram do leste? Água que corre para o oeste? Campos planos – Ky jer? Seriam os Campos Gerais? Seria a Serra do Mar? Fomos marcando pontos de possíveis localizações: Serra do Mar, Rio Paraná e seus afluentes. Recorremos ao mapa do Paraná. Conversamos sobre as localizações possíveis. Vimos os rios, as serras, a divisão dos planaltos; a localização do território da guerra de conquista dos campos de Guarapuava. Muitas perguntas. Falaram que o texto era difícil e estranho.

De fato, essa história assim registrada, eles não conheciam. Agora, será mesmo que eles não conheciam esse mito? Será que não falaram por falta de confiança numa pessoa quase desconhecida? Será que os mais velhos não contam sobre as histórias antigas e sagradas? Será que eles desconhecem o sistema de organização social, cosmológico, econômico dos Kaingang? Será que eles têm medo de que se contarem aos fóg (brancos) esses podem se apropriar como se apropriaram de muitos de seus conhecimentos? Será… Será… Será… Muitos serás!!!

Falaram sobre os Kamé e os Kairú. Eles disseram saber que são as metades exogâmicas às quais eles pertencem por relações de parentesco e cujos símbolos são “/” e “о”, respectivamente, o risquinho e a bolinha. Disseram saber, também, que antigamente kamé só podia casar com kairú e kairú só casar com kamé. Afirmaram que atualmente, não funciona somente assim. Concordaram que os jovens não seguem a tradição, embora saibam a qual metade cada qual pertençam.

Uma das educadoras que estava presente afirmou que, hoje, os jovens querem “ficar como os fóg fazem; querem namorar e se casar por amor”. Numa outra ocasião, outra educadora, mãe de estudante indígena na UEM, disse que estava preocupada, pois os jovens estão reivindicando o direito à adolescência, algo incomum aos Kaingang, já que essa fase não existe na concepção deles, ou pelo menos não existia até bem pouco tempo[4].

 

 

(*) MOREIRA, L. F. V. & GONÇALVES, J. H. R. (Org.) Etnias, espaços e idéias: studos multidiciplinares. Curitiba: Instituto Memória, 2009. p. 45-63. (V. Tb.  dados da autora no `SOBRE´deste blog).

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[1]Vernant (2002,198) considera como os dois outros elementos do sistema religioso, os rituais e as figuras dos deuses, as imagens divinas, os ídolos.

[2] Indicação de Farias, C.A. sessão de exposição em sala de aula em 23/06/2008 referindo-se a Campbell. In: http://monomito.wordpress.com/2007/08/24/uma-entrevista-com-joseph-campbell; acesso em 02/02/2009).

[3] Por conta disso, assessorei juntamente com uma colega pesquisadora, professora Dra. Rosangela C. Faustino, a elaboração desse livro destinado à alfabetização de jovens e adultos indígenas no estado. Esse trabalho, que começou em setembro de 2007, foi composto por várias etapas, da qual a experiência que tomei como foco aqui, ocorreu em abril de 2008, durante a realização de uma oficina.

[4] Trata-se de mais uma questão que precisa ser investigada, pois os jovens têm tido um contato mais direto com a sociedade envolvente, pois quando concluem os estudos na t.i., se deslocam até as cidades mais próximas para dar continuidade aos mesmos, já que na maioria das t.is., no Paraná, não há escolas que ofertem a fase II do ensino fundamental  e o ensino médio.

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