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Antonio Peticov: alquimia dos mestres!

1 fev

por Gisèle Miranda

 

Eu tenho cada vez menos tempo, embora tenha  cada vez mais coisas para dizer. E o que eu tenho para dizer é, mais e mais, algo que  se move para a frente , junto ao movimento de meu pensar.

Eu sou como um rio que continua a correr…

Pablo PICASSO (Málaga, 1881- Mougins, 1973)

 

 

 

ANTONIO PETICOV nasceu em Assis (SP/ Brasil), em 1946. Filho de imigrante búlgaro que chegou no Brasil na década de 1920, pressionado pela guerra dos Balcãs e da Primeira Guerra Mundial. Por outro lado, absorvido por uma das etapas imigratórias pós escravidão do Brasil, sob pesadas condições e adversidades.

Autodidata, Peticov traçou uma formação artística alicerçada de boas leituras em contrapartida a construção crítica a educação Batista do pilar teológico paterno.

Desde os doze anos idade, Peticov vem exercendo sua inesgotável fonte criativa, e hoje, aos 71 anos extasia a todos com a consolidação de sua obra na História da Arte. Além de exercer diariamente a dimensão da memória em proporcionalidade a imaginação.

A notoriedade plástica construída está aliada a vanguarda tropicalista dos anos de 1960; com interferências do Surrealismo, Pop Art e experimentalismos musicais e processos psicodélicos – de Hendrix a Mutantes, o que fatalmente o levou a prisões e, por sobrevivência, exilou-se na Inglaterra, Itália e Estados Unidos.

Entre o final da década de 1980 e início de 1990, quando retornou ao Brasil, esteve ligado a projetos ambientais e diversos outros trabalhos, entre os quais, o resgate do Modernismo Brasileiro e sua vertente antropofágica, em parte revertido para o acervo artístico do metrô de São Paulo.

 

 

Antonio Peticov tornou-se o mestre das cores, o alquimista da virtualidade aberta, o representante da escada cósmica, o Dédalo labiríntico, o maestro de partituras da fauna e da flora Brasileira. O artista do diálogo com o tempo e releituras de grandes mestres como Rembrandt, Velazquez, Constable, Millet, Picasso, Magritte, entre outros.

 

 

Peticov é o porta voz do pincel, o corpóreo de Fibonacci. A máquina ambulante da ciência ao empírico em comunhão. O pote de riquezas do arco íris é a materialização da obra desse múltiplo, inquietante e fascinante artista.

 

Brava Luta

11 jan

Por Gisèle Miranda

De que se faz um ser tão bruto e tão sensível? Tão simples e tão multiplicador? Tão magistral e tão comum, tão bizarro de carnal: sedutor aos 84 anos!

Gontran Guanaes Netto viveu até 2010 em seu ateliê, que se transformou em Casa da Memória Coletiva em Itapecerica da Serra (SP/Brasil), projetada e construída pelas mãos que pintavam incansavelmente, desenhavam e redesenhavam;  mãos que capinavam.

Sempre puxava um dedo de prosa com todos que passavam pela estrada de terra. A criançada entrava e saía rindo com uma banana, um pedaço de pão. Comia o que tinha. Um quadro vendido aqui e acolá, garantia o pão, o feijão, a banana, muitas pinturas e desenhos.

Gontran Guanaes  Netto (Vera Cruz/SP, 1933-2017) Catedral do povo, 1990, painel 5 (metrô Corinthians-Itaquera/SP)

Gontran nasceu em Vera Cruz (SP), em 1 de Janeiro de 1933; registrado em 17 de fevereiro 1933. De uma família de trabalhadores rurais  e teve pouca escolarização formal.

Pintor de questionamentos humanistas viveu uma juventude que viria a ser clandestina em 1964, no Brasil. Nesse momento assumiu o pseudônimo de André para assinar as ilustrações de publicações de resistência coletiva. Em 1969, exilou-se na França, pois estava ‘sob a ameaça’ de outra prisão; seu pseudônimo André já não lhe garantia a vida.

