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Série MANTOS II: Cultura Artística & Histórica – Cinema.

13 maio

por Gisèle Miranda

É importante dizer que não é a quantidade de bilhetes que sustenta esse texto. Mas como a memória exercita seu papel diante da vida. Fiz a costura do Manto II com alguns tantos filmes (bilhetes) guardados, que por sua vez, instigaram outros tantos na memória. Poucos não lembrei de imediato.

Os vinte e um anos costurados pelo conteúdo, línguas, temporalidades, religiosidades, crenças, dores, políticas, vestimentas, odores, guerras, cores, sabores, amores, valores…, assistidos em salas de cinemas, revividos em locais que hoje não existem mais, tal como o Cine Clube Bixiga – que foi o meu refúgio nos fins de semana, durante meus estudos em História e o trabalho com os movimentos sociais da cidade de São Paulo.  No cineclube nasceu minha paixão por Truffaut (Paris, França, 1932- idem, 1984) ou por todos da Nouvelle Vague. Lá também vi Betty Blue 37º 2, de Jean-Jacques Beineix (paris, França, 1946-) com a bela e intempestiva Béatrice Dalle (Brest, França, 1964-), inúmeras vezes.

Todo mês de Outubro esperava pela Mostra Internacional de Cinema. Por isso, dedico o Manto II, a Leon Cakoff (Alepo, Síria, 1948 – São Paulo, SP, 2011) e à Renata de Almeida (São Paulo, SP, 1965-). Nem sempre pude estar nas Mostras, efetivamente por falta de recursos financeiros, mas sempre me esforçava para ir, adquirir os catálogos, ler as sinopses, as críticas e saber dos esforços de Cakoff e Renata, para manter as Mostras, trazer diretores, atores, atrizes para debates, enfim, um grande evento anual imprescindível à nossa cultura e com à nossa participação no juri popular.

Manto II - Cinema, maio 2020.  tecido 2, 5 m x 50 cm. Linha, agulha e bilhetes de cinemas.

Manto II – Cinema, maio 2020. tecido 2, 6 m x 54 cm. Linha, agulha e bilhetes de cinemas.

O sorriso da memória aparece na voz, na presença de Samira Makhmalbaf (Teerão, Irã, 1980-), após assistir A Maçã, no inexistente Cinearte do Conjunto Nacional. De ter votado em Trem da Vida, de Radu Mihăileanu (Bucareste, Romênia, 1958-), filme que venceu o Prêmio do Juri Popular daquele ano. De conhecer a obra do cineasta Amos Gitai (Haifa, Israel, 1950-), de conhecer Kusturica (Saravejo, Bósnia, 1954-) como diretor e ator e, de tantos outros artistas. Também, participar de palestras sobre filmes japoneses com a professora Lúcia Nagib (1956-); curso de cinema com o jornalista e crítico Inácio Araújo (1948-) e, participação especial do inesquecível do cineasta Carlos Reichenbach (1945-2012).

Há uma infinidade de descobertas, de alimentos à alma, da necessidade do existir da Cultura, porque cultura é mais do que as belas artes. É memória, é política, é história, é técnica, é cozinha, é vestuário, é religião etc… Onde é dado o sentido do tempo, do visível, do invisível, do sagrado, do profano, do prazer, do desejo, da beleza e da feiura, da bondade e da maldade, da justiça e da injustiça. (Fenelon, D. (1933-2008). In: O Direito à Memória, 1992, 31)*

Antes da pandemia Covid-19, ir ao cinema só na Cinemateca, gratuitamente, ou, no Cine Lasar Segall, onde o valor é mais acessível. Ou ainda, convidada pela amiga Jozy Lima, como nos dois últimos filmes que vi, Parasita, de Bong Joon-Ho (Daegu, Coreia do Sul, 1969-) e As Invisíveis, de Louis-Julien Petit (Salisburia, Reino Unido, 1986-).

Em Parasita diria que “A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível.” (Foucault, 1990). Em As Invisíveis, com o indicativo de comédia francesa – chorei no cinema, e por muitos dias, porque me vi como parte do filme, um limite tênue entre o básico e o nada; entre a luta e o abandono; entre o desemprego e o desespero, ou, a estranha derrota.

Talvez, mais um motivo para costurar o MANTO, bordar, furar, sangrar, lembrar, criticar e me colocar como Michel Aubry (Saint-Hilaire-du-Harcouet, França, 1959 -) quando costurou “mobílias, instrumentos, tecidos…”  como Mantos históricos e com seus “sintomas políticos e sociais.” **

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Filmes listados:

