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Crônica: A Lei é clara!

27 abr

Por Sta. Sbaile


Há poucos dias, a TV americana estava no maior oba-oba com o negócio da imigração no Arizona. (EUA)

Leitores, eis aqui o que aconteceu no Arizona: na tarde de ontem, a governadora Jan Brewer assinou uma lei que criminaliza a imigração ilegal no estado. Essa é a lei.

Eu quase caí da cadeira quando li a notícia, digo cair de dar risada. Imigração ilegal nos Estados Unidos é crime em todos os estados, pelo que eu sei. O nome já diz, “ilegal”. O propósito desta lei de ontem é simples, passar a mensagem: “Mexicanos, nós não gostamos de vocês. Vocês são baixinhos, marrons e têm um sotaque estúpido.”- Pronto. É isso que o Arizona está falando.

Quando o assunto é imigração, eu sou confiante de que entendo da coisa. E, leitores, o sistema de imigração americano é um dos mais xenofóbicos, ignorantes, preconceituosos e humilhantes pelo qual eu já tive a infelicidade de ser submetida. Vou pular a parte de quase ter sido deportada, ouvir comentários sexistas do policial de imigração, entre outras barbaridades que presenciei por ser imigrante.

Neste ano, o Ricky Martin e o Arizona saíram do armário: um é gay, o outro racista. Vergonha é ser gay e não admitir, ou ser racista e fingir que é livre de preconceitos. Não é?

Falando em gays, essa é outra lei americana: ser militar e gay ao mesmo tempo é ilegal. É o seguinte: vamos supor que o Ricky Martin trabalhasse para a marinha. O porto-riquenho gato de luzes no cabelo teria que morrer fingindo ser homem com “H”. Sair do armário no exército americano significa demissão.

Leitores, eu já falei e vou falar de novo: imaginem alguém demitir um negro do trabalho só porque ele é negro. Vergonhoso. Mais que vergonhoso, ilegal… Mas já foi legal no passado, um passado horroroso de sessenta anos atrás, no qual os negros não tinham direitos civis. Então eu me pergunto: quanto tempo vai demorar para que gays tenham direitos de seres humanos? E quando nós finalmente dermos esses direitos aos gays, quão vergonhoso o passado vai parecer aos nossos netos?

Falando em direitos civis, um outro direito que nós não temos é o de morrer. A morte é proibida. A gente só pode morrer quando Deus quiser que a gente morra. O mesmo Deus que ninguém sabe se existe ou não.

Hoje assisti um filme chamado “You don’t know Jack”, excelente por sinal, sobre a história de Jack Kevorkian – médico nascido na Armênia e criado nos Estados Unidos.

"Cross of Justice", por Dr. Jack Kevorkian

Leitores, vejam a história do Jack: ele matou um paciente em estado terminal que pediu para morrer. O paciente foi morto por injeção letal – a mesma usada pela maioria dos estados americanos para a pena de morte.

Em corte, acusado de assassinato, Kevorkian disse: “Eu preferiria morrer do que deixar aquele homem viver”.

Foi o que bastou para que uma juíza condenasse o médico à pena máxima por assassinato em segundo grau: 25 anos, dos quais ele acabou cumprindo só oito. Ele foi solto em 2007, aos 79 anos.

Mais que um médico pró eutanásia, Kevorkian é um dos ativistas mais convictos de seus ideais.

“Se eu for absolvido, eu ganho. Se eu for preso, eu ganho. Eu não estou fazendo isso por mim. Vai para a cadeia só o que sobrou de mim. Eu quero ver esse caso ir para a suprema corte” (Jack Kevorkian)

Acontece que a suprema corte nunca abriu o caso de Jack, e eutanásia continua sendo ilegal nos Estados Unidos.

Muitas pessoas contra a eutanásia, – e também contra o aborto – alegam que ninguém pode bancar Deus (é, o mesmo Deus que ninguém conhece, ou vê, ou conversa com ele). A resposta de Jack a essas pessoas é simples:

“Quando um médico faz um transplante, dá um comprimido para alguém, salva uma pessoa ao invés de simplesmente deixá-la morrer… Ele está bancando Deus. E por ‘bancando Deus’ eu digo que ele está interferindo com o curso natural das coisas. Nós só estamos discutindo a eutanásia por questões religiosas. Enquanto algumas pessoas argumentam falando sobre a bíblia, eu falo sobre direitos humanos”.

