Gestação violência (por gerações)

30 ago

Por Gisèle Miranda

 

Ao acompanhar a prisão de Goran Hadizic (em 2011), um dos líderes da limpeza étnica da Bósnia e considerado o ultimo assassino em massa do conflito da Península Balcânica – penso que – pela geração de jovens filhos de estupros, estamos longe de ter o último assassino em massa.

As prisões de Ratko Mladic e Goran Hadizic, (em maio e julho de 2011), assim como de Slobodan Milosevic (em 2000) foram conquistas do Tribunal Internacional da ONU. Estima-se que 50 mil mulheres foram estupradas sob incentivo desses líderes.

A dura temática é recorrente neste blog, donde se coloca a mulher como – arma de guerra –, historicamente uma das mais antigas violências em vigor, independente dos avanços contabilizados pelas mulheres em diversos espaços. Já que, além das guerras de outrora aos conflitos do século 21, os filhos de estupros continuam a agregar números altíssimos.

No Congo os registros contabilizam 200 mil estupros; cálculo efetuado a partir da criação de um hospital específico para casos de estupros seguidos de mutilações, desde 1999.

No Brasil, o Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP (2012) vem discutindo sobre os estupros seguidos de morte durante a Segunda Guerra Mundial – “no sofrimento das mulheres durante o Holocausto” (cerca de dois milhões), até então tema ocultado no genocídio de judeus.

Longe de guerrilhas e depois da mudança do Código Penal de 2009, o estupro no Brasil deixou de ser ‘atentado violento ao pudor’ sendo punido com maior rigor, mas nem por isso extinguiu. Mesmo sabendo que o silêncio das vítimas predomina e não contabiliza. É fato que o estupro desumaniza e o covarde ato é danoso há longo prazo.

Avenida Atílio Martini, Campinas/ SP, julho de 2011 (Foto: Reprodução/ EPTV)

Em 2014,a luta do médico congolês Denis Mukwege foi reconhecida, em paralelo, a luta por driblar os atentados sofridos em decorrência do ofício de salvar e dignificar vidas.

 

Sugestões e referências:

Sobre o médico congolês Denis Mukwege:  http://cndhc.org/index.php/noticias-4/88-premio-sakharov-2014-medico-congoles-denis-mukwege-premiado-pelo-tratamento-de-vitimas-de-violacao

Sobre Louise Bourgeois: http://www.elidatessler.com/textos_pdf/textos_artista_1/Da%20casca%20de%20laranja%20ao%20casaco%20do%20pai%20LOUISE%20BOURGEOIS.pdf

HEHGEPETH, Sonja M. & SAIDEL, Rochelle G. Sexual Violence against Jewish Women during the Holocaust, HBI Series on Jewish Women Brandeis University Press, 2010.

SORG, Letícia. A mais covarde das armas de guerra. In: Revista Época, 18 de julho de 2011, p. 104-106.

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