  1. A Vida é Bela. Grupo Severiano Ribeiro, 22 fevereiro 1999, às 16:20 hs.
  2. Wilde. 25 fevereiro 1999. Alvorada Cinemat. – Sala Cândido Portinari, às 21:45 hs.
  3. Barroco Balcânico. Mostra Internacional de Cinema – sala Auditório, 16 outubro 1999, às 12:15 hs.
  4. Garotas do futuro. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc 17 outubro 1999, às 13:15 hs.
  5. A Humanidade. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 17 outubro 1999, às 15:00 hs.
  6. Simon Magnus. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 17 outubro 1999, às 17:45 hs.
  7. Mero Acaso. Mostra Internacional de Cinema – Cine Arte 1, outubro 1999, às … hs.
  8. Agarrando Sonhos. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 23 outubro 1999, às 12:00 hs.
  9. Um só pecado. Sala…, 5 março 2000, às 21:30 hs.
  10. Uma boa dona de casa. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 17 outubro 1999, às 17:45 hs.
  11. E aí meu irmão cadê você. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 20 outubro 2000, às 16:10 hs.
  12. Cerca de la frontera. Mostra Internacional de Cinema, Cine Unibanco 1, 20 outubro 2000, às 20:25 hs.
  13. Minha vida em suas mãos. Mostra Internacional de Cinema – Unibanco 1, 20 outubro 2000, às 22:15 hs.
  14. Leste-Oeste o amor no ex…. Mostra Internacional de Cinema, Sala vitrine, 21 outubro 2000, às 14:00 hs.
  15. Canções do segundo amor. Mostra Internacional de Cinema, Cine Unibanco 1, 21 outubro 2000, às 16:30 hs.
  16. A deusa de 1967. Mostra Internacional de Cinema – MASP, 21 outubro 2000, às 20:40 hs.
  17. A lenda de Rita. Mostra Internacional de Cinema, Unibanco 1, 22 outubro 2000, às 14:00 hs.
  18. O recrutador. Mostra Internacional de Cinema, Unibanco 1, 22 outubro 2000, às 16:10 hs.
  19. Butterfly. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 22 outubro 2000, às 18:35 hs.
  20. Cabecita rubia. Mostra Internacional de Cinema, MASP, 22 outubro 2000, às 20:50 hs.
  21. Bastardos no paraíso. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 22 outubro 2000, às 22:30 hs.
  22. Porno film. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte, 23 outubro, às 15:50 hs.
  23. Pele de homem, coração de besta. Mostra Internacional de Cinema, Cine Vitrine, 23 outubro 2000, 17: 25 hs.
  24. A origem do homem. Mostra Internacional de Cinema – Cine Arte, 23 outubro 2000, às 21:40 hs.
  25. Antes do anoitecer. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte 1, 23 outubro 2000, às 23:40 hs.
  26. Tesoro mio. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 24 outubro 2000, às 14:00 hs.
  27. Anjos do Universo. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 24 outubro 2000, às 15:35 hs.
  28. Quem tem medo de…. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 24 outubro 2000, às 17:45 hs.
  29. O jogo de Mao. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 24 outubro 2000, às 19:30 hs.
  30. Sem descanso. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 25 outubro 2000, às 14:00 hs.
  31. Uma relação pornográfica. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 25 outubro 2000, às 16:10 hs.
  32. 101 reykjavk. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 25 outubro 2000, às 19:20 hs.
  33. Segunda Piel. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte, 25 outubro 2000, às 21:10 hs.
  34. Luna papa. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 26 outubro 2000, às 15:35 hs.
  35. O quarto das meninas. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 26 outubro 2000, às 17:55 hs.
  36. Virilidade e outros dilemas modernos. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 26 outubro 2000, às 21:40 hs.
  37. Thomas Pinchon – uma jornada. Cinearte, 27 outubro 2001, às 16:10 hs.
  38. Ano novo com neve. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte, 27 outubro 2000, às 17:20 hs.
  39. O rei está vivo. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 27 outubro 2000, às 19:35 hs.
  40. Baise Moi. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 27 outubro 2000, às …. hs.
  41. You really got me. Cine Unibanco, 27 outubro 2001, às 00:00.
  42. O dia em que me tornei mulher. Mostra Internacional de Cinema, Unibanco, 28 outubro 2000, às 17:425 hs.
  43. Fama para todos. Mostra Internacional de Cinema,Cine Arte, 28 outubro 2000, às 19:40 hs.
  44. Signos e desejos. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 28 outubro 2000, às 21:35 hs.
  45. Sábado. Cinearte, 28 outubro 2001, às 00:15 hs.
  46. Vidas. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte, 29 outubro 2000, às 14:00 hs.
  47. Faz de conta que não estou aqui. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 29 outubro 2000, às 17:55 hs.
  48. Vatel. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 29 outubro 2000, às 21:35 hs.
  49. Wojaczek. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 29 outubro 2000, às 23:55 hs.
  50. Gotas de água em pedras escaldantes. Mostra Internacional de Cinema, MASP, 30 outubro 2000, às 20:30 hs.
  51. Como Samira fez o quadro negro. Mostra Internacional de Cinema, Sala UOL, 30 outubro 2000, às 15:20 hs.
  52. Alameda do Sol. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte 1, 30 outubro 2000, às 23:05 hs.
  53. L´Histoire de Adele H. Top Cine, 29 novembro 2000, às 22:00 hs.
  54. Waking life. Sala UOL, 30 outubro 2001, às 14:00.
  55. Moulin Rouge. Cinearte, 29 agosto 2001, às 21:30 hs.
  56. A professora de piano. Cinearte, 25 janeiro 2002, às 14:10 hs.
  57. Samsara. Cine Unibanco, 19 fevereiro 2003, às 21:00 hs.
  58. Frida. Cine Unibanco, 13 abril 2003, às 14:30 hs.
  59. Kamchatka. Cinearte, 02 maio 2003, às 22:00 hs.
  60. Aos olhos de uma mulher. UCL, 19 julho 2003, às 00:30hs.
  61. Festival Anima Mundi. Auditório da Vila Mariana, 23 julho 2003, às 00:30.
  62. A mulher gato. Mostra Internacional infantil… s/d.
  63. SUR – Fernando Solanas. Mostra SESC de Artes Latinidades -ciclo de cinema no Cinesesc, 22 agosto 2003, às 15:00 hs.
  64. Ainda pego essa al….Cine Santa Cruz, 20 setembro 2003, às 14:30 hs.
  65. Balzac e a …. Cine Unibanco, 14 agosto 2004, às 22:00 hs.
  66. Homem Pelicano. Cine Santa Cruz — II Mostra de Cinema Infantil, 28 setembro de 2005, às 19:10 hs.
  67. Noitão (3 filmes) no Bellas Artes, sala Cândido Portinari, 12 agosto 2005, às 23:52 hs.
  68. Crime delicado. Cine Unibanco, 28 janeiro 2006, às 22:00hs.
  69. Melissa P. – 100 escovadas antes de dormir. Mostra Internacional de Cinema – Cinemark santa Cruz 9, 20 outubro 2006, às 21:30 hs.
  70. O Caminho para Guantanamo. Mostra Internacional de Cinema – Cinemark Santa Cruz 9, 21 outubro 2006, às 21:30 hs.
  71. Sonhos com Shanghai. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 22 outubro 2006, às 13:30 hs.
  72. Voltando ao passado. Mostra Internacional de Cinema – Cine Bombril, 23 outubro 2006, às 18:30 hs.
  73. Dias de Glória. Mostra Internacional de Cinema – Reserva Cultural 2, 24 outubro 2006, às 19:30 hs.
  74. Nue Propriete. Mostra Internacional de Cinema – Reserva Cultural 2, 24 outubro 2006, às 21:30 hs.
  75. A Soap. Mostra Internacional de Cinema – Cinemark Santa Cruz 9, 25 outubro 2006, às 21:30 hs.
  76. Arame farpado. Reserva Cultural 2, 26 outubro 2006, às 13:00 hs.
  77. Amu. Reserva Cultural 2, 26 outubro 2006, às 15:20 hs.
  78. Como festejei o fim do mundo. Cinemark Santa Cruz 9, 26 outubro 2006, às 19:00 hs.
  79. Uma verdade inconveniente. Cinemark Santa Cruz 9, 26 outubro 2006, às 21:30 hs.
  80. Oscar Niemeyer – a vida é um sopro. Cine Bombril, 18 maio 2007, às 16:00 hs.
  81. Goyas Ghost. Cine Leblon 1(RJ/RJ), maio 2007, às 16:30 hs.
  82. A Massai branca. Rio Design 3 (RJ/RJ), 22 setembro 2007, às 19:00 hs.
  83. Bem-Vindo São Paulo. Rio Design 3 (RJ/RJ), 22 setembro 2007, às 22:00 hs.
  84. Caos Calmo. Sala 4 (cortesia), outubro 2008, às ..:15 hs.
  85. Baby love. Cine Reserva Cultural, 16 outubro 2008, às 13:10 hs.
  86. Como Albert viu as montanhas se moverem. Mostra Internacional de Cinema – Espaço Unibanco 5, 20 outubro 2008, às 16:00 hs.
  87. Fim da noite. Cine Unibanco, 03 novembro 2011, às 22:00 hs.
  88. Fim de semana em casa. Espaço Itaú de Cinema, 19 outubro 2012, às 16:00 hs.
  89. Elefante Branco. Espaço Itaú, 15 novembro 2012, às 16:00 hs.
  90. O Homem da máfia. Espaço Itaú, 01 dezembro 2012, às 11:00 hs.
  91. Na terra de amor e ódio. Espaço Itaú, 15 dezembro 2012, às 11:00 hs.
  92. A filha do pai. Espaço Itaú, 03 janeiro 2013, às 19:40 hs.
  93. Ha Ha Ha. Cine Sesc, 05 janeiro 2013, às 14:30 hs.
  94. As quatro voltas. Espaço Itaú, 20 janeiro 2013, às 20:00 hs.
  95. Segredos de sangue. Espaço Itaú, 15 junho 2013, às 14:00 hs.
  96. Augustine. Sala 2, 13 julho 2013, às 21:30 hs.
  97. A bela que dorme. Espaço Itaú, 1 julho 2013, às 16:30 hs.
  98. Camille Claudel, 1915. Cine L. Cultura, 14 agosto 2013, às 18:00 hs.
  99. Ferrugem e osso. Sala 1, 16 agosto 2013, às 19:00 hs.
  100. Flores Raras. Cine L. Cultura, 17 agosto 2013, às 17:00 hs.
  101. O verão do Skylab. Cine L. Cultura, 05 setembro 2013, às 14:00 hs.
  102. A Religiosa. Sala 2, 14 setembro 2013, às 19:20 hs.
  103. Uma primavera com a minha mãe. Sala 4, 03 outubro 2013, 15:20 hs.
  104. Os belos dias. Sala 1, 16 outubro 2013, às 15:30
  105. Mar silencioso. Reserva Cultural 1, 18 outubro 2013, às 18:00 hs.
  106. Amar. Reserva Cultural, 18 outubro 2013, às 15:50 hs.
  107. Trem noturno para Lisboa. Cine L. Cultura, 29 novembro 2013, às 19:50 hs.
  108. Pais e filhos. Sala 1, 30 dezembro 2013, às … .
  109. Ninfomaníaca. Espaço Itaú, 08 fevereiro 2014, às 17:00 hs.
  110. O grande hotel Budapeste. Espaço Itaú, 16 agosto 2014, às 16:00 hs.
  111. Amantes eternos. Caixa Belas Artes, 17 agosto 2014, às 14:00 hs.
  112. Viollette. Reserva Cultural, 30 agosto 2014, às 18:40 hs.
  113. Magia ao luar. Espaço Itaú, 31 agosto 2014, às 18:00 hs.
  114. Mommy. Sala 4, 25 dezembro 2014, às 21:25 hs.
  115. Relatos Selvagens. 03 janeiro 2015, às 17:00 hs.
  116. A família Bellier.  janeiro 2015, às … hs.
  117. As Invisíveis. Cine Sala, 24 fevereiro 2020, às 14:30 hs.
  118. Parasita. Cine Santa Cruz 07, 22 fevereiro 2020, às 15:40 hs.

(*) CUNHA, Maria Clementina Pereira (Org.) O Direito à Memória: patrimônio histórico e cidadania/DPH. São Paulo: DPH, 1992.

(**) Catálogo da 30ª Bienal de São Paulo, 2012, p. 228-229.

FOUCAULT, Michel. O pensamento do exterior. Trad. Nurimar Falci. São Paulo: Princípio, 1990.

Ps. Com o tempo farei a inserção dos diretores dos filmes e complementação de dados incompletos.

Série MANTOS I: Cultura Artística & Histórica – Teatro.

3 maio

por Gisèle Miranda

 

A Série MANTOS foi confeccionada à memória coletiva e à história da cultura brasileira ao longo de 1989 até 2019, com espetáculos teatrais, filmes, exposições e shows na cidade de São Paulo.

Os bilhetes culturais e artísticos foram tecidos e conjugados à pesquisa histórica. Embora não estejam todos os bilhetes – os que estão-  remetem aos bilhetes da memória, através dos diretores, atores, autores a um amplo conteúdo ligado à literatura, música, dança, pintura, teatro, cinema, portanto, um conteúdo de uma geração, acessibilidade, valores e investimentos materiais e imateriais.

Os três Mantos da Série, passaram por encontros teóricos e ficcionais com Arthur Bispo do Rosário (Japaratuba, Sergipe, 1909? – Rio de Janeiro/RJ, 1989) na sagração e na fé dessa missão. Com Leonilson (Fortaleza/ Ceará, 1957 – São Paulo/ SP, 1993), nos bordados cruciais à critica. E com Hélio Oiticica (Rio de Janeiro/RJ, 1937 – idem, 1980), quando os Mantos tornam-se Parangolés na  realidade marginal e anti heroica.

O primeiro Manto tem 101 espetáculos costurados, entre peças de teatro, óperas e shows, dedicados à memoria do Culturalista Paschoal Carlos Magno*(Rio de Janeiro/RJ, 1906 – idem, 1980). Paschoal ensinou que todos nós, poetas, temos nossos barcos no ar, na terra e no mar… e que o teatro é educação, que a arte transforma, que cultura é essencial à vida.