BANG!

Tomem essa, religiosos! Que padre estuprador de criancinhas fala bonito assim? Que bispo ladrão da Igreja Universal sabe sobre direitos humanos de morrer?

É por isso que, hoje, eu não estou escrevendo sobre leis, ou eutanásia, ou sobre gays, ou sobre imigração. Hoje eu quero escrever sobre sair do armário.

Ateus, saiam do armário!

Liberais, saiam do armário!

Anti-racismo, saiam do armário!

A gente não pode tolerar mais uma sociedade controlada por valores religiosos. Religião condena aborto, condena gays, condena o Dr. Kevorkian, já condenou negros e dá margem ao preconceito. Religião condena a capacidade humana de evoluir. Condena o Homem que pensa por si próprio. Religião só não condena o Papa por encobrir estupros.

Por isso, religiosos conservadores, aqui vai a minha resposta a vocês: “Meu Deus é Johan Sebastian Bach. Pelo menos eu sei que ele existiu de verdade” (Dr. Jack Kevorkian).

(*) Parte da Série Como sobreviver no primeiro mundo? http://sbaile.blogspot.com/

Crônica: Funeral Afro-Americano

14 abr

Por Sta. Sbaile


Há alguns anos atrás, conheci minha melhor amiga da Flórida: Senhorita Destiny Golden.

O pai da Destiny abandonou a família quando ela era bebê. Aos 15 anos, a mãe da Destiny sofreu um derrame e ficou paralisada no lado direito. A Destiny então se tornou responsável pela mãe e teve que largar os estudos. Aos 24, a mãe da Destiny teve um problema sério de circulação, o que levou os médicos a amputarem a perna esquerda dela.

Foi então que a Destiny não agüentou mais: colocou a mãe em um hospital permanentemente e voltou a estudar. Hoje, a Destiny é jornalista.

A família Golden, apesar de ter um sobrenome judeu (só Deus sabe o porquê), é extremamente evangélica e afro-americana.

Eu poderia escrever algumas crônicas sobre negros americanos e suas peculiaridades, manias e filosofias. Claro que cada indivíduo é único, mas existem várias coisas sobre a cultura afro-americana que são, no mínimo, fascinantes e hilárias.

A Destiny cresceu cantando no coro da igreja. A voz dela é sensacional, fora do comum. Ela é fora do comum, fantástica, menina incrível!

– Sbaile, a tia Rita morreu. – A Destiny me liga.
– Ela não tinha morrido o mês passado?
– Não, aquela foi a tia Joane.
– Foi a que eu conheci?
– Não, você conheceu a tia Elaine.
– Meu! Quantas tias você tem?
– Vivas? 12.
– Tá brincando!
– Não, não… verdade. Eu sou preta, Sbaile…
– E…?
– Preto gosta de procriar.
– Tô vendo…
– Mas então, você quer ir ao funeral comigo?
– Não, honestamente.
– Vai ser divertido!
– Divertido?
– É! É funeral de preto…
– E…?
– E preto é sempre animado!
– Ah é?
– É. Você vai ver! Depois a gente vai beber em algum lugar com a tia Lakisha e a tia Denise!
– Meu Deus… tá, tá bom.

Toca a Destiny passar na minha casa com uma caminhonete lotada de tias.

– Sbaile! Não acredito que você não está pronta ainda!
– Quê? Tô pronta! Prontíssima.
– De jeans?
– É, ué…
– Não, veste uma saia preta!
– Por quê?
– É funeral… você tem que ir de saia preta.
– Ai Deus… Não raspei a perna.
– Raspa aí rapidinho, vai…
– Caralho, Destiny…

Lá vou eu colocar a maldita saia preta.

No carro, as 678 mil tias que cabiam naquele veículo usavam óculos de sol.

Chegamos ao funeral. Lá estava a pobre tia Rita. Ela devia pesar uns 180 quilos.

– Destiny! Ow… Destiny!
– Que é, Sbaile?
– Por que todo mundo tá de óculos de sol?
– Ah, porque a gente é preto…
– Essa é sua resposta pra tudo agora?
– Sbaile… Você não sabe nada sobre pretos…
– Como assim?
– Pretos são assim, ué… óculos de sol em funeral é coisa da gente.
– Mas por quê?
– Eu não sei por que… Só sei que a gente é assim.
– Afff.

