Futebol arte e alienação: assepsia ou ginga? (Volta, Adriano, 2017!)

22 jun

Por Lia Mirror,  Laila Lizmann & Gisèle Miranda

Reminiscências da Copa de 2010

Por mais asséptico que o Dunga tenha sido, a ginga de misturas mirabolantes fez do futebol do Brasil ser aquém! Ser arte! Arre, pedaladas de Robinho! Até Kaká, o bom moço religioso foi expulso em prol da guerrilha da Costa do Marfim. Os caras bateram no desespero. Mas não merece ser dito: – “Tá vendo, quem manda torcer pelos Africanos!”

Nelson Mandela, 2010

Nelson Mandela, 2010

Quem falou isso? Um infeliz. Prefiro milhões de vezes a porrada da Costa do Marfim que Materazzi implicando com Zinedine Zidane por questões étnicas na Copa de 2006. Daria mil cabeçadas nesse boçal Materazzi . A cabeçada de Zidane foi a cabeçada de milhões.

Mas, o infeliz continuou: “- você não entende nada de futebol.” Aquilo ficou engasgado. Apartheid de gênero?  Sei que me dói matar no peito como Luiz Fabiano fez, além do gol contra com a Costa do Marfim; mas se teve ´a mão de Deus´ com Maradona, então, por que ele (o infeliz) pensa que eu nada entendo de futebol sendo eu uma flamenguista dos tempos áureos de  Fla X Flu no Maracanã? Pó de arroz, luminosos vermelho e preto e as bandeiras dançando.

Peguei o jornal que estava à minha frente, li sobre quem sabia tudo sobre futebol, e adivinha?  Só os Globais! Sim, os Vips, os Trips, Cools, outrora Yuppies…, agora o quê? Os atores Globais.

Mas se faço uma boa feijoada, samba de roda (de quando em quando para delimitar território), embora uma boa roda de hardcore prevaleça, por que estou batendo o pé com os Globais? Eles entendem de futebol?  Por que se dão ao trabalho de improbidades quando o futebol vem da raiz? Esqueço que a invenção vem dos ingleses e vislumbro uma raiz que resplandece da fome, da mestiçagem, dos negros subservientes do Apartheid, do escravismo do último país a abolir a escravidão – Brasil! 

Isso lembra a busca incessante do bode expiatório do Flamengo. Ou será o próprio Flamengo comandado por uma mulher? Se fez tem que pagar! Vagner Love saiu praticamente ileso e com elegância do complô Globo/mídia. Acusado de ser negro (?), de ter saído de uma favela (?) e de ter reminiscências/essência do homem que é – do submundo. Padrinho de 500 crianças do morro (força de expressão)  e alvo de idolatria até “dos bandidos.”

Ôpa, mas favela só tem negros, pobres, drogas e armas!? Também tem os benfeitores que não esqueceram  as suas infâncias. Vagner Love e Adriano, por exemplo! Love saiu ileso pela boa oratória, mas o Imperador…  hum..  chutou o pau da barraca.

O Imperador foi preterido pela assepsia Dunga, mas não pelo discernimento do bom brasileiro que sabe das misturas de nossa gente. E como assepsia gera assepsia, Dunga bebeu do próprio veneno: a Globo foi asséptica ao Dunga porque ele foi irônico e debochado  com a mídia brasileira, melhor dizendo: com os repórteres da Globo. Mas como a Globo já colocou presidente (Collor), depois tirou, ela de calcanhar retornou o Dunga.

Aqui se faz, aqui se paga, ainda mais com a assepsia das Organizações Globo que outrora Leonel de Moura Brizola proclamou como um doido… Sim, Brizola vai precisar de muitos anos pós morte para provar sua tese, enquanto isso, a sua memória continuará no desterro da história brasileira (como a própria história brasileira dos últimos 30 anos) por questões partidárias e de alienação. Mas, salve as parcerias Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer pela democracia e pela educação.

Por birra, a mídia Globo deu corda para dom Maradona, obviamente para punir Dunga. Porque vocês sabem: não mexam na onça com vara curta! A mídia coloca presidente, mas também tira! Sabem tudo!

Mas querem saber o que mais me chamou atenção até esse momento da Copa de 2000, apesar dos bons lances e da hipocrisia? A vocalista do “Black eyed peas” (que fez a abertura da Copa) que em entrevista para o Jornal Nacional  falou do seu maior desejo: conhecer o Brasil e ir a uma festa na favela. A jornalista fez aquela cara de… Ponto turístico? Será que a jornalista lembrou do Adriano ou do Vagner Love?

Ou ainda, será que a entrevistada não teve tempo de perceber que estava no continente da maior favela do mundo? Maior número de fome, AIDS, pobreza, guerrilhas, violências…?

Meu ídolo no futebol arte ainda é Mané Garrincha, que alias, jamais seria escalado por Dunga. Porque nunca abandonou seu morro, e ainda por cima tinha as pernas tortas e vida tortuosa. E, atualmente (2017), anseio pela volta do imperador Adriano, que vive no morro de seu nascimento.  E, nos Direitos Humanos meu ídolo é Nelson Mandela que nunca abandonou os princípios básicos de humanidade apesar de toda a violência sofrida e longe de ser sanada.

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2 Respostas to “Futebol arte e alienação: assepsia ou ginga? (Volta, Adriano, 2017!)”

  1. Srta. Sbaile 10 de julho de 2010 às 15:28 #

    Amei esse texto, Gisa! Amei!

    A televisão tem um poder incrível no Brasil e no mundo, por isso eu estudo televisão. Diretores executivos têm a capacidade de fazer com que o mundo aceite as idéias deles. E diretores executivos só têm idéias de minhoca… E aí fica todo mundo com idéias de minhoca. É isso: o mundo é uma grande idéia de minhoca de diretores executivos!

    E Nelson Mandela é qualquer coisa. Pqp, esse homem é um ícone! Amo!

  2. ch 25 de junho de 2010 às 20:43 #

    Um enxame, mas vale a pena. O Dunga fez a Globo tomar do seu próprio veneno do autoritarismo larvar que a pariu

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