 

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O Manto I – começa em 4 de julho de 1989, em uma nítida despedida da cidade do Rio de Janeiro com RIGOLETTO, Ópera de Giuseppe Verdi (Roncole verdi, Itália, 1813- Milão, Itália, 1901), para então adentrar a meados dos anos de 1990, na cidade de São Paulo. Dos 101 espetáculos, 30 estão sem registros de datas, criando vácuos na temporalidade**. São 33 espetáculos infantis que compartilhei com o meu filho, na época com 3 anos, até seus 12 anos de idade.

Ao lembrar do espetáculo Cacilda, homenagem que José Celso Martinez fez a Cacilda Becker, invariavelmente, lembro da potência da atriz Beth Coelho Esperando Godot, de Samuel Beckett; de Giulia Gam numa explosão de gozo. Recordo que, por residir próximo ao Teatro Oficina, e por ter poucos recursos, sempre assistia os ensaios abertos.

Quando costurei Vozes Dissonantes, de Denise Stoklos, imediatamente lembrei de sua Mary Stuart. E chorei por não ter guardado o bilhete do espetáculo Louise Bourgeois, pois foi naquele momento que me apaixonei pela obra de Bourgeois. Denise Stoklos me apresentou a Bourgeois.

Ao tecer OTELO, de William Shakespeare com Norton Nascimento, no Teatro Municipal de São Paulo, veio a tona outro bilhete perdido: Orlando, com Fernanda Torres nua no palco do Teatro Municipal. Na costura da memória, a Fernandinha trouxe a dama Fernanda Montenegro em The Flash and Crash Days, de Gerald Thomas (o que ele fez com as duas foi impressionante). E lembrar de Gerald Thomas, vem Ventriloquist, a trilogia Kafka, Esperando Beckett, todos na memória.

Também não encontrei o bilhete do Quadrante, com Paulo Autran, espetáculo que vi no Teatro Municipal de São Paulo. Nem da Família Addams, com Marisa Orth, no Teatro Renault. Quer dizer, estou encontrando todos na memória! A memória como dizia Umberto Eco, “tem que ser exercitada”. 

Quanto aos shows, vi muito Zizi Possi. Vi Raul Seixas, vi Renato Russo, no Pacaembu. Perdi Astor Piazzola, no Municipal de São Paulo. Vi Novos Baianos.

Mas, os últimos shows que assisti, foram como freelancer, e como sempre, sentindo-me privilegiada com Elza Soares, Maestro Antonio Adolfo, o violinista Turíbio Santos, Marcos Valle, Azymuth, Carlos Lyra – vendendo CD´s, camisetas, vinis.

Olhar para trás e me sentir protegida desse caos pandêmico e desse atentado a humanidade que hoje se encontra personificado por um energúmeno presidencial.

Olhar para trás e ver construções, com conteúdo artístico faz muita diferença e acrescenta à academia, à pesquisa acadêmica, a produção científica, que também me dediquei.

No mais, em meio os alfinetes, agulhas, linhas, tecidos, papéis, os furos, o sangue – há muita luta e sobrevivência crítica e artística, histórica e política!

O segundo Manto será FILMES/Cinema. O terceiro, EXPOSIÇÕES. Até lá!

Abaixo, alguns bilhetes listados.

