Série Antonio PETICOV I: Cérebro Meditation # 3

28 maio

Por Gisèle Miranda


 

Antonio PETICOV nasceu em Assis (SP), em 1946. Seu nome assumiu proporções internacionais pela potencialidade e singularidade. Além da notoriedade plástica foi partícipe da vanguarda tropicalista dos anos de 1960; mesclou o Surrealismo, Pop Art e experimentalismos no Grafismo. E, entre o final da década de 1980 e início de 1990 esteve ligado a projetos ambientais[1].

Na reminiscência de Peticov, o seu lado artístico surgiu aos doze anos de idade, e pode ser conjugado aos doze temas destacados pelo filósofo Martin Gardner no livro Home Faber: o trabalho de Antonio Peticov remonta o jogo de Leis do Universo, ou seja, um jogo no qual as ironias dos paradoxos desmascaram as crenças enganosas e estimulam novas visões com um charme vertiginoso.[2]

 

 

Cérebros por Peticov

O tema cérebro quando presente na área médica soa como busca científica. Mas, e o cérebro para os artistas? Ou, para historiadores?

Seu interesse por cérebros começou por um folheto de um congresso científico.  Peticov contatou um amigo dentista que sugeriu algo mais místico. Mas Peticov bateu o pé, até ter em mãos um livro de anatomia da face.

Daí por diante, os relances pessoais e profissionais surgiram. Desde a imagem de seu irmão que esteve em coma por meses ao interesse de criar artisticamente algo que, em primeira instância, não se faz claro para um leigo.

A série Cérebros surgiu porque chamou a atenção dos mais familiarizados e também instigou os sentidos dos leigos permitindo uma aproximação lúdica.

As alterações anaptoantropológicas registram as transformações ao longo do tempo, desde os recuos maxilares, aumento do encéfalo[3], diminuição da face[4] ao desaparecimento do terceiro molar. Dessa maquinaria, do ponto de vista objetivo e subjetivo, até os orifícios (forames) têm designações vitais (transitam nervos, artérias, veias): sendo possível estimar a idade, detectar o sexo e o crescimento.[5]

O Bregma tem sua historicidade identificada pelos gregos como sinônimo da alma, assim como acreditavam que a alma era absorvida por essa abertura e se fixava vibrante em seu fechamento natural.

 

Antonio Peticov (Assis, SP, 1946-), Meditation #3, 1996

 

Em Meditatin # 3, Peticov mostra a imagem cerebral vista por baixo, sem cerebelo, visualizando o mesencéfalo (local onde existem centros de coordenação motora), os dois nervos olfatórios e os nervos ópticos acolhidos pelo artista como nervos culturais – que agem juntos aos neurônios (são polivalentes), e se aglutinam em vários locais do cérebro.

Nas áreas neuronais, de acordo com a idade, torna-se possível uma plasticidade – capacidade de um neurônio estabelecer novos contatos sinápticos. Por isso é possível viver normalmente (dependendo da área cerebral), sem problemas organizacionais e psicomotores com a perda de 85% dos neurônios.

O arco em forma de coração inverso sustentado pelo corpo humano em meditação torna-se instrumental da redoma cerebral vista por baixo – em sua cavidade. A imagem criada por Peticov se traduz na subjetividade  dos sentidos dessa maquinaria.

A tonalidade azul (em gradações) rege a concentricidade exposta em sua polaridade – na luz, o amarelo e no escuro, o azul se abraçam em estado puro: quanto mais espessas ou escuras.[6]

Há conotações místicas  que mesclam reminiscências ou tendenciosos experimentalismos de Peticov; pensando o tempo não apenas como relógio biológico, mas como Oscar Wilde, em o Retrato de Dorian Gray.

 

 

 


[1] Bosque NaturaNatura Forrest na cidade do Rio de Janeiro e Projeto Natura – Rio Pinheiros na cidade de São Paulo.

[2] GARDNER, M. Homo Faber – the work of Antonio Peticov. São Paulo: Pau Brasil, 1988 (326 p.)

[3] Situado no Neurocrânio e formado por oito ossos planos e irregulares que se constituem de uma grande cavidade donde se aloja o encéfalo.

[4] Viscerocrânio – corresponde a face e nele estão situados órgãos dos sentidos e o início dos sistemas digestório e respiratório.

[5] Pelo Fontículo Bregmático – cérebro visto de cima onde são perceptíveis as suturas (que desaparecem com o tempo). Sagital (seta – a ponta da seta é denominada de Bregma) e Coronal (conhecido por ser o local onde os reis e as rainhas encaixam as coroas).

[6] Segundo Goethe (1749-1832), em Doutrina das Cores (Apresentação, seleção e tradução de Marco Giannotti). São Paulo: Nova Alexandria, 2011.: amarelo, azul e vermelho são cores primárias que produzem cores secundárias. Construção baseada em estudos físicos, químicos e fisiológicos. Anterior a Goethe, o cientista Isaac Newton (1643-1727) em 1666 identificou sete cores do espectro: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta.

Já para o artista plástico e filósofo Kandisnsky (1866-1944) em Do espiritual da Arte (Tradução Eduardo Brandão). São Paulo: Martins Fontes, 1990. Primeira edição, de 1910, acrescido e publicado em 1912, a teoria caminha com a poética donde se observam as cores partindo de necessidades interiores.

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