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Copa 2018: Um Brasil Real

6 jul

por Gisèle Miranda e Lia Mirror

 

Um país tão permeado por desigualdades como o Brasil produziu um sem-número de artistas e atletas – acho interessante aproximá-los de origem pobre que encontram um modo de superar as adversidades sociais por meio e maneiras muito diferentes de expressão… .  (Rodrigo Naves. Na criação de Arthur Bispo do Rosário a palavra adquire novas realidades. In O Estado de S. Paulo. 2014.)

 

Sim, espera-se tudo porque somos desiguais. Em tudo! Também o país da corrupção, mundialmente conhecido. A miséria de um pais tão próspero.

Os 7 x 1 da última Copa, as prisões, o Rio de Janeiro falido sendo uma das maravilhas do mundo. Da Copa aos Jogos Olímpicos…. talentos?  Só a sobrevivência. Como não pensar sobre isso? Quantos talentos perdidos, quantas famílias nas ruas?! Estamos em 2018!

Não é o jogador mais caro do mundo que vai mudar o Brasil. Também não devemos crucificar Jesus, afinal ele não é o nosso ´Cristo Redentor´.

Destacamos Cristiano Ronaldo (atual “melhor jogador do mundo”) que bateu uma falta linda e também perdeu um pênalti! Perdeu a Copa? Ficou um gesto maravilhoso com Cavani (ou com Mujica)!!!  Como faltaram gestos!

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Foto divulgação/ 2018

Mas venceu a diversidade, a força e a garra dos refugiados da histórica República Francesa e uma bela discussão sobre o tema que assola o mundo. Precisamos de mais Liberdade, Igualdade e Fraternidade!

“O meu país é a terra” em um mundo tão carente de tudo e tão desigual! Mas “o pulso ainda pulsa… estupidez… hipocrisia… ( e até) Sarampo. O corpo ainda é pouco” (*) para um Brasil com “27 milhões de desempregados, o quinto país do feminicídio” (**) e um crescente aumento do estupro, embora saibamos que o silêncio das vítimas predomina e não contabiliza; o estupro é historicamente uma arma de guerra, ou seja, estamos em guerra!

S´Alah!

 

Neno Ramos, sem palavras, 2018

Neno Ramos, Sem Palavras, 2018.

 

 

(*) “O Pulso” de Marcelo Fromer / Tony Bellotto / Arnaldo Antunes, 1989.

(**) Dados registrados na mídia “séria” brasileira em agosto 2018.

Futebol arte e alienação: ginga ou assepsia?

 

Gols & Goleiros

15 maio

Por Gisèle Miranda


{Para  Caio Graco, Rogério Ceni,´São´ Marcos,

Ronaldo, o fenômeno e à memória de meu ídolo ´Mané Garrincha´}


No dia 14 de maio de 2009 ao ouvir o comentário de Caio, ex jogador de futebol e atual comentarista da Globo sobre a atuação elogiadíssima, sim (!) do goleiro do Fluminense Pedro Henrique durante a partida contra o Corinthians – creio que Caio se equivocou, ou pelo menos discordo de seu ponto de vista ´que o  goleiro não tem que ser o mais importante na partida.  (*)

Tive que ir a fundo na memória de mãe de um garoto, hoje com 23 anos, goleiro na infância. Eu o levava aos treinos e ficava quase sempre assistindo aos jogos que se formavam após os exercícios repetitivos. Aos voltarmos para a casa, todo suado e cheio de pequenos hematomas nas pernas e braços ele ia fazendo os relatos mais emocionantes das jogadas, das defesas e até dos ´frangos´ tomados.

Caio Graco em atividade de goleiro, foto Gisèle Miranda, 2006

Fã do goleiro do São Paulo, Rogério Ceni e, São Paulino, ele ia contra a corrente jogando numa escola de futebol do Corinthians. Quando havia jogos externos, os pais preponderantemente (e não as mães) assumiam os fins de semanas com jogos. Mas eu lá sempre estava, em geral respondendo desaforos de pais que jogavam todas as culpas nos goleiros, e nunca perdoavam um ´frango´ diante de grandes defesas.  Caio Graco detestava os bate-bocas; mas era absolutamente inevitável não defender meu goleirão.

Sou do tempo transcorrido do Zetti, Dida, Rogério Ceni (e sua excepcional formação de goleiro-artilheiro), ´São´Marcos, Julio César, enfim. E, hoje vendo a homenagem prestada ao goleiro do Palmeiras em seu retorno, pensei em arriscar umas palavras não só para me opôr a opinião do jogador e comentarista Caio, mas para ratificar minha opinião que o goleiro não precisa sempre ser destaque, mas que ele pode SIM ser destaque de uma ou muitas partidas.

Muito mais que comentar gosto mesmo é de jogar uma ´pelada´ com um time de natureza extraordinária no Parque do Ibirapuera. E mesmo não sendo uma goleira, e sim marcadora de gols e do ´homem-a-homem´ – devo reforçar que um bom goleiro faz uma brilhante partida. Eu que o diga sobre o paredão que o Alessandro faz! Prefiro ser sempre do time dele!

Entre essa mistura de uma amadora futebolesca, mãe de goleiro, torcedora e jogadora posso dizer que mato no peito com muita dificuldade, perdi o medo de cabecear e quase furei o paredão do Alê no ultimo jogo – nossa! Mas gosto mesmo é de estar ali – perto do gol e inevitavelmente, às vezes fazer uns. Na hora é  um golaço! Alguns tombos, hematomas e até, uma semelhante ruptura do ligamento cruzado – como o Fenômeno – , operados e zero Km para muitas jogadas. Eu também tive o meu retorno, graças ao dr. Clauber Tieppo, ortopedista e triatleta.

E  nesse meu retorno quero parabenizar os goleiraços que sabem verter a atenção além dos grandes jogadores de ataque! E que sabem dominar e definir uma partida de futebol.

 

Sugestão bibliográfica:

AMADO, Jorge. A bola e o goleiro. Rio de Janeiro: Record, 2000.

ARQUIVO de imagens: Futebol. Série Última Hora, n. 2. Arquivo do Estado de S. Paulo, s/d.

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