Série Paschoal Carlos Magno III: O Teatro Duse – uma nau de trilhos e bondes

12 jul

Por Gisèle Miranda

… Rio de Janeiro, e vivi grande parte da minha vida lá no morro de Santa Tereza, onde vivo até hoje e onde espero morrer… (MAGNO, P. C., 1980)

Teatro Duse, hoje Casa Paschoal Carlos Magno, situada a (ladeira) Hermenegildo de Barros, 161, em Santa Teresa, na cidade do Rio de Janeiro. O Duse nasceu sob o jugo de luzes e aplausos em 2 de agosto de 1952:

 Instituindo a alusão topográfica – ele (Paschoal Carlos Magno) monta o seu teatrinho ´Duse´ na ladeira íngreme de um bairro caído em ostracismo. Há gente, muita gente subindo pelas escarpas com devoção de que sobe a Penha… cem pessoas dento do teatrinho Duse representam moralmente seis mil assinantes do Teatro Municipal… (Globo, 23 jun. 1953.)

 Poltronas confortáveis verdes-brancas… paredes verde-claro… cortina branca… iluminação indireta através dos olhos de vidro das máscaras gregas esculpidas por Stélio Alves de Souza…  (Tribuna da Imprensa, 5 ago. 1952)

Em 1938, Paschoal clamava: talvez num porão, num sótão como Little Theatre… na falta de outro local, na minha casa na boa companhia de meus livros, quadros e bronzes…(Jornal dos Theatros, 3 jun. 1938.)  O Teatro Duse de 1952 foi um desdobramento do Teatro do Estudante do Brasil de 1938, época em que os estudandes usavam uniformes – saias e calças pretas, camisas e blusas brancas com as iniciais TE.

 O Teatro Duse fechou suas portas em 1956; reabriu, fechou e reabriu. Em 1985 a casa foi “considerada bem cultural de Santa Tereza.” Desse pequeno teatro profissões antes sequer respeitadas foram definidas. Destaques à nossa literatura com textos de Ivan Pedro Martins, José Paulo Moreira da Fonseca, Hermilo Borba Filho, Raquel de Queiróz, Antonio Callado, Lúcio Fiúza.... entre muitos. Nossa língua valorizada e compreendida.

No térreo da casa o Teatro Duse. No andar de cima, a morada da família Carlos Magno, que também acolhia estudantes: … que nenhum dos estudantes fique sem jantar e tenha um leito, arrumado no palco, na biblioteca ou mesmo sobre a palha dos velhos sofás… . (Vicente, Jornal de Imprensa, 5 ago. 1952)

Paschoal morreu na cidade do Rio de Janeiro em 24 de maio de 1980. Pouco antes esbravejou, em tom de praga, a todos que alimentavam a ignorância. Afinal, ele era de uma família predestinada… que tem vocação suicida. Uma família que em vez de amealhar dinheiro, amealha livros, quadros, paixões… todos nós trabalhamos pela cultura. (Magno, O. C., 1993, 194)

Referências: MADEIRA, Gisele Ou MIRANDA, Gisele. Paschoal Carlos Magno (1906-1980): mosaico de um Culturalista (tese de doutorado/PUC-SP, 2000).

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