Série Antonio PETICOV IV: Cérebro Full Circle

3 jun

Por Gisèle Miranda

 

 

Na imagem Full Circle é perceptível a realização de uma secção para que fosse possível ver o lobo da ínsula (a ilha). Embora, sem a representação dos lobos parietal e frontal  vê-se parte do lobo occiptal – lobo responsável pela absorção dos impulsos advindos da retina.

 

Antonio Peticov (Assis, SP, 1946-), Full Circle, 1996.

 

A secção também foi realizada na cavidade da aparente forma de vulcão, para aguçar a percepção visual. A primeira redoma que abraça a imagem central (o vulcão) mostra a perspectiva apenas de um lado.

O córtex cerebral se apresenta como uma lâmina que recobre todo o cérebro (o entorno), e se diferencia na sua arquitetura, assim como em suas funções. Sua estrutura é fundamental, pois capta os estímulos internos e externos, onde todos os sentidos estão presentes. Pela medição do córtex cerebral, o indivíduo passa a ter conhecimento da temperatura, da dor.

Peticov privilegia, mesmo que em parte, o lobo occiptal (visão). Portanto, a dimensão procurada na imagem do córtex cerebral é da totalidade de absorção e interpretação dos sentidos, direcionando-os a sua plena capacitação.

A circunferência concentra o poderio revolucionário das sensações. Unidos a esses sentidos, o amarelamento do tempo e do experienciar adquiridos. A profundidade que a coloração amarela se propõe vai de encontro à secção da imagem central, em um tom que, segundo Kandinsky: reflete a beleza interior e uma potencialidade moderadora. (In: Do Espiritual na Arte, 1990, p. 92)

Caso as sensações não fossem canalizadas e interpretadas teríamos apenas sinais vazios. O prazer e o desprazer são reconhecidos, e assim, injetados em todo o nosso corpo através de atrações e repulsas.

 

Considerações finais

Através da série Cérebros de Antonio Peticov foi possível absorver uma trama histórica que percorreu trajetos pouco utilizados pelas artes – a busca do arcabouço científico; e, da mesma forma, a necessidade da pluralidade para a dureza científica.

Na série foram encontrados significados coletivos, de leituras diversas que convergiram na complexidade humana e artística. O armazenamento plástico de Peticov possibilitou a saída dos limites físicos de nosso corpo para estar interposta como uma extensão da memória à maquina e à vida. (Le Goff, História e Memória, 1992, p. 425-426)

A memória é o centro de armazenamento das histórias e que ascende em temporalidades passado/presente/futuro – tendo em seu bojo a liberdade para que a servidão não impere pelo esquecimento. Pelo mesmo ângulo, Peticov propôs, através da reflexão plástica, o uso da maquinaria provendo-a com sabedoria e evitando a servil estagnação.

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Uma resposta to “Série Antonio PETICOV IV: Cérebro Full Circle”

  1. Tecituras - Gisèle Miranda 15 de fevereiro de 2017 às 13:41 #

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