Série ficcional H. Miller VII: No ‘repique’… e Miller!

8 mar

por Lia Mirror

 

Estava preocupada e com medo que minha vontade de estar com Miller pudesse desaparecer.  Mas em meio a isto surgiu uma frase de um fake. Esse instante cortado e colado:

– “Vem no tambor da academia! Que a furiosa bateria vai te arrepiar! Repique, tamborim, surdo, caixa e pandeiro… Salve os mestres!”

Como conheço isso! Ouço e remexo os pés quase como um ato de andar. Eles se movimentam em sinal e respeito aos mestres! Reverência. Depois, um gingar natural do morro ou da vida que se arrepia e ensandece numa natureza inegável!

Negra-branca que não se enquadra na quadra. Cinturinha e bunda; pernas grossas e peitinhos. Sou do morro! Subo e desço com descontração. Desço e subo como se fosse a última vez.

Mas quem vem sorrindo morro abaixo? – Miller! Como se fosse dali! Como se fosse Zé, mano, cara, irmão, brother, mané, qual é?

Deu-me a mão; beijou-me e levou-me para a roda. Era roda de samba e não de Hardcore; e no som da bateria, repique, tamborim, surdo, caixa e pandeiro – arrepiei!

Em silencio, Miller soltou-me a mão no meio da boca de todo o batuque! Entrei e sambei, o samba de raiz, de carioca do morro, do asfalto, do ar e do mar. A paulistana que se fez nos repiques do Bexiga, passista do tradicional bloco dos esfarrapados, das largas noites de silêncio e de muitos livros.

L. Martins, Copacabana, s/d

Completamente molhada de suor saí da roda a procura de Miller. Ele já não estava. Nada disse e desapareceu. Veio como mestre de cerimônia e como malandro que é! Jogou-me na roda e deve ter visto a passista em pleno repique.

Dei mais uma olhada, e nada. Fui descendo o morro… cantando:

– “E se você me vir vagando sem razão, não vai pensar que o desengano mora no meu coração, há muito tempo já se foi e a estação que vem depois… descortina todo o esplendor… sou como uma folha de outono que sem dono navegando chega aqui, para lhe dizer que o abandono foi chegando ao fim, e eu?…caía uma chuva fina, em forma de confissão…” (*)

(*) Esplendor (Refreshed). letra de Ari Moraes & Morais Moreira In: Cibellle, the shire of dried Electric… CD. 2007.

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