“Faca de dois gumes”

1 maio

Por Gisèle Miranda

 

Em 2009, o Brasil recebeu a visita comercial do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Em princípio, uma visita indesejável de um líder que vinha ampliando seus domínios no Oriente Médio com seus discursos anti-semitista, homofóbico, e de aprisionamento e retrocesso da condição feminina relegada à coisa e modelo de apedrejamento em caso de adultério, mesmo tendo sido por estupro – o que é muito mais comum do que imaginamos (*).

Destaquei apenas alguns exemplos da política instituída por esse líder em pleno século 21, diante das atrocidades históricas incontestáveis, e hoje, sujeito a encarceramento pela ONU, e pelos tribunais de Direitos Humanos de muitos países que em tese se colocam humanitários.

As mídias do mundo noticiaram o discurso de Ahmadinejad ratificando um posicionamento já sabido. Em repúdio, muitos dos representantes mundiais levantaram-se horrorizados e deixaram o nobre salão de reuniões em Genebra. Os representantes do Brasil permaneceram e foram, obviamente, rechaçados pela falta de atitude.

Vários pensadores brasileiros se colocaram a partir de inúmeros textos sobre a chegada ao Brasil do líder iraniano. Entre eles, o psicanalista Contardo Calligaris em matéria no jornal Folha de S. Paulo, de 7 de maio de 2009.

Destacaria alguns pontos como: sua crítica ao argumento neoliberal de que o dinheiro não tem cheiro; o dinheiro tem cheiro, sim, sobretudo quando vem numa mala de carniças, disse Calligaris.

Marina Abramovic – Instalação ‘objeto para uso não humano’, 2008

E, por outro lado, destaco o Brasil como referência de ´diferenças étnicas, religiosas e infelizmente econômicas´ que poderia se colocar como ´mediador de conflitos´, relembrando os escritos do filósofo-historiador Michel Foucault e chegando aos ditames de Rousseau com a questão da ´vontade geral´ e ´renunciando as nossas responsabilidades individuais´.

Mas, como pensarmos em ´vontade geral´ diante de atrocidades e genocídios? Ou, como pensarmos nos avanços da condição feminina, e digo, como pensadora e como mulher, diante dos estupros e apedrejamentos?

Calligaris  reconhece que as relações comerciais estão calcadas em vários fatores; e no Brasil, na época, houve um comando consular de porte e um ministro das relações exteriores, Celso Amorim que é um pensador, mas que defendeu o diálogo com Ahmadinejad como também defendeu o diálogo com Fidel Castro e contra o boicote econômico dos EUA em relação a Cuba. Também defendeu o diálogo amistoso com Hugo Chavez e Evo Morales por uma América Latina forte. Além de se colocar como mediador de diálogos entre Israelenses e Palestinos.

Amorim reafirmou a importância do diálogo, mas destacou em matéria[1], que o Itamaraty, através de seu presidente da República fez restrições e se colocou descontente com os posicionamentos do líder iraniano, quando este estiver no Brasil. Acrescentaria a este cenário uma grande manifestação em repúdio a Mahmoud Ahmadinejad.

 

[1] Plantão (on line), 30/04/2009: Celso Amorim defende visita do presidente do Irã no Brasil. Matéria assinada por Eliane Oliveira.

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