WARGASMO, parte I

2 out

Por Byra Dornelles

 

Não sei!

(Minha era tem necessidade de Violência!)

Na primeira vez eu escondi algumas latas de cerveja, começou assim.
Depois comecei a mascarar meu cheiro e hálito de álcool com hidratantes na madrugada.

Escondi uma garrafa de vinho vazio , outra de uísque e quando percebi eu não era mais eu. Estava me escondendo pelos cantos, fingindo, me malocando, coisa que eu sempre abominei. Cheguei a sonhar que acordava de barriga pra cima e feito personagem de Kafka não conseguia me virar. Noutro sonho dizia que ia morar novamente com minha primeira ex-mulher: tudo sonho persecutório. Não. Eu não amava mais nenhuma delas.

Eu sabia que fugíamos de uma conversa mais íntima,mas eu evitava esse aproach. Sabia que ela e eu  tínhamos  tantas palavras que não poderíamos dizer.
Sim. Quando eu a conheci as palavras eram grandes, amor, viagens pelo planeta, amizade, criar filhos e livros.

Sabia também que sua vida estava repleta de fantasias, com um filho de dois anos tinha planejado montes de sonhos, devaneios, ir pra Paris, Buenos Aires, qualquer lugar que não lembrasse sua formação rural , também outro sonho persecutório, sua contradição em viver na maior cidade da América  do Sul e ser oriunda de uma cidade que nem água havia mais mas o orgulho rural permanecia em choque com seus cosmopolitismo. Geo narcisismo.

Não se pode fugir do seu destino, quando você não tem noção do que poderia ser o novo, quando não se sabe o que é o novo, como explicar pra um cego as cores ou o som sussurrado pra um surdo. Não. Queria que ela voltasse a realidade e me escutasse ou me visse pelo menos.

byra 1

Henn Kim, s/ título, s/data.

Ela me amou pela minha poesia, pela crueldade, e eu não hesitaria em destrui-la sem compaixão. De verdade. Ela adorava minha capacidade em magoar, se tornou um vicio.

Ela não queria ouvir meus argumentos de drop’n out, eu sempre o freak insano, ela abanava a cabeça e dizia: ‘temos um filho´.

Ela não sabia e duvidava que a qualquer momento outra mulher vai tomar minha experiência e me amar pela minha dureza demoníaca e se somará a si.

E isso, obviamente aconteceu 15 meses depois.

Não. Eu não amava mais nenhuma delas, até então conhecer a minha antítese, minha contrária tradução e sedução!

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