Não havia um branco sequer naquele funeral a não ser eu. Todo mundo me olhava como se eu fosse a assassina da tia Rita.

– E você, quem é?  (me perguntou um dos 8 filhos da tia Rita)
– Eu era manicure da sua mãe.
– É mesmo?
– É.

Alguns minutos passam.

– Sbaile! Você falou pro Greg que era manicure da tia Rita? – A Destiny pergunta indignada.
– Falei.
– E por que você mentiu?
– Destiny… Você falou que esse funeral ia ser animado. Não tá animado coisa nenhuma. Eu tive que mentir.
– Quê? O que você acabou de falar não faz o menor sentido!
– É que eu sou branca…
– Quê?
– Nós brancos somos assim. Não fazemos sentido.
– Sbaile, a tia Rita só ia em salão de preto. Ele sacou que você tava mentindo…
– E daí, Destiny?
– E daí que o primo Greg é…

Hora do discurso.

E não é que o primo Greg me sobe no palquinho pra falar sobre a tia Rita! De óculos escuro e vestindo preto… Senhoras e senhores: o primo Greg!

– Senhoras e senhores aqui presentes, hoje é o dia do funeral da minha mãe, Sra. Rita Golden, que já foi dona de uma casa de jogatina…
– Olha a tia Rita… pecadora… – Eu falo no ouvido da Destiny.
– Sbaile, chega!
– …Mas que foi salva pelo Senhor!

Ah não!

– Senhoras e senhores: esta mulher que já foi alcoólatra, que já foi viciada em jogo, que já foi pecadora carnal… Hoje descansa na paz do Senhor, porque ela genuinamente aceitou o sangue de Cristo…
– Amem! – alguém de saia preta e óculos de sol grita.
– … Mas eu não estou aqui pra falar da minha mãe…

Ha! Não? Que discurso original para um velório.

– …Não! Estou aqui para falar da salvação de Cristo! Porque eu, assim como minha mãe, fui salvo pelo Senhor. Um homem bateu na minha porta num certo domingo, ele me perguntou: “Você é Greg Golden?” “Sim, eu sou o Greg Golden” – eu falei. Tia Verônica estava comigo naquela momento. Não é verdade, tia Verônica?
– Sim, é verdade! – Ela grita.
– …Ela estava comigo. Porque o Senhor sempre tem uma testemunha! E o homem que bateu na minha porta caiu no chão ao ouvir meu nome. Eu pensei que ele tivesse caído de morto. Não é verdade tia Verônica?
– Sim!
– Porque o Senhor sempre tem uma testemunha! Mas ele não estava morto, ele estava lá para me salvar. E eu fui salvo. Na semana seguinte, eu fui à Igreja e o pastor falou meu nome no meio do sermão. Primo Justin estava comigo. Não é verdade, primo?
– É!
– Porque o Senhor sempre tem uma testemunha! E dessa vez, fui eu que caí no chão, porque fui atacado pelo raio divino da salvação. É ou não é, Justin?
– É!
– Porque o Senhor sempre tem uma testemunha! E naquele momento eu entendi o sentido da vida. Voltei pra casa, nunca mais bebi. Minha mulher sabe. Sabe ou não sabe, Vivian?
– Sei!
– Porque o Senhor sempre tem uma testemunha!

PUTA QUE O PARIU!

E dalí pra frente, o discurso foi ficando cada vez mais absurdo.

– Destiny, preto ou não preto… isso é ridículo!
– Eu sei, Sbaile… Eu sei. Essa é a parte divertida.
– Sério? Essa é a parte divertida? Puta merda, Destiny, sua completa vaca…
– Shhh! Eu não posso rir.
– Rir? O que tem aqui pra rir? Não é pra rir, eu tô puta com você!
– PORQUE O SENHOR SEMPRE TEM UMA TESTEMUNHA!

E o discurso acabou assim. Ha! Quem diria, huh?

Dei uma última olhada na tia Rita e falei com ela: “Tia Rita, aonde quer que você esteja, você está melhor que a gente aqui!”