  1. RIGOLETTO, Ópera de Giuseppe Verdi (Roncole verdi, Itália, 1813- Milão, Itália, 1901). Teatro Municipal do Rio de Janeiro, julho 1989.
  2. Dom Pasquale. Obra de Donizetti (Bérgamo, Itália, 1797 – idem, 1848), Teatro Municipal do Rio de Janeiro, julho de 1989.
  3. Fragmentos de um discurso amoroso. Texto de Roland Barthes. Adaptação Teresa de Almeida. Direção Ulisses Cruz. Música de André Abjamra. Cenografia e figurinos Ninette Van Vuchelen. Com Antonio Fagundes. Teatro Cultura Artística de São Paulo, 1989.
  4. Martha Graham Dance Company. Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Carlton Dance Festival, 1989.
  5. Jornada SESC  de Teatro (SESC dr. Vila Nova), São Paulo/SP. De 8 a 21 de julho de 1996.
  6. O Professor (Teatro) Teatro Municipal de São Paulo, 26 janeiro 1997.
  7. O Feminino na Dança. Com palestras d Helena Katz, Christine Grener, Cássia Navas, e Fabiana Dutra Brito. entro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes.De 30 de abril a 1 de junho de 1997.
  8. A Quarta Estação de Israel Horovitz. Direção Fauzi Arap com Juca de Oliveira e Denise Fraga, no Teatro Cultura Artística – Sala Rubens Sverner, 14 julho 1997.
  9. Otello, de Giuseppe Verdi. Regência Isaac karabtchevsky. Orquestra Municipal, Coral lirico e solistas. Teatro Municipal de São Paulo, 29 agosto 1997.
  10. O Masculino na Dança. Com Workshops com Sandro Boreli, Mário Nascimento, Edison Garcia, Sérgio Rocha. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes. De 3 a 21 de setembro de 1997.
  11. Cavalleria Rusticana I Pagliacci (Orquestra e coro do Teatro Municipal de São Paulo & artistas convidados, 23 setembro 1997.
  12. Antígone, de Sófocles. Direção Carlos Gardin. Teatro Tuca Arena, 26 setembro 1997.
  13. Bananas de pijamas vão ao teatro. Teatro Jardel Filho, 16 novembro 1997.
  14. O Diário de um Louco. De Gogol, adaptação livre de Luiz Conceição. Teatro Villa Lobos, Rio de Janeiro, RJ, novembro 1997.
  15. Uiva e vocifera, de Hamilton Vaz Pereira. Teatro Oficina, 10 abril 1998.
  16. Tio Vânia, de Anton Tchecov. Direção Elcio Nogueira. Teatro Brasileiro de Comédia, 24 abril 1998.
  17. Concerto Wagner – Strauss. Regente Gabor Otvos. Soprano Hildegard Behrens. Teatro Municipal de São Paulo, 4 maio 1998.
  18. Senninha e sua turma no teatro. Direção Renata Soffredini. Com Fernando Lyra Jr. Teatro Bibi Ferreira, 5 maio 1998.
  19. Porca Miséria. Comédia de Jandira Martini e Marcos Caruso. Direção geral Gianni Ratto. Teatro Sérgio Cardos, 5 julho 1998.
  20. Em nome do Pai. Centro Cultural São Paulo, Sala Jardel Filho, 11 julho 1998.
  21. Exercício para Antígona. Centro Cultural São Paulo, Sala Jardel Filho, 15 julho 1998.
  22. O Pequeno príncipe. Teatro Ruth Escobar, sala Mirian Muniz, 9 agosto 1998.
  23. Narrador. Centro Cultural São Paulo, piso 796, 16 agosto 1998.
  24. Doce lembrança. Centro Cultural São Paulo, piso 796, 18 agosto 1998.
  25. Dom Carlo, de Giuseppe Verdi. Direção Musical e Regência de Eduardo Muller. Direção Figurinos e Cenários de Hugo de Ana. Orquestra e coro do Teatro Municipal Solistas e Convidados. Teatro Municipal de São Paulo, 30 agosto 1998.
  26. Salomé, de Richard Strauss. Solistas convidados, Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo, 30 setembro 1998.
  27. Branca de Neve e os sete anões. Ibirapuera, 17 outubro 1998.
  28. Ele é fogo! Texto e Direção Isser Korik. Teatro Ruth Escobar, sala Dina Sfat, 25 outubro 1998.
  29. Romance. Teatro Crowne Plaza, 28 novembro 1998.
  30. Cacilda! Direção José Celso Martinez. Teatro Oficina Uzyna Uzona, novembro 1998.
  31. La Bohème, Ópera em quato Atos de Giacomo Puccini (Luca, Itália, 1958 – Bruxelas, Bélgica, 1924). Teatro Municipal de São Paulo, em 5 dezembro 1998.
  32. A História de Lampião Jr. e Maria Bonitinha. Teatro Paulo Autran, 21 fevereiro 1999.
  33. Palavra Cantada (Show). Paulo Tatit e outros. CD Canções Curiosas. SESC Fábrica Pompéia, 28 fevereiro 1999.
  34. As aventuras de Pinóquio. Teatro Paiol, 07 março 1999.
  35. A Bela e a Fera. Texto e Direção Tatyana Dantas, com Fernanda de Souza e Felipe Folgosi. Teatro Sergio Cardoso, 17 abril 1999.
  36. O violino mágico, de Júlio Fischer. Direção Christina Trevisan. Teatro Sérgio Cardoso, 2 maio 1999.
  37. The Addam´s. Texto de Edmundo de Novaes Gomes. Direção Carlos Gradim. Teatro Ruth Escobar, sala Gil Vicente, 22 maio 1999.
  38. Marcelo, marmelo, martelo. Teatro Jardel Filho, 8 agosto 1999.
  39. Hércules. Ibirapuera, 25 setembro 1999.
  40. O terror dos mares. Adaptação Ronaldo Ciambroni. Direção Cesar Pezzuoli. Teatro Imprensa, 2 outubro 1999.
  41. Fragmentos troianos. Direção Antunes Filho. Teatro SESC Anchieta, 04 março 2000.
  42. AMOR – uma ode ao universo feminino de Clarice Lispector. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes, 18 maio 2000.
  43. Filhos do Brasil. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, maio 2000.
  44. Cartas de Rodex. Centro Cultural São Paulo, espaço cênio Ademar Guerra, maio 2000.
  45. Raul fora da lei. Centro Cultural São Paulo, sala Adoniram Barbosa, maio 2000.
  46. Semana de Dança. Centro Cultural são Paulo, sala Jardel Filho, junho 2000.
  47. Anjo duro, de Luiz Valcazaras. Com Berta Zemel. Teatro Sergio Cardoso, 02 julho 2000.
  48. N X W Série Pocket Opera, de Gerald Thomas. Teatro SEC Ipiranga, 22 julho 2000.
  49. Angela Ro Ro (Show). Tom Brasil, 16 dezembro 2000.
  50. Deborah Colker – MIX – Teatro Sergio Cardoso, 26 setembro 2001.
  51. A Terra Prometida, de Samir Yazbek. Sesc Anchieta, 13 outubro 2001.
  52. Uma aventura mágica com o Monstro Brigueiro. Texto e direção Isser Korik. Teatro Folha, 5 janeiro 2002.
  53. Conferência Pierre Levy. Teatro Vila mariana, 29 agosto 2002.
  54. João e Maria  Ópera em 3 Atos. Baseado na história dos Irmãos Grimm.  Libreto de Adelheid Wette. Música de Engelbert Humperdinck. Tradução de Dante Pignatari e Jamil Maluf. Teatro Municipal de São Paulo, 19 dezembro de 2002, às 18hs.
  55. Funk como Le gusta (Show). Confraria Pompéia/ SESC, 15 fevereiro 2003.
  56. O Chapéu de palha de Florença, de Nino Rota (Milão, Itália, 1911- Roma, itália, 1979). Teatro Municipal de São Paulo, temporada, março 2003.
  57. Bispo. Com João Miguel. Teatro Galpão, 20 abril 2003.
  58. Vozes Dissonantes, com Denise Stoklos. Teatro João Caetano, 6 agosto 2003.
  59. Gothan SP – Fórum Cultural. Cia teatral Ueinzz. Teatro Galpão, 27 junho 2004.
  60. A Entrevista, de Samir Yazbek. Direção Marcelo Lazzaratto. Com Ligia Cotêz e Marcelo Lazzaratto. Teatro Cultura Inglesa de Pinheiros, 5 março 2005.
  61. Semana de Dança. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, 24 maio 2005.
  62. Teatro Carlos Gomes, 04 julho 2007.
  63. Luiz Melodia (Show) Premio Victor Civita – educador nota 10. Sala Cultural São Paulo, 15 outubro 2007.
  64. Nocaute. Teatro Folha, 23 abril 2008.
  65. OTTO. Sesc (ginásio de esportes), 25 novembro 2011.
  66. A Família Addms. Texto Marshall Brickman & Rick Elice. Música e letras de Andrew Lippa. Baseado nos personagens de Charles Addams. Versão brasileira de Claudio Botelho. Com Marisa Orth e Daniel Boaventura. Teatro Abril, março de 2002.
  67. A dama do mar. Texto de Susan Sontag., baseado na peça de Hendrik Ibsen. Direção Bob Wilson. Com Lígia Cortez, Ondina Castilho, Bete Coelho, entre outros. Teatro Sesc Pinheiros, 15 junho 2013.
  68. Do outro lado. Teatro Porto Seguro, 25 outubro 2017.
  69. Elza Soares. Comedoria Pompéia/ SESC, virada cultural, 08 maio 2019.
  70. Comum. Projeto Meta-Arquivo 1964-1985 Grupo Pandora de Teatro (SP) Texto e direção Lucas Vitorino. SESC Belenzinho, 08 setembro 2019, às 18:30.
  71. Olhos Recém-nascidos com Denise Stoklos. Teatro João Caetano SP, março, s/ano
  72. Turandot, de Giacomo Puccini. Teatro Denoy de Oliveira. 25 junho s/ano.
  73. Dyário de um Louko. Centro Cultural São Paulo, centrinho cultura, s/d.
  74. Vô doidim e os velhos batutas. Teatro Denoy de Oliveira, s/d.
  75. RED FANG (Show). Inferno, 08 setembro s/ano.
  76. Cassia Eller (Show) Directv, 3 outubro s/ano.
  77. Chico Buarque. Palace, 18 abril s/ano.
  78. A terra do povo da graça. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  79. OTELO, de William Shakespeare. Adaptação Alexandre Montauri; Direção Janssen Hugo Lage, com Norton Nascimento. Teatro Municipal de São Paulo, 11 novembro s/ano.
  80. No reino das águas claras, de Monteiro Lobato. Adaptação Maisa Montresor. Direção geral Milton Neves; direção musical Cesar Pezzuoli. Teatro Imprensa, s/d.
  81. O senho dos sonhos. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  82. Simão e o boi pintadinho. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes, s/d.
  83. Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues. Direção José Celso Martinez Correa. Teatro Oficina, s/d.
  84. O menino detrás das nuvens. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  85. Moço em estado de sítio. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  86. Rumos musicais: Miguel Briamonte. Instituto Cultural Itaú, Sala Azul, piso Paulista, 5 outubro s/ano.
  87. Contra Igual, de Fernando Pessoa. Centro Cultural São Paulo, s/d.
  88. O Anti Shakespeare. Centro Cultural São Paulo, porão, s/d.
  89. Avoar, de Vladimir Capella. Direção Chiquinho Cabrera e Edu Silva Filho. Teatro Imprensa, s/d.
  90. O mágico de OZ. Adaptação Sônia Fonseca. Direção Léia Marone. Teatro Cultura Tutóia, s/d.
  91. Gatos e Cia. Adaptação Meire Tumura & Maria Duda. Direção Maria Duda. Supervisão geral Attílio Riccó. Teatro Itália, s/d.
  92. As sereias da River Gauche. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  93. Contos, cantos e acalantos. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes, s/d.
  94. Uma Professora muito Maluquinha, de Ziraldo. Direção Renata Soffredini, s/ referência do teatro, s/d.
  95. Casa de brinquedos, musical de Toquinho, Teatro Gazeta, s/d.
  96. Pedro e o lobo. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes, s/d.
  97. Um dia de Pic & Nic. Teatro Ruth Escobar, s/d
  98. PAI, de Cristina Mutarelli. Direção Paulo Autran, com Beth Coelho, Teatro Crowne Plaza, 13 fevereiro s/ano
  99. Strip Tease com Ana Lívia. Instituto Cultural Itaú, sala azul piso Paulista, s/d
  100. Corpo a Corpo. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  101. O feminino na dança. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.

 

 

(*) Série Paschoal Carlos Magno I: O Teatro de Paschoal Carlos Magno – O ofício em suas considerações (*)

(**) No decorrer farei o levantamento de datas dos bilhetes/ espetáculos, sem datas.

 

 

 

 

 

 

O TECER dos 10 Anos do Blog TECITURAS

11 abr

por Gisèle Miranda, Lia Mirror & Laila Lizmann

 

O Blog Tecituras nasceu nas paredes de um quarto, gestado e parido. As palavras foram esculpidas, ora na pena, ora com as unhas. O caos, a dor e a “solidão do porvir de poucos” atentou que a “consciência sobrevive a qualquer circunstância”. As incisivas palavras são do artista Gontran Guanaes Netto* (Vera Cruz, São Paulo, Brasil, 1933 – Cachan, França, 2017), amigo, professor e tutor às avessas. Do Sujeito Histórico, Artista Realista Político, Professor da Memória à História.  Gontran Netto deu-nos a honra de sua colaboração no Tecituras com suas obras e suas reflexões em manuscritos e interferências.

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A homenagem dos 10 anos do Tecituras vem de um conteúdo Histórico, Artístico, Crítico e Político. De conteúdo imaterial, inquietações do pensamento à escrita com o objetivo de compartilhar conhecimentos, experienciar e zelar pelos bens culturais, com colaboradores – com ou sem vínculos acadêmicos e com uma bagagem de textos não perecíveis ao tempo, atualizados, conscienciosos de sua necessidade, por isso, nossa justa homenagem a Gontran Guanaes Netto! Há inúmeros textos sobre sua arte, sua luta, além de tutelar um pequeno espaço tecido há 10 anos.

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O conteúdo artístico faz uma grande diferença. O conteúdo crítico é uma filtro necessário diante da abundância do vazio, da educação cara e fria, frente a educação da exclusão. Dessa homenagem, tecemos reverência a missão ou o ofício dos professores em situações de falta d´água, restrições, endividamento, aluguel atrasado, ajuda de familiares e amigos. Inevitavelmente, ratificar a data de 29 de abril de 2015, o cenário ápice da violência na Educação brasileira, ao Brasil atual, machista a misógino, ignorante que enaltece a intervenção militar quando desconhece a violência histórica, cuspiu na História e na Educação. Após cinco anos dessa violência, e de tantas não sanadas, vem a público, o Ministro da Educação (des) mascarado na mesa de reunião do horror (!), entre os seus pares. (**)

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Nosso Brasil tão diverso, nascido de um histórico de pura violência, dos séculos de escravidão, da exclusão, dos preconceitos, Esses séculos não foram sanados, tão pouco, os 21 anos de violência do Estado Militar Brasileiro, porque não há Consciência Histórica.
As ditaduras devastaram toda a América Latina. Torturaram violentaram, reprimiram, subornaram, difamaram e mataram. Toda essa herança resiste e, que cada vez mais, estratifica nos professores, na moral da violência e da “sub -missão”  material, nos salários, na ausência dos livros, das leituras, do tempo, das escritas, numa “missão impossível”.
Entre a teoria, o discurso frio e confortável da boa escrita (e cara educação) há o extremo da prática, do discurso de luta, nada confortável. Entre as fases antagônicas existem mais falas sujas, oportunas e arrogantes. Sem dúvida, a figura opressora tem cúmplices entre os próprios oprimidos. (1)

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Entre os traumas, há sobreviventes na floresta dos homens e mulheres livros (2), independente da indexação, do conforto, da assepsia, da insensibilidade, do apodrecimento, dos muros, onde os discursos, principalmente econômicos, falam mais alto, não por acidente, mas por natureza. (3)
Os professores que apanharam em 2015, os que mais adoecem a olhos (não) vistos nos representaram no front, e hoje, unidos a população em geral, principalmente com os mais pobres para aplaudir os profissionais da área médica e de serviços essenciais à beira do precipício Humano e Político, na pandemia Covid-19.

