Brava Luta

11 jan

Por Gisèle Miranda

De que se faz um ser tão bruto e tão sensível? Tão simples e tão multiplicador? Tão magistral e tão comum, tão bizarro de carnal: sedutor aos 83 anos!

Gontran Guanaes Netto viveu até final de 2010 em seu ateliê, que se transformou em Casa da Memória Coletiva em Itapecerica da Serra (SP/Brasil), projetada e construída pelas mãos que pintam incansavelmente, desenham e redesenham;  mãos que capinavam. Sempre puxando um dedo de prosa com todos que passavam pela estrada de terra. A criançada entrava e saía rindo com uma banana, um pedaço de pão;  comia o que tinha. Um quadro vendido aqui e acolá, garantia o pão, o feijão, a banana, e muitas pinturas e desenhos.

Gontran Guanaes  Netto (Vera Cruz/SP, 1933-) Catedral do povo, 1990, painel 5 (metrô Corinthians-Itaquera/SP)

Gontran nasceu em Vera Cruz (SP), em 1 de Janeiro de 1933; registrado em 17 de fevereiro 1933. De uma família de trabalhadores rurais teve pouca escolarização formal.

Pintor de questionamentos humanistas viveu uma juventude que viria a ser clandestina em 1964 no Brasil. Nesse momento assumiu o pseudônimo de André para assinar as ilustrações de publicações de resistência coletiva. Em 1969, exilou-se na França, pois estava ‘sob a ameaça’ de outra prisão; seu pseudônimo André já não lhe garantia a vida.

Nas décadas de 1970 e 1980 trabalhou como um dos doze fundadores do Espaço Cultural Latino Americano em Paris (dezembro de 1980). Fez parte também da Brigada Internacional Antifascistas (1972-1987).

O pintor saído do Brasil com alguns trocados cumpriu aos olhos de uma banca examinadora da Universidade em Nantes, os créditos de sua aptidão ao cargo de professor coordenador do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Arquitetura. Ele, suas mãos grossas e grandes, meio índio, sul americano, latino; aquele brasileiro sem diploma.

Suas pinturas são de brasileiros, de latino americanos, de povos mestiços, de pés descalços, de mãos calejadas, semi-escravidão, escravidão, de fome e de dor. De nenhuma solidariedade, nenhum olhar – a ‘inexistência’ de milhões de pessoas que existem. Sua pintura fez / faz  essa existência. Ele é um pintor comprometido com questões demasiadamente sérias – (in) visíveis e que traz a visibilidade desse mundo.

Em 1984, Gontran Netto voltou para o Brasil e  foi ‘visto pela crítica oficial’ como um pintor ‘demagógico’. Seu retorno tinha como propósito fixar um ateliê em Goiatins (Tocantins), ou seja, estar ligado à terra, e efetivamente, aos boias-frias. O ateliê não conseguiu esse endereço, mas a luta continuou com seu vínculo natural às causas do Movimento dos Sem Terra entre outras causas de resistências coletivas.

Em 1994, expôs pela PAZ pelos 50 anos da Fundação das Nações Unidas e 50 anos de dor por Hiroshima e Nagasaki. Em 1995 participou do Coletivo protesto da chacina da Candelária (RJ), assassinatos de jovens e crianças ocorrido em 1993.

Suas mãos são movimentos coletivos; são firmes, são viscerais! Neste ano de 2017 ele continua pintando incansavelmente sobre aqueles que precisam.

retirantesgontranguanaesnetto

Gontran Guanaes Netto (Vera Cruz/SP, 1933-) Retirantes, 1994.

GONTRAN NETTO vive em seu ateliê, em Itapecerica da Serra (SP), projetado e construído pelas mesmas mãos que pintam incansavelmente; mãos que capinam, desenham e redesenham. Puxa um dedo de prosa com todos que passam pela estrada de terra. A criançada entra e sai, rindo, com uma banana, um pedaço de pão para comer. GONTRAN NETTO come o que tiver. Um quadro vendido, aqui e acolá, garante o pão, o feijão, a banana, e muita pintura e desenhos.

GONTRAN NETTO, nasceu em Santa Cruz (SP), em 1 de Janeiro de 1933; registrado em 17 de fevereiro 1933. De uma família de trabalhadores rurais, GONTRAN NETTO teve pouca escolarização formal.

Pintor de questionamentos humanistas, viveu uma juventude que viria a ser clandestina em 1964, no Brasil. Nesse momento, assumiu o pseudônimo de André para assinar as ilustrações de publicações de resistência coletiva. Em 1969, exílou-se na França – pois estava ‘sob a ameaça’ de outra prisão; seu pseudônimo André já não lhe garantia a vida.

Nas décadas de 1970 e 1980 trabalhou como um dos doze fundadores do Espaço Cultural Latino Americano, em Paris (dezembro de 1980). Fez parte da Brigada Internacional Antifacistas (1972-1987).

GONTRAN NETTO, o pintor saído do Brasil com alguns trocados, cumpriu aos olhos de uma banca examinadora da Universidade em Nantes, os créditos de sua aptidão ao cargo de professor coordenador do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Arquitetura. Ele, suas mãos grossas e grandes, meio índio, sul americano, latino; aquele brasileiro, sem diploma.

Suas pinturas são de brasileiros, de latino americanos, de povos mestiços, de pés descalços, de mãos calejadas, semi-escradão, escravidão, de fome e de dor. De nenhuma solidariedade, nenhum olhar – a ‘inexistência’ de milhões de pessoas que existem. Sua pintura fez / faz ver essa existência.

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3 Respostas to “Brava Luta”

  1. Tecituras - Gisèle Miranda 5 de dezembro de 2015 às 22:37 #

    Republicou isso em .

  2. Pri 12 de setembro de 2011 às 23:31 #

    Passava diariamente pelo Metrô Marechal e sempre via o Gontran junto à um outro artista, dando mais cor aquela estação cinza.
    Já estava até acostumada, quando olho à direita da escada rolante e cadê aqueles homens e suas cores? É gostoso de ver um artista trabalhar, como se as cores ganhassem mais movimento, mais vida. Mas o registro é valido, o registro dessas cores estão ali, para todos, não importa nosso movimento. (:

    Mas tenho uma dúvida: eu gostaria de saber qual o nome do outro artista, que junto com o Gontran, foi responsável pela restauração. Gostaria de ver alguns créditos atribuídos a ele também.

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