ARTE CONCEITUAL, AR e AR!

2 jun

Por Gisèle Miranda

 

 

As artes contemporâneas têm causado estranhamentos não só para os espectadores ou partícipes das obras. Além da prevenção do gosto ou não gosto, o estranhamento precisa ser pensado.

Se a arte está hoje além do pincel ou da argila, significa que ela está na memória e no pensamento, assim proclamou Giulio Carlo Argan.

Por conta disso, creio ser importante expor uma escrita que discuta um pouco sobre a Arte Conceitual. E, podermos pensar como a arte contemporânea pode ser histórica ou como expor num museu o espírito pós moderno.

É necessário ter claro que a Arte Conceitual vive para questionar os conceitos artísticos. Por isso, em determinado momento houve a discussão dos paradigmas da inclusão-exclusão / lugar-não lugar. E, também, a transitoriedade e vulnerabilidade dos materiais.

Museu como um templo ou o museu como um fórum de discussões? Desmaterialização do objeto, circulação via reprodutividade, enfim há inúmeras perguntas e reticências quanto a formulação de questões. Mas uma coisa é certa, há indiscutivelmente possibilidades de poéticas conceituais.

É pouco deixarmos de ser em algumas exposições, materialistas passivos? Ao exibir as obras não há agregação? E a questão político-social-cultural? Como pensarmos nas obras dos Dadaístas, Surrealistas e suas temporalidades? Há significados e permiti-los é parte da inteligibilidade.

Há nesse bojo conceitual, várias alternativas: performance, fotografia, instalação, vídeo-arte, body-arte, entre outros. Na performace nos damos conta do tempo e a necessidade do artista ao repetir. A instalação é a junção com o espaço (entorno). A body-arte e seu suporte criativo no corpo pode exprimir uma barreira mercadológica, mas que também pode ser transformada em coisa via fotografia ou vídeo. A fotografia por sua vez, pode destruir a concepção artística como pode sobrepor a produção inicial; pode minuciar e ampliar; pode democratizar.

 

Marina Abramovic, Relation spaces, 1977

 

Compactuo com Foucault quando disse que é próprio do saber – interpretar –, muito mais do que mostrar ou apenas ver. Mas para isso é necessário estarmos abertos às oportunidades, aos acontecimentos e não predispostos ao escracho, ao deboche, que muitas vezes é auto-idiotização. E quando sustentado pelos meios de comunicação, o prejuízo é ainda maior.

 

Sugestões:

FREIRE, C. Poéticas do processo da arte conceitual no museu. São Paulo: Iluminuras, 1999.

ROLNIK, S. Pensamento, corpo e devir. São Paulo: Caderno de subjetividades, V.1, n. 2 PUC/SP, 1993.

site MOMA: www.moma.org/

http://adaime.wordpress.com/

http://faleconsigo.wordpress.com/

V. Tb. neste blog texto: Bienais de Arte de São Paulo (Salve, Basquiat!) Uma discussão sobre a última Bienal de Artes de São Paulo e o resvalo do olhar vanguardista contra si mesmo via pichação http://ht.ly/3vDDJ

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