Já dizia nosso querido Gontran Guanaes Netto: Antigo combatente, jamais!

Então, Antigas combatentes, Jamais! & Marielle, presente! João Pedro, presente!

 

 

(*) Sobre O Artista GONTRAN GUANAES NETTO

(**) https://www.youtube.com/watch?v=cIWzeiEMpko; https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/05/25/weintraub-diz-que-desabafo-em-reuniao-nao-foi-pensado-e-e-sincero-e-educado.htm

(1)  BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo Vol 2: A Experiência Vivida, Difusão Européia do Livro, 1967. “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.

(2) homens e mulheres livros e livres. t tecituras.wordpress.com/2010/03/11/serie-retecituras-iii-fogo-451-aos-doutores-de-historia/

(3)  DELEUZE, Gilles. Conversações. São Paulo: Ed. 34, 2010, p. 221. 

 

Série Ficcional H. Miller XXIX: A cama divã

26 jan

por Lia Mirror, Laila Lizmann, Lara Kleine Augen & Gisèle Miranda

 

 

(…) As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
(Álvaro de Campos pseudônimo de Fernando Pessoa)

 

 

 

Após a morte de nosso amigo ancião Blake, os livros foram dispersos, as histórias perderam os fios de Ariadne e os monstros que roíam as entranhas dos que LIAM, deixaram de existir.

O salto para o abismo se deu entre a realidade e a ficção; passou por Foucault* e se deleitou no escarnio de Henry Miller. Assim sucedeu a árdua tarefa.

– Ele pegou a caneta, os olhos, o papel, o corpo dela e riu. Riu e os colocou no tempo perdido, díspares. O bicho raivoso da vaidade predatória, desumanizou e fez das suas noites, outras bocas, outros corpos na cama dela.

 

Louise Bourgeois (1911–2010) Sete na cama, 2001.

Louise Bourgeois (NY, EUA,1911– Paris, França, 2010) Sete na cama, 2001.

 

Todos riram! A nobreza plebeia construída nas solitárias leituras rasgou uma carta. Uma, das tantas cartas de amor, porque só os ridículos escrevem cartas de amor. **

Ela rasgou o tempo, cortou as letras, os segredos, as palavras, as mãos, a grafia, o cheiro, a tinta, o gosto e as fotos. Não bastasse, ela devorou o próprio coração, assim como Rimbaud, lentamente.

A memória será esquecida. O olhar não enxergará. O gosto não provará. O toque será um iceberg. Reconstruirá um Frankenstein, só amado por seu criador; ou, uma Alma Mahler inflável e amada por Kokoschka?

Alma Mahler de Oscar Kokoschka, s/d.


A febre foi testemunha, enquanto ela confeccionava seus monstros, ardia e jorrava larvas. No delírio ela foi em busca de um livro, o que desencadeou um pesadelo Shakespeariano. Aos prantos, ela gritou por Shakespeare diversas vezes.

Amanhã será outra dor. Enquanto as pessoas rirem, nós protegeremos a ingenuidade, o sorriso do olhar menina que percorreu os mesmos rios dos algozes e enfrentou a fadada miséria, violência, pedras, precipícios, afogamentos, curras, enforcamentos e surras.

Da pedra bruta brotou uma flor rara. Da brutal fragilidade nasceu um vento forte para as ondas de um mar tempestuoso. Náufraga, salva pelo olhar atento do lobo do mar.

Louise Bourgeois (1911–2010) Cama azul,  1998 gravura 49,5 x 67,3 cm

Em terra firme ela foi jogada no picadeiro com nariz de palhaço. De lá viu o lixo abundante, nada reciclável. Viu a crosta numa casca podre que escorria água suja.


Ah, esse monstro que nos rói as entranhas tem nome, tem história, tem o valioso conteúdo dos livros, dos saberes e até do rejuvenescimento, segundo Thomas Mann. Ah, Henry Miller, Rimbaud, Dostoiévski e tantos outros que venham eternizar nossos sentimentos, nossas falas, nossos sexos, nossas dores, nossas palavras.

“Agora

não navega

nem tampouco vive

erra

se

escrito” (Vogt, Marinheiro Pessoa***)

 

Nota:

(*) Foucault: “A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível.” (Foucault, 1990)

(**) Álvaro de Campos, in “Poemas” Heterônimo de Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal, 1888- Idem, 1935): “Todas as cartas de amor são ridículas” Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). – 84. 1ª publ. in Acção, nº41. Lisboa: 6-3-1937.

 (***) Carlos Vogt. O Itinerário do Carteiro Cartógrafo – Cantografia. São Paulo: Massao Ohno, 1982.

(1) MILLER, Henry. Trópico de Capricórnio. Tradução de Aydano Arruda. São Paulo: IBRASA, 1963.

 

 

Série Movimentos de Vanguarda I: Impressionismo, Neoimpressionismo e Fauvismo.

5 maio

por Gisèle Miranda

O conceito de Arte Moderna a ser apresentado situa-se nos escritos literários de Charles Baudelaire (1867-1921) e no turbilhão artístico ocorrido em final do século 19 até meados do século 20.

Nesse breve período surgiram os Movimentos de Vanguarda. Alguns com manifestos outros sem. Essa Modernidade é amparada historicamente pela Idade Moderna – mas são conceitos distintos.

Essa modernidade é ditada por mudanças de fases e processos de depuração. A perspectiva foi desaparecendo e a Arte Abstrata alçou pilar próprio e conquistou espaço paralelo ao figurativo. A colagem ganhou o ápice do Op antinaturalismo, ou seja, o espaço moderno.

O que o artista moderno procura… Ele procura algo que nós nos permitimos chamar modernidade… o eterno no transitório. (Baudelaire,1995: 694).

O Impressionismo

Alguns pensadores não creditam no Impressionismo como um movimento de experimentação se comparado aos que surgiram posteriormente. O Impressionismo perto do Fauvismo, Expressionismo ou Cubismo tornou-se mais de retaguarda do que de vanguarda. Mas em relação aos movimentos anteriores essa visão de retaguarda enfraquece.

A primeira exposição Impressionista ocorreu em 1874. O grande público e os críticos ficaram chocados com o que viram, pois estavam calcados em uma longa história do figurativo Clássico, Neoclássico e do Realismo.

O Impressionismo abriu o espaço público para a pintura fora dos estúdios, utilizando a luz solar, os primeiros raios do sol, o entardecer, os movimentos das nuvens, o vento no vestido, no cabelo, na embarcação à vela, nas ondas do mar, na fumaça dos trens.

A bandeira do Impressionismo foi levantada por Claude Monet (1840-1926), unanimidade dos teóricos. Só ele capturou o caráter aéreo em turbilhões de fumaça branca e azul.[1] Contudo, entre os jovens artistas o Impressionismo foi bem recebido e incorporado.

Claude Monet (Paris, França, 1840 - Giverny, França, 1926), A Estação Saint-Lazare, 1877.  Óleo sobre tela, 74,9 x 100,3 cm. Museu d’Orsay, Paris.

Claude Monet (Paris, França, 1840 – Giverny, França, 1926), A Estação Saint-Lazare, 1877. Óleo sobre tela, 74,9 x 100,3 cm. Museu d’Orsay, Paris.

Édouard Manet (1832-1883) era bem estabelecido no mercado de arte e vindo de trabalhos ligados ao Realismo. Manet aplaudiu, aderiu, renovou e tornou-se também um Impressionista.

O movimento foi batizado ironicamente por um crítico ao ver a tela Impressões, nascer do sol de Monet. Chamando-a de impressões, de borrõesUm papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha[1].

Claude Monet (Paris, França, 1840 - Giverny, França, 1926), Impressão, nascer do sol, 1872. Óleo sobre tela 48 x 63 cm. Museu Marmottan Monet, Paris.

Claude Monet (Paris, França, 1840 – Giverny, França, 1926), Impressão, nascer do sol, 1872. Óleo sobre tela 48 x 63 cm. Museu Marmottan Monet, Paris.

Nomes como Camille Pissarro (1830-1903), Edgar Degas (1834-1917), Alfred Sisley (1839-1899), Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), Vincent van Gogh (1853-1890), Berthe Morisot (1841-1895), uma das raras mulheres da História da Arte em um mundo totalmente masculino e muito reticente com a presença da mulher como artista. Morisot casou com o irmão de Manet e, aluna dos pintores Realistas Jean-Baptiste Corot (1796-1875) e Jean-François Millet (1814-1975).

Berthe Morisot (Bourges, França, 1841 - Paris, França, 1895), O Berço, 1872. Óleo sobre tela, 56 x 46 cm. Museu d’Orsay, Paris.