Antes de eu finalmente sair daquela capelinha patrocinadora da Oakley, primo Greg voltou a falar comigo:

– Você acha que o Senhor aprova suas gracinhas?
– Me desculpe, primo Greg. Não sei por que menti pra você. É que eu não tinha sido salva até o dia de hoje. Não é verdade, Destiny?
– É, é verdade.
– Porque o Senhor sempre tem uma testemunha. É ou não é, primo Greg?

Mensagens de voz

15 jan

Por Sta. Sbaile

Se existe uma coisa que me deixa louca, é ouvir mensagens de voz. Não sei o que é exatamente, mas mensagens de voz me irritam profundamente.

Na manhã de ontem, meu telefone tocou às sete da manhã.

“Ha!” – Eu pensei.

Já sabia do que se tratava. Não atendi. Depois me arrependi, porque agora a pessoa ia me deixar uma maldita mensagem de voz, mas aí, já era tarde demais. O “beeeeeep” da mensagem de voz tocou. Agora a voz daquela pessoa estava lá, gravada para todo o sempre até que eu a apagasse. E para apagar, você tem que ouvir a maldita mensagem.

Levantei da cama. Peguei o telefone e li “1 nova mensagem de voz”. “Hmmm” – pensei. Fiquei olhando para aquele telefone por uns dois minutos, me preparando para ouvir a notícia.

“Não preciso ouvir essa merda, posso começar a chorar agora.”. Mas a mensagem estava ali, me encarando.

Fui fazer café.

Tomei café, fumei oito cigarros, andei pela casa sem calças, coloquei calças, saí da casa, lembrei que não tinha nada pra fazer fora da casa, entrei de novo, acendi outro cigarro e peguei o telefone.

Meus olhos se encheram de lágrimas só de ouvir o “Você tem uma nova mensagem”.

Era a voz da minha tia Tânia e ela dizia: Ontem, por volta da meia-noite, a vovó Zeni morreu…

Desliguei o telefone.

A notícia não era inesperada. Minha avó, Zeni Haddad Sbaile, 85 anos, pianista, pintora, cantora lírica, são paulina e fã do Mike Tyson, tinha morrido. Não foi um choque. Ela já não estava bem.

Eu tinha acabado de voltar do Brasil, fui para vê-la e dizer-lhe minhas palavras finais. Tinha escrito uma carta que nunca li pra ela, porque achei triste demais.

A minha avó, de fato, já não estava mais ali. Era só um corpo, se agarrando à vida após dezenas de problemas de saúde.

Eu, honestamente, desejei que ela morresse. Era muito sofrimento para a pobre velhinha.

Na minha despedida, tentei não chorar. Falei “Continua com a fisioterapia. Agüenta firme!”. Ela sorriu com um ar quase sarcástico diante da minha inocência. Eu desabei em choro com a cabeça no colo dela e falei “Vó, eu queria que você vivesse pra sempre!”. Ela apontou para a minha cabeça com a única mão que ainda se movia, falou: “Eu vou.”

A minha avó não era como as outras avós. Ela era uma mulher que viveu a frente do tempo e sofreu nas mãos de uma época retrógrada.

 

Mr. Eddy. Vó Zeni, dez. 2006.

 

Eu constantemente dizia que ela era minha inspiração. Que ela era a pessoa mais legal do mundo. Ela me respondia: “Mas eu queria ter feito alguma coisa para o mundo. Eu queria ter pintado para o mundo, cantado para o mundo… Mas eu não pude, porque era mulher casada e com filhos. Vivi em uma sociedade de donas de casa e maridos provedores que não entendiam os meus desejos”.

Minha avó Zeni morreu com o arrependimento de ter sido esposa e mãe ao invés de artista do mundo.

Ao contrário de todas as outras mulheres da minha família, minha avó me aconselhou a não ter filhos. Também me disse pra não cair nas balelas americanas do consumismo, alegando que a gente não leva nada desse mundo a não ser o espírito. E em tom sério, me pediu para que eu ignorasse o estilo de cinema de Hollywood, porque lá eles fazem filmes sem alma.

Olhei para o telefone de novo e sorri. A minha avó foi uma das pessoas mais brilhantes na história das avós do mundo.

Eu não queria que esse capítulo do “Como sobreviver no primeiro mundo?” fosse emotivo demais ou trágico. Porque, de fato, não é. Estou falando de alguém que morreu aos 85 anos de idade. Viveu bastante e foi amada incondicionalmente, pelo menos por mim. Também estou falando de amor – que fica. Só o amor fica.

E cada vez que eu assistir um filme dos anos 50, ou assistir a um jogo de futebol, ler “O Pequeno Príncipe”, olhar um quadro do Monet ou ouvir “Sonata ao Luar”, eu vou entender o que a minha avó me disse ao apontar para minha cabeça alegando que viveria para sempre.

Na noite de antes de ontem. Dia 10 de novembro de 2009, morreu Zeni Haddad Sbaile, a avó mais legal do mundo, o maior amor da minha vida e inspiração para este e muitos outros capítulos do “Como sobreviver no primeiro mundo?”.

Gols & Goleiros

15 maio

Por Gisèle Miranda


{Para  Caio Graco, Rogério Ceni,´São´ Marcos,

Ronaldo, o fenômeno e à memória de meu ídolo ´Mané Garrincha´}


No dia 14 de maio de 2009 ao ouvir o comentário de Caio, ex jogador de futebol e atual comentarista da Globo sobre a atuação elogiadíssima, sim (!) do goleiro do Fluminense Pedro Henrique durante a partida contra o Corinthians – creio que Caio se equivocou, ou pelo menos discordo de seu ponto de vista ´que o  goleiro não tem que ser o mais importante na partida.  (*)

Tive que ir a fundo na memória de mãe de um garoto, hoje com 23 anos, goleiro na infância. Eu o levava aos treinos e ficava quase sempre assistindo aos jogos que se formavam após os exercícios repetitivos. Aos voltarmos para a casa, todo suado e cheio de pequenos hematomas nas pernas e braços ele ia fazendo os relatos mais emocionantes das jogadas, das defesas e até dos ´frangos´ tomados.

Caio Graco em atividade de goleiro, foto Gisèle Miranda, 2006

Fã do goleiro do São Paulo, Rogério Ceni e, São Paulino, ele ia contra a corrente jogando numa escola de futebol do Corinthians. Quando havia jogos externos, os pais preponderantemente (e não as mães) assumiam os fins de semanas com jogos. Mas eu lá sempre estava, em geral respondendo desaforos de pais que jogavam todas as culpas nos goleiros, e nunca perdoavam um ´frango´ diante de grandes defesas.  Caio Graco detestava os bate-bocas; mas era absolutamente inevitável não defender meu goleirão.

Sou do tempo transcorrido do Zetti, Dida, Rogério Ceni (e sua excepcional formação de goleiro-artilheiro), ´São´Marcos, Julio César, enfim. E, hoje vendo a homenagem prestada ao goleiro do Palmeiras em seu retorno, pensei em arriscar umas palavras não só para me opôr a opinião do jogador e comentarista Caio, mas para ratificar minha opinião que o goleiro não precisa sempre ser destaque, mas que ele pode SIM ser destaque de uma ou muitas partidas.

Muito mais que comentar gosto mesmo é de jogar uma ´pelada´ com um time de natureza extraordinária no Parque do Ibirapuera. E mesmo não sendo uma goleira, e sim marcadora de gols e do ´homem-a-homem´ – devo reforçar que um bom goleiro faz uma brilhante partida. Eu que o diga sobre o paredão que o Alessandro faz! Prefiro ser sempre do time dele!

Entre essa mistura de uma amadora futebolesca, mãe de goleiro, torcedora e jogadora posso dizer que mato no peito com muita dificuldade, perdi o medo de cabecear e quase furei o paredão do Alê no ultimo jogo – nossa! Mas gosto mesmo é de estar ali – perto do gol e inevitavelmente, às vezes fazer uns. Na hora é  um golaço! Alguns tombos, hematomas e até, uma semelhante ruptura do ligamento cruzado – como o Fenômeno – , operados e zero Km para muitas jogadas. Eu também tive o meu retorno, graças ao dr. Clauber Tieppo, ortopedista e triatleta.

E  nesse meu retorno quero parabenizar os goleiraços que sabem verter a atenção além dos grandes jogadores de ataque! E que sabem dominar e definir uma partida de futebol.

 

Sugestão bibliográfica:

AMADO, Jorge. A bola e o goleiro. Rio de Janeiro: Record, 2000.

ARQUIVO de imagens: Futebol. Série Última Hora, n. 2. Arquivo do Estado de S. Paulo, s/d.

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