Nas décadas de 1970 e 1980 trabalhou como um dos doze fundadores do Espaço Cultural Latino Americano em Paris (dezembro de 1980). Fez parte também da Brigada Internacional Antifascistas (1972-1987).

O pintor saído do Brasil com alguns trocados cumpriu aos olhos de uma banca examinadora da Universidade em Nantes, os créditos de sua aptidão ao cargo de professor coordenador do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Arquitetura. Ele, suas mãos grossas e grandes, meio índio, sul americano, latino; aquele brasileiro sem diploma.

Suas pinturas são de brasileiros, de latino americanos, de povos mestiços, de pés descalços, de mãos calejadas, semi-escravidão, escravidão, de fome e de dor. De nenhuma solidariedade, nenhum olhar – a ‘inexistência’ de milhões de pessoas que existem. Sua pintura fez / faz  essa existência. Ele é um pintor comprometido com questões demasiadamente sérias – (in) visíveis e que traz a visibilidade desse mundo.

Em 1984, Gontran Netto voltou para o Brasil e  foi ‘visto pela crítica oficial’ como um pintor ‘demagógico’. Seu retorno tinha como propósito fixar um ateliê em Goiatins (Tocantins), ou seja, estar ligado à terra, e efetivamente, aos boias-frias. O ateliê não conseguiu esse endereço, mas a luta continuou com seu vínculo natural às causas do Movimento dos Sem Terra entre outras causas de resistências coletivas.

Em 1994, expôs pela PAZ pelos 50 anos da Fundação das Nações Unidas e 50 anos de dor por Hiroshima e Nagasaki. Em 1995 participou do Coletivo protesto da chacina da Candelária (RJ), assassinatos de jovens e crianças ocorrido em 1993.

Suas mãos foram movimentos coletivos; firmes e viscerais!

Gontran Guanaes Netto: o Netto, o Velho, o professor e amigo de tantos partiu em 25 de novembro de 2017. Sua obra e sua luta estão inscritas na história da arte e avante com seus amigos, alunos e admiradores.

retirantesgontranguanaesnetto

Gontran Guanaes Netto (Vera Cruz/SP, 1933-2017) Retirantes, 1994.

GONTRAN NETTO vive em seu ateliê, em Itapecerica da Serra (SP), projetado e construído pelas mesmas mãos que pintam incansavelmente; mãos que capinam, desenham e redesenham. Puxa um dedo de prosa com todos que passam pela estrada de terra. A criançada entra e sai, rindo, com uma banana, um pedaço de pão para comer. GONTRAN NETTO come o que tiver. Um quadro vendido, aqui e acolá, garante o pão, o feijão, a banana, e muita pintura e desenhos.

GONTRAN NETTO, nasceu em Santa Cruz (SP), em 1 de Janeiro de 1933; registrado em 17 de fevereiro 1933. De uma família de trabalhadores rurais, GONTRAN NETTO teve pouca escolarização formal.

Pintor de questionamentos humanistas, viveu uma juventude que viria a ser clandestina em 1964, no Brasil. Nesse momento, assumiu o pseudônimo de André para assinar as ilustrações de publicações de resistência coletiva. Em 1969, exílou-se na França – pois estava ‘sob a ameaça’ de outra prisão; seu pseudônimo André já não lhe garantia a vida.

Nas décadas de 1970 e 1980 trabalhou como um dos doze fundadores do Espaço Cultural Latino Americano, em Paris (dezembro de 1980). Fez parte da Brigada Internacional Antifacistas (1972-1987).

GONTRAN NETTO, o pintor saído do Brasil com alguns trocados, cumpriu aos olhos de uma banca examinadora da Universidade em Nantes, os créditos de sua aptidão ao cargo de professor coordenador do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Arquitetura. Ele, suas mãos grossas e grandes, meio índio, sul americano, latino; aquele brasileiro, sem diploma.

Suas pinturas são de brasileiros, de latino americanos, de povos mestiços, de pés descalços, de mãos calejadas, semi-escradão, escravidão, de fome e de dor. De nenhuma solidariedade, nenhum olhar – a ‘inexistência’ de milhões de pessoas que existem. Sua pintura fez / faz ver essa existência.

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