Berthe Morisot (Bourges, França, 1841 – Paris, França, 1895), O Berço, 1872. Óleo sobre tela, 56 x 46 cm. Museu d’Orsay, Paris.

O Impressionismo passou por uma divisão quanto à técnica criada pelo pontilhismo ou Neoimpressionismo com Georges Seurat (1859-1891), Maximilien Luce, (1858-1951) Paul Signac (1863-1935), entre outros.

Georges Seurat (Paris, França, 1859- Paris, França, 1891), Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte, 1884 – 1886. Óleo sobre tela 2017,5 x 308,1 cm. Art Institute of Chicago.

Georges Seurat (Paris, França, 1859- Paris, França, 1891), Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte, 1884 – 1886. Óleo sobre tela 2017,5 x 308,1 cm. Art Institute of Chicago.

Henri Matisse (1869-1954) fez nus simplificados com o pontilhismo que o marcou no Neoimpressionismo, assim como sua tridimensionalidade através das fortes manchas.

Henri Matisse (Le Cateau-Cambrésis, França, 1869- Nice, França, 1954), Luxe, Calme et Vulupté, 1904. Óleo sobre tela, 98,5 x 118,5 cm. Museu d’Orsay, Paris.

Henri Matisse (Le Cateau-Cambrésis, França, 1869- Nice, França, 1954), Luxe, Calme et Vulupté, 1904. Óleo sobre tela, 98,5 x 118,5 cm. Museu d’Orsay, Paris.

Matisse era conhecido e respeitado, mesmo assim sofreu com as críticas, principalmente com a forma para representar o corpo feminino e como deixava suas modelos feias em sua fase Fauvista (1904-1907)

O retrato de sua mulher usando um enorme chapéu foi interpretado como sendo de um inexplicável mau gosto, uma caricatura da feminilidade. (Stangos, p. 17)

Matisse (Le Cateau-Cambrésis, França, 1869- Nice, França, 1954), Mulher com Chapéu, 1905. Óleo sobre tela 80,6 x 59,7 cm. Coleção particular.

Henri Matisse (Le Cateau-Cambrésis, França, 1869- Nice, França, 1954), Mulher com Chapéu, 1905. Óleo sobre tela 80,6 x 59,7 cm. Coleção particular.

O irmão da escritora Gertrude Stein (1874-1946) adquiriu o Retrato de Madame Matisse. Leo Stein deixou registrado: Era o mais nojento borrão de tinta que jamais vi. (Stangos, p.17)

(Le Cateau-Cambrésis, França, 1869- Nice, França, 1954) Madame Matisse, 1905. Óleo sobre tela, 40,.5 cm × 32,5 cm. Statens Museum for Kunst

Henri Matisse (Le Cateau-Cambrésis, França, 1869- Nice, França, 1954) Madame Matisse, 1905. Óleo sobre tela, 40,.5 cm × 32,5 cm. Statens Museum for Kunst

Matisse passou pelo Fauvismo, Expressionismo e Cubismo. O Fauvismo foi um movimento de cores puras, exageradas e com o contraste das cores complementares, do qual Maurice de Vlaminck (1876-1958) com seu espírito livre tornou-se um expoente; e oponente, veementemente, do pontilhismo dos Neoimpressionistas.

Maurice de Vlaminck (Paris, França, 1876 – Rueil-la-Gadelière, França, 1958), Hauses at Chateau, c.1905. Óleo sobre tela 81,3 x 101,6 cm. Art Institute of Chicago

Maurice de Vlaminck (Paris, França, 1876 – Rueil-la-Gadelière, França, 1958), Hauses at Chateau, c.1905. Óleo sobre tela 81,3 x 101,6 cm. Art Institute of Chicago

Vlaminck, Matisse e Picasso (1881-1973) tornaram-se grandes colecionadores de esculturas africanas, a principal fonte para a primeira fase Cubista pelas interferências da cultura africana com suas máscaras.

Matisse apadrinhou André Derain (1880-1954) no Fauvismo e no Cubismo, a ponto de interceder junto aos pais de Derain, para o importante ofício e a qualidade da obra do filho artista. Eles se tornaram os Les Fauves, os feras, os selvagens para falar das cores. Outros artistas foram agregando ao grupo, tais como Georges Braque (1882-1963), Raoul Dufy (1877-1953), Georges Rouault (1871-1958), Albert Marquet (1875-1947), Jean Puy (1876-1960), e sempre Picasso por perto, entre outros.

André Derain (Chatou, França, 1880 - Garches, França, 1954), Henri Matisse, 1905. Óleo sobre tela 46 x 34 cm. Tate Modern, London

André Derain (Chatou, França, 1880 – Garches, França, 1954), Henri Matisse, 1905. Óleo sobre tela 46 x 34 cm. Tate Modern, London

Para alguns artistas como Matisse, Derain, Picasso, as passagens de Movimentos, de fato, tornaram-se depurativas. Também Vincent van Gogh e Paul Gauguin (1848-1903) na fase Expressionista, entre outros.

Houve sobreposição de movimentos, não como rupturas, mas como fases, experimentações e, obviamente, a relação dessas vanguardas com o momento histórico. A guerra Franco-Prussiana (1870-1871), ou às duas Guerras Mundiais (1914-1918 e 1939-1945). Essa relação artista/soldado esteve presente na estética dos feridos, dos sobreviventes aos traumas de guerras e mortes.

[1] Exposição Impressionismo: Paris e Modernidade, Obras-Primas do Acervo do Museu d’Orsay de Paris, França. CCBB SP, 2016. Obra roubada em 1985 e recuperada em 1990.

Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Tradução Denise Bottmann & Federico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

BAUDELAIRE, Charles. As Flores do mal. Edição bilíngue. Tradução de Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

FERRREIRA, Glória; COTRIM, Cecilia (Org.) Clemente Greenberg e o debate crítico. (Tradução Maria Luiza X. de A. Borges). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

GOMBRICH, Ernst H. J. História da Arte. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Tradução Bernardo Leitão; Irene Ferreira & Suzana Ferreira Borges. 2ª ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1992. (coleção Repertórios)

SCHAPIRO, Meyer: A Arte Moderna séculos XIX e XX. Tradução Luiz R. M Gonçalves. São Paulo: Edusp, 1996.

SCHAPIRO, Meyer. Impressionismo: percepções e reflexões. Tradução de Ana Luiza Dantas Borges. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.

STANGOS, Nikos (Org.) Conceitos da Arte Moderna. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.

TASSINARI, Alberto. O Espaço Moderno. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

(*) Parte desse texto foi realizado no Instituto de Arte e Cultura Antonio Peticov.

Série Releituras Visuais e Breves Comentários IV: VELÁZQUEZ (1599 – 1660) e a Releitura de Antonio Peticov (1946-)

2 maio

por Gisèle Miranda

 

Diego Rodríguez de Silva VELÁZQUEZ (Sevilha, Espanha, 1599 – Madrid, Espanha, 1660), neto de portugueses, pelo lado paterno; casou com Juana, a filha de seu professor de teoria da arte, Francisco Pacheco.

Velázquez, pintor de câmara do reinado de Felipe IV, e de convívio diário com o principal pintor da corte espanhola, Peter Paul Rubens (1577-1640), considerado o maior pintor da época e um proeminente diplomata, pois como alemão de família Calvinista tornou-se importante na Corte Espanhola Católica. Contraditório aos olhos daquela época, mas compreensivo pelas histórias fascinantes de Rubens e Velázquez.

Velázquez alçou séculos com o seu lado humano e social na pintura, além da pomposidade dos retratos da corte em função de seu cargo. Ele tornou-se ídolo para os Impressionistas – ´le peintre des peintres´ para Manet. (In: Argan, 2004; p. 116)

Há inúmeras releituras acadêmicas sobre essa obra, incluso um ensaio de Michel Foucault (1926-1984) sobre a representação e a perspectiva do espectador em, As Meninas de Velázquez.

As Meninas ou a Família de Felipe IV, de Diego Velázquez (1656) é um raro autorretrato; poucas vezes se retratou, em geral utilizando recursos de espelhos ou por estar de costas. Rembrandt (1606-1669) tem um histórico de autorretratos. Mas Velázquez, não!

Diego Rodríguez de Silva VELÁZQUEZ (Sevilha, Espanha, 1599 - Madrid, Espanha, 1660) As Meninas ou a Corte de Felipe IV, 1656. Óleo sobre tela, 320,5 x 281,5 cm. Museu do Prado, Madri, Espanha.

Diego Rodríguez de Silva VELÁZQUEZ (Sevilha, Espanha, 1599 – Madrid, Espanha, 1660) As Meninas ou a Família de Felipe IV, 1656. Óleo sobre tela, 320,5 x 281,5 cm. Museu do Prado, Madri, Espanha.

Na Releitura, Antonio Peticov preferiu a metáfora que usou com Rembrandt (as cores) e, muita brincadeira na distribuição das personagens. Em As meninas de Antonio, de Peticov, o jogo cênico do pião tanto pode ser o artista ou  a infanta Margarida, que não se conteve e abriu um sorriso do Grafismo.

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Antonio Peticov (Assis, SP, Brasil, 1946-)As Meninas do Antonio, 2017. Acrílica sobre tela  150 x 200 cm. Série Releituras.

