Série Antonio PETICOV III: Cérebro O Sonho de Xamã

2 jun

Por Gisèle Miranda

 

O Sonho de Xamã é fruto da trajetória de Peticov. Vozes, olhares e odores de quem cria. É um conjunto maquinal excitado para produzir respostas. Há o rigor de mostrar-se condizente no aspecto científico, porém tem seu peso direcionado a plasticidade criativa.

 

Antonio Peticov (Assis, SP, 1946-), O Sonho de Xamã, 1996

 

Na representação de Peticov, a imagem de uma árvore (em seu corte ao meio exato) que corresponde ao tálamo, situado na base do cérebro e tendo por designação o acasalamento de funções; posteriormente, a função é delegar atividades a locais específicos.

No tálamo há ramificações de retransmissões cooptadas pelos núcleos[1] em suas funções de motricidade, memória, vigília. Cabe ressaltar que a densidade de uma lesão depende muito da região, ou seja, ter uma grande lesão e nada ocasionar ou ter uma minúscula lesão e ser fatal.

Sobre o título dado a imagem – o sonho de Xamã – Peticov reverencia as práticas diferenciadas; vale dizer: ritualística primitiva de evocações e exorcismos através de Xamãs (feiticeiros originários dos povos da Mongólia e Sibéria Oriental). Embora conhecido como prática ritualística, o Xamanismo é tido como religião para esses povos. A complexidade da memória primitiva está no peso de um passado a ser controlado por eleitos, ou seja, homens-memórias (genealogistas).

A imagem nos remete à terras distantes, assim como práticas cotidianas e posturas históricas. A peculiaridade mítica também remete a questão disjuntiva e conjuntiva em relação ao presente. Graças ao ritual, o passado disjunto do mito articula-se, por um lado, a periodicidade biológica e sazonal, e por outro, com o passado conjunto que, ao longo das gerações, une os mortos e vivos. (Le Goff, 1992, p. 210)

A cor branca que insufla como uma aura ao redor das fibras do tálamo pode ser identificada como Xamata (manto sagrado). Partindo desse prisma, torna-se possível inferir sobre a intencionalidade do artista em constatar diferenciações de condutas, práticas culturais elaborados pela maquinaria humana.

 

 


[1] Núcleos: agrupamento de neurônios localizados dentro do Sistema Nervoso Central. Fora desse Sistema, chama-se Gânglio.

Anúncios

Uma resposta to “Série Antonio PETICOV III: Cérebro O Sonho de Xamã”

  1. Tecituras - Gisèle Miranda 15 de fevereiro de 2017 às 13:38 #

    Republicou isso em .

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: