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Série Releituras Visuais e breves comentários I: O Barroco Laico de VERMEER (1632 -1669) e a Releitura de Antonio Peticov (1946-)

1 maio

por Gisèle Miranda

 

Vermeer pintou pouco, demorava e era minucioso na construção da imagem. Apenas 34 obras foram atestadas com suas. Na obra Arte da Pintura ou A Alegoria da Pintura ou O Pintor no estúdio (c. 1666 a c. 1688) percebe-se a representação mais intelectual ao se falar do espaço. Vermeer traz:

Novos termos da percepção-consciência, em um sentido moderno, até antecipador (por isso sua fama se desfez rapidamente, e só no nosso século (século 20) foi possível perceber a medida de sua importância) – muito mais, certamente, do que os artistas que pintavam uma história clássica ou uma natureza clássica. (Argan, 2004, p. 117)

 

Johannes VERMEER (Deft, Países Baixos,1632 -  Idem, 1669) Arte da Pintura ou A Alegoria da Pintura ou O Pintor no estúdio (c. 1666 a c. 1688). Óleo sobre tela 120 x 100 cm. Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria.

Johannes VERMEER (Deft, Países Baixos,1632 – Idem, 1669) Arte da Pintura ou A Alegoria da Pintura ou O Pintor no estúdio (c. 1666 a c. 1688). Óleo sobre tela 120 x 100 cm. Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria.

O meticuloso Vermeer conseguiu chegar à especulação metafísica através das cenas mais comuns. (In: Argan, 2004, 137) Mas, quem foi Vermeer? Sabe-se pouco sobre sua história.

Por que sua história e suas obras sofreram essa suspensão no tempo? Foi reconhecido em vida e apesar das especulações é certo que tenha casado (esposa de família católica) e tido 11 filhos, mas nenhum retratado pelo pai.

Sobre a obra O Pintor no estúdio diz-ser-ia a maior e a mais intrigante, e até a mais querida obra de Vermeer. Há elementos muito claros nessa pintura: a presença da mulher representando Clio, ou seja, a História segurando um livro e uma corneta para alardear a boa escrita, a obra, o conteúdo ou a representação da Verdade. Um Lustre com a águia de duas cabeças da dinastia dos Hamburgos, da Áustria. As partituras, um mapa com 17 províncias dos Países Baixos e, entre tantos detalhes destacados em releituras, Vermeer em seu autorretrato de costas para o mundo. Todo esse cenário milimetricamente pensado à Luz que entra pela janela.

O artista Vermeer foi redescoberto pelo crítico de arte Teóphile Thoré (1892-1975) ou pelo pseudônimo William Bürger, e ganhou notoriedade intelectual ao ser citado por Marcel Proust (1871-1922) na obra Tempo Perdido; ficou extasiado com a Vista de Delft (1660-1661) de Vermeer: ver ou escrever como Vermeer.

 

A Releitura de Antonio Peticov reverteu o mapa dos Países Baixos a Guernica de Picasso de 1937, quando a cidade espanhola Guernica foi bombardeada, mas tornou-se ícone de luta através da arte e marco Histórico e Artístico contra o fascismo de Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola (1937-1939), e do que vem a ser o fascismo na história. Clio está robótica e exalta Guernica de Picasso como em um livro de História – a professora de História em seu quadro Picasso, assim como ver e escrever como Vermeer.

Se Vermeer se expôs mesmo que de costas, Peticov em respeito ao grande mestre deixou o quadro de tela branca, a mensagem da máxima produção. Discreto, mas presente, porque para ambos, a pintura é o quadro e não o pintor. (In: Argan, 2004, p. 493)

Antonio Peticov (Assis, 1946-) A Arte na Pintura, 2017. Acrílica sobre tela, 150 x 120 cm.

Antonio Peticov (Assis, SP, Brasil 1946-) A Arte na Pintura, 2017. Acrílica sobre tela, 150 x 120 cm. Série Releituras.

No piso, o acolhimento da seção áurea; a luz do holofote que projeta a janela e o espectro já apreendido pela física. Sobre a prateleira, os livros de Peticov, os mesmos que utilizou em sua pintura Meditação de São Jerônimo (2015) ao lado do globo mundo, por terras distantes.

 

(*) Nota: Esse texto foi realizado no Instituto de Arte e Cultura Antonio Peticov https://www.peticov.com.br/

Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Imagem e Persuasão: ensaios sobre o Barroco. Tradução Maurício Santana Dias. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

ARGAN, Giulio Carlo. Clássico Anticlássico: o Renascimento de Brunelleschi a Bruegel. Tradução Lorenzo Mammì. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

GOMBRICH, Ernst H. J. História da Arte. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

Marcel Proust, Em busca do tempo perdido, 1913; Tradução Fernando Py. online.

TIRAPELI, Percival (Org.) ARTE Sacra Colonial: Barroco Memória Viva. São Paulo: Imprensa Oficial de São Paulo; Editora UNESP, 2005.

Sobre Antonio Peticov

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