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Série Releituras Visuais e Breves Comentários III: O Realismo de COURBET (1819 – 1877) e a Releitura de Antonio Peticov (1946 -)

2 maio

por Gisèle Miranda

 

Jean Désiré Gustav COURBET (Ornans, França, 1819 – La Tour-de-Peilz, Suiça, 1877) veio de uma família rural bem estabelecida. Iniciou o curso de Direito, mas abandonou para estudar desenho de maneira independente até criar o seu próprio Realismo – da construção do discurso e da prática. 

Courbet foi fascinado pelo Barroco Laico de Frans Hals (1580-1666), Rembrandt (1606-1669) e Rubens (1577-1640). E se curvou ao retratista do Barroco Religioso Diego Velázquez (1599-1669).

A pintura de Courbet foi anticlerical e tinha uma técnica de trabalho peculiar a Caravaggio (1571-1610) – o uso da faca na pintura. Também fazia uso do polegar e irritava os críticos da metade do século 19, com a grandeza de sua assinatura, o tamanho e a energia de suas telas, considerados provocações para os críticos conservadores. (Schapiro, 1996, 124-125)

Jean Désiré Gustav COURBET (Ornans, França, 1819 - La Tour-de-Peilz, Suiça, 1877), O Ateliê do Artista,1855. Óleo sobre tela 359  x 598 cm. Museu D’Orsay, Paris.

Jean Désiré Gustav COURBET (Ornans, França, 1819 – La Tour-de-Peilz, Suiça, 1877), O Ateliê do Artista,1855. Óleo sobre tela 359 x 598 cm. Museu D’Orsay, Paris.

O Ateliê de Courbet tem a amplitude e a força do Realismo construído. Um autorretrato compartilhado com inúmeras releituras: ao lado direito com amigos (intelectuais da época) e seus pais. Ao lado esquerdo a miscelânea  de culturas e de quão popular era em seu ofício – no discurso e na prática! Crianças, cachorro e a representação da Verdade (a mulher).

 

Na Releitura de Antonio Peticov, entitulada Pintando com a Verdade Olhando, 2018 há um recorte do ateliê de Courbet. Esse recorte tornou-se o ateliê de Antonio Peticov, bem mais intimista, mas onde os artistas se confundem em tempos distintos.

O filho de Antonio Peticov, Pedro Antonio, retratado criança (hoje adulto) ativa toda a esperança no aprendizado, no exercício diário do tempo vivido. O ateliê também é representada pelo gato “gordo” e pela saudosa akita, a Yuke.

A representação da mulher (Gisele Miranda/amiga teórica) com o artista autorretratado foi um convite  incorporado nas entrelinhas, a partir da História da Arte e de muitas aulas ministradas sobre o Realismo. E da mesma forma, o conhecimento sobre o artista Antonio Peticov, sua biografia e sua obra.  Agraciada por representar essa fusão de temporalidades e de movimentos artísticos – de todo o processo – da fotografia, do desenho à pintura.

Antonio Peticov (Assis, SP, Brasil, 1946 -) Pintando com A Verdade Olhando, 2018. Acrílica sobre tela 140 x 120 cm. Série Releituras.

Antonio Peticov (Assis, SP, Brasil, 1946 -) Pintando com A Verdade Olhando, 2018. Acrílica sobre tela 140 x 120 cm. Série Releituras.

Revivi o ateliê de Courbet e aproveitei a escada cósmica de Peticov para conversar com Charles Baudelaire (1821-1867), Champfleury (1821-1889), Proudhon (1809-1865), Alfred Bruyas (1821-1876), seus pais e mais dois amigos que na pintura estavam à sua direita.

Baudelaire está lendo um livro; avisei a Baudelaire que o representaria intelectualmente, junto a Peticov, o filho, o gato e o cachorro, os esquadros, a escada cósmica, a ampulheta e os livros.

 

 

(*) Nota: Esse texto foi realizado no Instituto de Arte e Cultura Antonio Peticov https://www.peticov.com.br/

(**) Sobre Realismo e Courbet: Movimento Realista, parte I

Série Retorno V: O Realismo de Courbet   (parte desse texto foi reproduzido aqui)

 

Referências:

AMARAL, Aracy. Arte para que? São Paulo: Nobel/ Itaú Cultural, 2003

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Tradução Denise Bottmann & Federico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

ARGAN, Giulio Carlo. Imagem e Persuasão: ensaios sobre o Barroco. Tradução Maurício Santana Dias. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

BURKE, Peter. (Org.) A Escrita da história: novas perspectivas. Tradução Magda Lopes. São Paulo: Editora da Universidade Paulista, 1992.

GOMBRICH, Ernst H. J. História da Arte. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Tradução Bernardo Leitão; Irene Ferreira & Suzana Ferreira Borges. 2 ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1992. (coleção Repertórios)

SCHAPIRO, Meyer: A Arte Moderna séculos XIX e XX. Tradução Luiz R. M Gonçalves. São Paulo: Edusp, 1996.

 

Sobre Antonio Peticov:

Antonio Peticov: alquimia dos mestres!

Série Antonio PETICOV I: Cérebro Meditation # 3

Série Antonio PETICOV II: Cérebro Duck Dreams

Série Antonio PETICOV IV: Cérebro Full Circle

Série Releituras Visuais e Breves Comentários II: O Barroco Laico de REMBRANDT (1606 – 1669) e a Releitura de Antonio Peticov (1946-)

1 maio

por Gisèle Miranda

 

O Barroco laico tem três pilares associados a Frans Hals (1580-1660), a Rembrandt (1606-1669) e a Vermeer (1632-1675).

Rembrandt foi um bom articulador de seu próprio nome, por isso alçou em vida um nome importante, incluso com recursos provenientes de seu casamento. Um dos poucos a assumir o primeiro nome – Rembrandt – e não o sobrenome comumente àquela época que em geral correspondia à cidade ou vilarejo de nascimento. O exemplo mais próximo a esses três artistas, ou seja, a reverência inesgotável ao italiano Caravaggio (1571-1610) – que correspondia ao nome da vila onde nasceu Caravaggio.

Mas como Rembrandt morreu pobre, endividado? Filho de um moleiro calvinista que casou bem e adquiriu notoriedade em seu ofício. Administrar os próprios recursos não foi uma tarefa simples para Rembrandt, se contabilizados gastos com processos: a esposa, a amante, o filho, o sócio, entre outros processos. Os Países Baixos (mercantil e burguês) sempre priorizaram a área do Direito. Não é a toa que Haia tornou-se sede das Conferências de Paz de 1899 e 1907, e continua sede internacional dos Direitos Humanos.

Rembrandt viveu 63 anos –  da juventude a velhice capturou-se através de autorretratos, mas analisando-os, percebe-se, o que menos importava era a vaidade. O autoconhecimento, as rugas ou as expressões através do tempo foram suportes para a estética do Barroco Laico – os melhores Retratos do claro-escuro, os detalhes veementes do gênero Retrato – sobrancelhas, pintas, rugas, a vestimenta e suas rendas ao visível processo de envelhecimento e detalhes capturados magnificamente por Rembrandt.

Na obra O artista em seu estúdio de 1629, Rembrandt estava com 40 anos. Seu ateliê é um autorretrato com sua bela vestimenta à moda holandesa. Mas onde estão os pincéis, as tintas? Onde estão as telas, pinturas?

Rembrandt Harmenszoon Van Rijn (Leida, Países Baixos,1606 - Amsterdã, Países Baixos 1669) O Artista em seu Estúdio, 1629. Óleo sobre madeira 25,1 x 31,9 cm. Museu de Boston, EUA.

Rembrandt Harmenszoon Van Rijn (Leida, Países Baixos,1606 – Amsterdã, Países Baixos 1669) O Artista em seu Estúdio, 1629. Óleo sobre madeira 25,1 x 31,9 cm. Museu de Boston, EUA.

Rembrandt fez esse autorretrato com um visível objeto escatológico, uma mesa e a sensação de vazio. Vinte e três anos depois sua cama foi vendida para ajudar no seu enterro – o autorretrato da vida de um artista na miséria. Mas o tempo deu a ele a admiração dos Românticos e Realistas do século 19.

O mestre Rembrandt viveu há poucas quadras do bairro judeu. Há inúmeros desenhos que registraram essas andanças. Vale ser dito que a Espanha perseguiu os judeus até o início do século 19. Os portugueses mesmo com a União Ibérica (1580-1640) e toda a atrocidade histórica de perseguições à inquisição dos espanhóis – o Brasil não adotou a inquisição; e melhor, acolheu a comunidade judaica que construiu sua primeira Sinagoga no Recife, 1637, durante o domínio do governador do Brasil Holandês, Maurício de Nassau (1604-1679). Em sua comitiva vieram os artistas Albert Eckhout (1610-1666), Georg Marcgraf (1610-1644) e Frans Post (1612-1680), entre outros ofícios.

 

A Releitura que Antonio Peticov fez de Rembrandt é um autorretrato para ambos. O acervo memorial de Peticov, o acúmulo de documentos, fotos, desenhos, pinturas, objetos culturais e o conteúdo imaterial ao longo dos seus 73 anos resultaram na Série Releituras. Na luta e nas oscilações financeiras em um autorretrato da vida. Como manter o Instituto de Arte e Cultura Antonio Peticov?

Antonio Peticov optou pelas cores do espectro em seu autorretrato com o mesmo ambiente que Rembrandt – o atelier – as mesmas dificuldades, o objeto escatológico, o vazio, o silêncio e a necessidade do trabalho diário.

Antonio Peticov (Assis, Brasil, 1945-) O Pintor Holandês, 2017. Acrílica sobre tela, 100 x 120 cm.

