Reminiscências do Vô José Rodrigues

3 jan

Por José Rodrigues

Vô José Rodrigues

Sonho concretizado no verão do ano 2008, quando senti o primeiro lampejo de uma bela e inspiradora experiência, quando o poderoso impacto das cachoeiras se faria sentir em minha consciência.

O luxuoso ônibus estava lotado de pessoas que, assim como eu, eram conduzidas ao início do caminho para as Cataratas.

Mesmo antes que as avistássemos, podíamos ouvir o ressoar de uma força retumbante.

O cheiro da umidade preenchia a linda manhã em contraste com o terrível calor do ponto final, segundo me disseram enquanto descíamos o caminho de pedras. Súbito, aquela força, antes apenas ouvida, transmutou-se num espetáculo a contemplar, mais graciosa ainda do que a descrição que me fizeram meus gentis companheiros há cinco décadas passadas. Suas palavras cintilaram novamente em minha consciência; sim, agora eu podia compreender o que eles me disseram; ‘eu orei’.

Embora o caminho estivesse apinhado de gente, senti-me a sós com aquelas magníficas cachoeiras, que a cada toar, pareciam elas a me dizer: ‘aqui temos estado durante eras, muitos mortais vieram e se foram; nós, porém, aqui permanecemos, para proporcionar alegria e felicidade a todos os que escutem a nossa música; contemplem as nossas cores e comunguem conosco, pois somos com você um espectro da Criação. Vem e demora-te um pouco em nossa companhia’.

A luxuriante folhagem verde era abundante e, no entanto, parecia que nada podia competir com aquelas maravilhosas quedas d’água. Lagartos corriam para cima e para baixo, por aquelas gastas veredas, e também eles pareciam sentir a beleza que das místicas águas se irradiava.

Senti-me absorver completamente em meu próprio âmago e, mentalmente, tornei-me parte da tênue bruma que circundava o meu rosto. O tempo perdeu todo o significado para mim; tornei-me uno com os iridescentes arco-íris que se destacavam das borrifas fortemente iluminado pelo sol. Aquela força parecia tornar-se inescorável, à medida que eu avançava pelo caminho de pedras. Mais e mais fui atraído para o centro daquele trovejante clamor, até que um maravilho esplendor arrebatou meus pensamentos e fundiu meu ser em todo aquele cenário. Contemplando aquela magnífica vista pela primeira vez, era eu – como uma criancinha contemplando a face do Criador. Expressei gratidão por aquela benção.

Lamentavelmente cedo teria que deixar aquele tesouro; no entanto, a memória haveria de me compensar, no futuro, pois, talvez eu voltasse a visitar aquela maravilha preservada pelo Criador, ou a revivesse nos olhos daqueles que a viessem contemplar depois de mim.

 

Cataratas do Iguaçu, foto de José Rodrigues, 2008

 

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