Pré-História e seus Meios de Comunicação (I): Arte Rupestre

26 maio

por Gisèle Miranda

A Arte Rupestre contempla um conjunto estético da Pré-História de inscrições, desenhos e pinturas. Esse arcabouço estético é fruto de descobertas que vem ocorrendo e não findou, pois ora ou outra há notícias de artigos acadêmicos e midiáticos sobre novos achados e novas abordagens.

Além dos arqueólogos há colaboração de diversas áreas de pesquisas, tais como paleontólogos, espeleólogos, geólogos, antropólogos, geógrafos, historiadores, químicos entre outros, para compor análises desde geofatos (ação de forças da natureza) a artefatos (fruto do trabalho do homem).

Embora a Arte Rupestre esteja em denominados sítios arqueológicos, por vezes são transformados em Parques Nacionais para a visitação guiada, onde se realizam tombamentos, ou seja, são patrimônios da humanidade designados pela UNESCO, criada em 1945, que visa a proteção para a Educação, Ciências Naturais, Ciências Humanas e Sociais, Cultura e Comunicação e Informação.

Os mais famosos sítios arqueológicos estão na França e na Espanha. O maior está no Continente Africano; há na Ásia, Oriente Médio, entre outros, em menores proporções. No Brasil também há importantes sítios e parques. No Piauí, o mais antigo, criado em 1979 (ampliado em 1990 e em 1991 reconhecido pela UNESCO) é fruto do trabalho incansável da arqueóloga brasileira Niède Guidon (Jaú/SP,1933-), e que abarca os estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas.

Também há sítios na Bahia, Minas Gerais e Santa Catarina, entre outros lugares. Acredita-se que há muito o que descobrir. E como dito anteriormente, não podemos delimitar essas descobertas e há muitas hipóteses que não param de surgir, assim como lugares a serem descobertos.

Em meio as interpretações há argumentações precisas no que diz respeito às datações através da técnica do Carbono-14, criada em 1949 pelo químico norte americano Wielard Libby (1908-1980), Nobel de Química em 1960. E também através da Geomorfologia e suas técnicas de Luminescência Opticamente Estimulado (LOE) e Isótopos Cosmogênicos, Ressonância Paramagnética Eletrônica (RPE), entre outras.  Resultante da datação pode-se pensar a ocupação humana e sua temporalidade cognitiva; também a ocupação animal em suas variações a extinção de algumas espécies.

Os pigmentos mais comuns na Arte Rupestre são o vermelho ocre, o preto e o amarelo ocre. Vermelho (sangue) como a premissa da vida; o preto associado a morte. Colorações do carvão ou osso queimado e misturados às gorduras aquecidas de animais. A cor verde inexistia. As ferramentas utilizadas eram de pedras e ossos de animais. O pinceis eram de pelos de animais.

E as formas? As inscrições, os desenhos? O que representavam? As respostas apontam para um ritual mágico ou na apreensão e domínio dos animais na futura caça, controle do medo através da coragem vindoura – do acontecimento futuro e não do que ocorreu.

Ou ainda, para quem eram representados? Eram representados para si. Fato é que muitos desenhos e pinturas foram realizados em cavernas e espaços protegidos. Muitas vezes realizados em locais tão dificultosos que foram inscritos por pessoas na posição vertical, ou seja, deitados, levando a crer que não eram para serem vistos ou admirados. Não havia o propósito expositivo; não havia a intenção da contemplação.

Outro fato recorrente era designação de homem pré-histórico ou homem das cavernas como se somente os homens pudessem fazer parte desse ritual. No entanto, recentes pesquisas realizadas pelo arqueólogo norte americano Dean Snow (1940-) e sua equipe da Penn State University (EUA) nos sítios da França e Espanha descobriram que as mãos impressas em cavernas, em sua maioria, são de mulheres e não de homens. Que das 32 mãos encontradas nos 11 sítios arqueológicos, 24 mãos são de mulheres. Mais hipóteses foram levantadas quanto os rituais de caças até então atribuídos aos homens.

Caverna de El Castillo, Espanha, 40.800 a.C. In: Ciência e Saúde Globo.com (foto AFP)

Caverna de El Castillo, Espanha, 40.800 a.C. In: Ciência e Saúde Globo.com (foto AFP)

Referências:

GOMBRICH, Ernst H. História da Arte. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

Biblioteca Digital Revista da Fundação Museu do Homem Americano, a Fumdhamentos Parque Nacional Serra da Capivara, Piauí http://www.fumdham.org.br/fumdhamentos consulta em 23/05/2017.

http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo5354/arte-rupestre consulta em 22/05/2017.

Revista Galileu http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI344484-17770,00-AS+PRIMEIRAS+ARTISTAS+PINTURAS+RUPESTRES+FORAM+FEITAS+POR+MULHERES.html consulta em 22/05/2017.

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