Série Paschoal Carlos Magno IV: o Teatro do Estudante de 1938 e a Concentração do Estudante de 1947

15 jul

Por Gisèle Miranda

O Teatro do Estudante do Brasil surgiu em 1938, a partir do visionário animador cultural, ´quixotesco´, ´louco´, mecenas assalariado, ´franciscano´, cônsul do Brasil, escritor, poeta e teatrólogo Paschoal Carlos Magno. Do Teatro do Estudante do Brasil surgiram mais de 400 Teatros de Estudantes por todo o Brasil. E, em 1947, Paschoal criou e organizou a Concentração[1] dos estudantes de teatro, que se desdobrou no I Festival Shakespeare; donde surgiu a primeira montagem de Shakespeare rememorada por Bárbara Heliodora como “inesquecível”.

Heliodora também foi partícipe de 1947 como conferencista da Concentração dos Estudantes de Teatro do Brasil, e antes disso, registros encontrados de sua passagem como atriz. Ela é conhecida pela rigidez nas críticas das apresentações de Shakespeare no Brasil. Porém, nunca vacilou ao destacar os acertos. São eles: Hamlet por Sergio Cardoso, sob direção de Hoffman Harnish (1947), e Romeu e Julieta, sob direção de Gabriel Vilella (1992). Heliodora acredita na genialidade: 

…a única explicação para o fenômeno Shakespeare é a do gênio, cuja manifestação específica foi altamente favorecida pelas condições características do teatro de seu tempo. (HELIODORA: 1997, p. 133)

Mas, por quê a dificuldade de montagens de Shakespeare? … a importância dada ao destino social da obra, sobretudo a sua comunicabilidade… da visão do Poeta e nos motivos de sua espantosa acessibilidade. (HELIODORA, 1978, p. 16. In: prefácio do Professor Dr. Antonio Cândido)

Estudantes de teatro no intervalo dos ensaios de uma das peças de Shakespeare subindo a rua Hermenegildo de Barros – entre o Teatro Duse e o mirante Glauce Rocha (ao fundo vista da Marina da Glória e aeroporto Santos Dumont) Foto Familia Carlos Magno, década de 1950

A Concentração dos Estudantes de Teatro do Brasil se fez pública em seus relatos diários: aulas de canto, linguas, danças, palestras, debates, leituras de textos, ensaios e os afazeres do cotidiano doméstico. ´Moços e Moças´, dizia Paschoal, reunidos em meados da década de 1940 exercendo o teatro como ofício. Facultativos os momentos na biblioteca, ao piano ou na discoteca.

Dessa Concentração saiu Hamlet, direção de Hoffman Harnish; cenografia de Pernambuco de Oliveira (sob indicações de Santa Rosa), Walter Schultz Portoalegre na música, Jacy Campos como assistente geral. Apresentação oficial, 6 de janeiro de 1948. E, em 9 de março de 1948 (curta temporada), sob um calor imenso, sufocante, mas em cada monólogo de Sergio Cardoso  como Hamlet, o público não continha as palmas. Casa lotada no Teatro República e uma apresentação ao ar livre no Castello Serrano, na cidade do Rio de Janeiro.

 

Referências:

HELIODORA, B. (1923-2015) A expressão do homem político em Shakespeare. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978. HELIODORA, B. Falando de Shakespeare. São Paulo: Perspectiva; Rio de Janeiro: FUNARTE: Cultura Inglesa, 1997 (Estudos, 155)

SHAKESPEARE, W. Tradução Barbara HELIODORA. William Shakespeare: Teatro Completo. São Paulo: Nova Aguilar, 1999. V. I e II.

ZUMTHOR, P. A letra e a voz: a ´literatura´ medieval. São Paulo: Companhia das Letras, 1993

Jornal Correio da Manhã, de 9 de maio de 1947 a 31 de julho de 1947.

Jornal Folha de S. Paulo, 21 maio 2009.Muito barulho por nada. (entrevista com Bárbara Heliodora por Lucas Neves) V. Tb.Bárbara Heliodora a sua tradução: William Shakespeare: Teatro Completo, Vol. I e II e III.

MADEIRA, Gisele Ou MIRANDA, Gisele. Paschoal Carlos Magno (1906-1980): mosaico de um Culturalista (tese de doutorado/PUC-SP, 2000).


[1] Em 15 de julho de 1947, à rua Desebargador Isidro, 135, na Tijuca (RJ), casa cedida por Ricardo Jafet à empreitada de Paschoal Carlos Magno. O diário da Concentração foi todo publicado pelo jornal Correio da Manhã, em parte sendo relatado pelo diretor de cada grupo, por exemplo: Hermilo Borba Filho (Pernambuco), José Ceschiatti (Minas Gerais), Samuel Legay (Rio Grande do Sul), Edson de Almeida Prado (São Paulo), Paschoal Carlos Magno (Rio de Janeiro).
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2 Respostas to “Série Paschoal Carlos Magno IV: o Teatro do Estudante de 1938 e a Concentração do Estudante de 1947”

  1. liviasegurado 13 de junho de 2016 às 11:05 #

    Olá, Gisele,
    parabéns pelo blog, é excelente! Mas não consigo achar as datas exatas para referência. Este artigo, por exemplo, é de 15 de julho, mas de qual ano?
    Grata,
    Livia

    • Tecituras - Gisèle Miranda 13 de junho de 2016 às 11:50 #

      Livia

      Agradeço o elogio.

      Você pode datar a partir da tese que foi de 2000 e consta na referência do texto. Também pode datar a partir da sua visualização, pois os textos, ora ou outra são retificados ou acrescidos de novos dados.

      (Mas confesso que abandonei as configurações do blog)

      abraço,

      Gisèle Miranda

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