Antonio Peticov (Assis, Brasil, 1945-) O Pintor Holandês, 2017. Acrílica sobre tela, 100 x 120 cm. Série Releituras.

Seu autorretrato em cores sobrepostas, irregulares está longe de ser um arco íris. Mas o resultado dessa releitura é um pote de riquezas.

 

 

(*) Nota: Esse texto foi realizado no Instituto de Arte e Cultura Antonio Peticov https://www.peticov.com.br/

Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Imagem e Persuasão: ensaios sobre o Barroco. Tradução Maurício Santana Dias. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

ARGAN, Giulio Carlo. Clássico Anticlássico: o Renascimento de Brunelleschi a Bruegel. Tradução Lorenzo Mammì. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

GOMBRICH, Ernst H. J. História da Arte. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

TIRAPELI, Percival (Org.) ARTE Sacra Colonial: Barroco Memória Viva. São Paulo: Imprensa Oficial de São Paulo; Editora UNESP, 2005.

Sobre Antonio Peticov

Antonio Peticov: alquimia dos mestres!

Série Antonio PETICOV I: Cérebro Meditation # 3

Série Antonio PETICOV II: Cérebro Duck Dreams

Série Antonio PETICOV IV: Cérebro Full Circle

 

Série Releituras Visuais e breves comentários I: O Barroco Laico de VERMEER (1632 -1669) e a Releitura de Antonio Peticov (1946-)

1 maio

por Gisèle Miranda

 

Vermeer pintou pouco, demorava e era minucioso na construção da imagem. Apenas 34 obras foram atestadas com suas. Na obra Arte da Pintura ou A Alegoria da Pintura ou O Pintor no estúdio (c. 1666 a c. 1688) percebe-se a representação mais intelectual ao se falar do espaço. Vermeer traz:

Novos termos da percepção-consciência, em um sentido moderno, até antecipador (por isso sua fama se desfez rapidamente, e só no nosso século (século 20) foi possível perceber a medida de sua importância) – muito mais, certamente, do que os artistas que pintavam uma história clássica ou uma natureza clássica. (Argan, 2004, p. 117)

 

Johannes VERMEER (Deft, Países Baixos,1632 -  Idem, 1669) Arte da Pintura ou A Alegoria da Pintura ou O Pintor no estúdio (c. 1666 a c. 1688). Óleo sobre tela 120 x 100 cm. Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria.

Johannes VERMEER (Deft, Países Baixos,1632 – Idem, 1669) Arte da Pintura ou A Alegoria da Pintura ou O Pintor no estúdio (c. 1666 a c. 1688). Óleo sobre tela 120 x 100 cm. Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria.

O meticuloso Vermeer conseguiu chegar à especulação metafísica através das cenas mais comuns. (In: Argan, 2004, 137) Mas, quem foi Vermeer? Sabe-se pouco sobre sua história.

Por que sua história e suas obras sofreram essa suspensão no tempo? Foi reconhecido em vida e apesar das especulações é certo que tenha casado (esposa de família católica) e tido 11 filhos, mas nenhum retratado pelo pai.

Sobre a obra O Pintor no estúdio diz-ser-ia a maior e a mais intrigante, e até a mais querida obra de Vermeer. Há elementos muito claros nessa pintura: a presença da mulher representando Clio, ou seja, a História segurando um livro e uma corneta para alardear a boa escrita, a obra, o conteúdo ou a representação da Verdade. Um Lustre com a águia de duas cabeças da dinastia dos Hamburgos, da Áustria. As partituras, um mapa com 17 províncias dos Países Baixos e, entre tantos detalhes destacados em releituras, Vermeer em seu autorretrato de costas para o mundo. Todo esse cenário milimetricamente pensado à Luz que entra pela janela.

O artista Vermeer foi redescoberto pelo crítico de arte Teóphile Thoré (1892-1975) ou pelo pseudônimo William Bürger, e ganhou notoriedade intelectual ao ser citado por Marcel Proust (1871-1922) na obra Tempo Perdido; ficou extasiado com a Vista de Delft (1660-1661) de Vermeer: ver ou escrever como Vermeer.

 

A Releitura de Antonio Peticov reverteu o mapa dos Países Baixos a Guernica de Picasso de 1937, quando a cidade espanhola Guernica foi bombardeada, mas tornou-se ícone de luta através da arte e marco Histórico e Artístico contra o fascismo de Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola (1937-1939), e do que vem a ser o fascismo na história. Clio está robótica e exalta Guernica de Picasso como em um livro de História – a professora de História em seu quadro Picasso, assim como ver e escrever como Vermeer.

Se Vermeer se expôs mesmo que de costas, Peticov em respeito ao grande mestre deixou o quadro de tela branca, a mensagem da máxima produção. Discreto, mas presente, porque para ambos, a pintura é o quadro e não o pintor. (In: Argan, 2004, p. 493)

Antonio Peticov (Assis, 1946-) A Arte na Pintura, 2017. Acrílica sobre tela, 150 x 120 cm.

Antonio Peticov (Assis, SP, Brasil 1946-) A Arte na Pintura, 2017. Acrílica sobre tela, 150 x 120 cm. Série Releituras.

No piso, o acolhimento da seção áurea; a luz do holofote que projeta a janela e o espectro já apreendido pela física. Sobre a prateleira, os livros de Peticov, os mesmos que utilizou em sua pintura Meditação de São Jerônimo (2015) ao lado do globo mundo, por terras distantes.

 

(*) Nota: Esse texto foi realizado no Instituto de Arte e Cultura Antonio Peticov https://www.peticov.com.br/

Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Imagem e Persuasão: ensaios sobre o Barroco. Tradução Maurício Santana Dias. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

ARGAN, Giulio Carlo. Clássico Anticlássico: o Renascimento de Brunelleschi a Bruegel. Tradução Lorenzo Mammì. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

GOMBRICH, Ernst H. J. História da Arte. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

Marcel Proust, Em busca do tempo perdido, 1913; Tradução Fernando Py. online.

TIRAPELI, Percival (Org.) ARTE Sacra Colonial: Barroco Memória Viva. São Paulo: Imprensa Oficial de São Paulo; Editora UNESP, 2005.

Sobre Antonio Peticov

Antonio Peticov: alquimia dos mestres!

Série Antonio PETICOV I: Cérebro Meditation # 3

Série Antonio PETICOV II: Cérebro Duck Dreams

Série Antonio PETICOV IV: Cérebro Full Circle

 

 

 

A amizade e a cumplicidade artística e política de Gontran Guanaes Netto e Júlio Le Parc: Luto e Luta.

18 jun

 por Gisèle Miranda

 

Quando o ser humano vem a ser cores, quando a cor vem a ser forma humana, quando o ser humano este ligado à terra… Quando estes frutos são usurpados, quando esta usurpação gera a miséria, quando esta miséria gera revolta… quando suas cores são aquelas da dignidade, quando suas cores são aquelas da luta, quando suas cores são aquelas da esperança. (Gontran Guanaes Netto & Julio Le Parc. Cores da Esperança, s/d)

 

Contextos políticos estão indissociáveis das biografias dos artistas Gontran Guanaes Netto (Vera Cruz, SP, Brasil, 1933- Paris, França, 2017) e Júlio Le Parc (Mendoza, Argentina, 1928-). Conheceram-se em Paris como refugiados políticos vindos de prisões e torturas por lutarem pela Democracia em seus países.

Gontran e Le Parc combateram as ditaduras militares na América Latina, guerras, guerrilhas, conflitos de diversas naturezas e em vários lugares do mundo, alicerçados pela arte. Vivenciaram as mutações das sociedades e se colocam como sujeitos políticos potencializando os discursos sobre arte e, consequentemente, na produção artística como luta e luto; consciência e resistência; memória e história.

Eles amealharam recursos para criações de Museus, através de doações de seus trabalhos, assim como recursos financeiros através da venda de suas obras para resgatar pessoas em risco, seja em luta pela democracia, contra a exploração, violência, miséria.

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Eles são testemunhos viscerais de quase um século de produção artística e política, além de uma nova ética como resultante dos traumas próprios e dos outros numa constante aliança solidária (Seligmann-Silva, 2018).

Gontran Guanaes Netto deixou-nos as cores de sua esperança e a força de sua luta: “antigo combatente, jamais!”

Júlio Le Parc continua a LUTA!

 

 

 

Referências:

SELIGMANN-SILVA, Márcio. Café Filosófico, TV Cultura, 2018. O testemunho como chave ética 

Textos do Blog Tecituras :

Julio LE PARC por Gontran Guanaes Netto

O encontro nas cores/luz: Gontran Guanaes Netto e Julio Le Parc por Gisèle Miranda

Grito do silêncio por Gontran Guanaes Netto

Série Cartas (ensaios) de leitores I: Gontran Netto, o Diógenes da pintura brasileira. por Maria Aparecida Correa Paty

Reminiscências e reflexões por Gontran Guanaes Netto, parte I e II

Série Retecituras V: Gontran Guanaes Netto e seu manifesto pelo Chile por Gisèle Miranda e Gontran Guanaes Netto.

Dados biográficos de Gontran Guanaes Netto por Gisèle Miranda

Provocativas por Gisèle Miranda

Autobiografia de um artista bem-sucedido por Gontran Guanaes Netto

História e Memória sob tortura por Gisèle Miranda e Jozy Lima.

Brava Luta por Gisèle Miranda

As “experiências” de Julio Le Parc por Gisèle Miranda

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