Julio LE PARC

9 fev

Por Gontran Guanaes Netto

(Paris, janeiro 2011)


Atualmente ´vivo´ preocupações ao estudar e refletir sobre as implicações que existem no domínio da arte e em suas relações possíveis com a história e a filosofia da ciência.

Ao vislumbrar os níveis teórico e prático (de maneira intuitiva) deparo-me como associações que validam certas situações aproximativas. Por isso, abarco horizontes mais vastos deixando à escrita questões elucidativas na criação artística que na sua forma de comunicação e representação abordam fronteiras onde insinuam, analogicamente, referências do universo científico.

Ao observar as aparências deparamo-nos com supostas contradições nas linguagens a serem confrontadas. Há uma sucessão ou um processual de interrupções determinando variantes e alternativas na compreensão do espectador diante de situações imprevistas. As mesmas vertidas em resistências preconceituosas que abrem caminhos às participações involuntárias; esse estado de ser potencial inerente ao universo infantil em sua fase lúdica.

Se avaliarmos o homem em sua trajetória histórica, ele sempre foi movido por uma curiosidade instintiva; como consequência houve a permissão acumulativa das experiências compreensivas de realidades exteriores que, ao se abrirem em melhores condições, conservam melhor a sobrevivência da espécie.

Em uma consequência histórica a ciência encontrou uma linguagem onde há alternâncias entre verdade – inverdades, ou seja, são denominadores comuns que se encaminham às novas alternativas.

Por exemplo, a obra de Le Parc: percebe-se de maneira, sobretudo visual e analogicamente, a obtenção de uma linguagem. Os resultados obtidos a partir de suas reflexões racionais sobre a luz, as ondulações, as alquimias, determinam aproximações de formas intuitivas que interpõem questões científicas complexas, a partir de evidências explícitas sugeridas.

 

Le Parc, Alchimie 46, 130×195 cm, 1989.

 

Não creio que Le Parc seja um profundo conhecedor da linguagem científica, mas ele produz e cria formas singulares e similares, que através da estimulação visual nos envolve em um universo científico.

O metafísico – da física quântica nos retira da terra firme e das concepções clássicas da matéria e nos incita a novas compreensões sobre a energia, extrapolando e nos permitindo indagar outras formas de representatividade.

Sua obra visual talvez nos leve a uma compreensão de imaterialidade ao levantar o véu de sua inverdade, ou seja, em sua nua verdade implícita.

Caminhamos nos limites das fronteiras do racional positivista ao empírico relativista. Realidade-compreensão/ Compreensão-realidade – que são conjecturas que a obra visual de Le Parc nos apresenta como um veículo intuitivo às novas fontes de uma realidade cinética.

Dessa forma, uma trajetória se abre em campos que abrigam conceitos diversos, mas diferenciando da noção Tempo-espaço, que no caso de uma intuição exacerbada admite-se ultrapassagens possíveis.

No mais, é evidente que o mito do referencial religioso está ultrapassado.

 

 

 

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