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Série Movimentos de Vanguarda II: Expressionismo e Cubismo

6 maio

por Gisèle Miranda

O Expressionismo nasceu por volta de 1905 com um subjetivismo antinaturalista e obviamente com atritos pelo contexto técnico e temático do Impressionismo. Tanto que na Alemanha, o Impressionismo não floresceu, mas foi terreno fértil do Expressionismo Alemão – nomeado também a partir de um comentário crítico e de uma fusão literária, teatral, da música, da arquitetura nos desenhos e nas pinturas.

O Expressionismo resgatou Paul Gauguin (1848-1903) com seu Expressionismo Primitivo encarnado na Polinésia francesa; Vincent Van Gogh (1853-1890) pelo ardor da cor associado ao seu tormento e Paul Cezánne (1839-1906) com suas máscaras africanas.

O Fauvismo mesmo sem manifesto influenciou sobremaneira o Expressionismo. A iminência da guerra (1914-1918) e as emoções inflamadas tomaram curso nas cores intensas e com texturas. Na Alemanha eclodiram dois grupos importantes com artistas em destaques: A Ponte (Die Brücke, 1905-1913) e o Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter, 1911-1919).

A Ponte foi fundada por Erich Heckel (1883-1970), artista e estudante de arquitetura; parte de sua obra foi destruída na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), assim como de muitos outros artistas.

Erich Heckel (Dobeln, Alemanha, 1883- Radolzell, Alemanha, 1970), Menina deitada (nu no sofá), 1909. Óleo sobre tela 96,5 x 121,2 cm.  The Pinakothek Museum of Modern Art (Pinakothek der Moderne Munich, Alemanha).

Erich Heckel (Dobeln, Alemanha, 1883 – Radolzell, Alemanha, 1970), Menina deitada (nu no sofá), 1909. Óleo sobre tela 96,5 x 121,2 cm. The Pinakothek Museum of Modern Art (Pinakothek der Moderne Munich, Alemanha).

Edvard Munch (1863 -1944) esteve ligado com A Ponte; Munch sofreu com a morte da mãe, irmãs e incompatibilidades com pai. Sua obra Expressionista reflete todo o desassossego familiar, depressão e internações.

Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938) também foi integrante do grupo A Ponte. Em 1906 discursou:

Estão conosco todos aqueles que, diretamente e sem dissimulação, expressam aquilo que os impele ao criar. (Stangos, 1991: 28).

Kirchner foi ferido na guerra e incorporou todos os traumas do pós- guerra que o levou ao suicídio. Na Ponte, também estiveram Emil Nolde (1867-1956), Otto Mueller (1874-1930), Max Pechstein (1881-1955), Karl Schmidt-Rottluff (1884-1976), entre outros.

Ernst Ludwig Kirchner (Aschafemburgo, Alemanha, 1880 - Davos, Suíça, 1938) Autorretrato como soldado, 1915. Óleo sobre tela, 69, x 61 cm. Allen Memorial Art Museum, Oberlin College

Ernst Ludwig Kirchner (Aschafemburgo, Alemanha, 1880 – Davos, Suíça, 1938) Autorretrato como soldado, 1915. Óleo sobre tela, 69, x 61 cm. Allen Memorial Art Museum, Oberlin College

O Cavaleiro Azul teve autoria de Kandinsky, um artista intelectual que integrou o quadro docente da Bauhaus (de 1922 a 1933) e tornou-se um importante teórico. Ele acreditou que a pintura e a música exprimiam a vida interior, que a arte eclode da espiritualidade. Assim nasceu Do Espiritual na Arte, escrito em 1910; publicado em 1912. São outras possibilidades de pensar as cores e, em parte, a sustentação teórica da Arte Abstrata.

Franz Marc (1880-1916) participou do grupo de Kandinsky. Foi a óbito aos 36 anos ferido em combate no final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Também estiveram no Cavaleiro Azul, Paul Klee (1879-1940), Lyonel Feininger (1871-1956), Alfred Kubin (1877-1959), entre outros.

Franz Marc (Munique, Alemanha, 1880- Braque, França, 1916) O Destino dos Animais, 1913. Óleo sobre tela, 1,96 x 2,66 cm. Kuntmuseum, Basileia, Suíça.

Franz Marc (Munique, Alemanha, 1880- Braque, França, 1916) O Destino dos Animais, 1913. Óleo sobre tela, 1,96 x 2,66 cm. Kuntmuseum, Basileia, Suíça.

Oscar Kokoschka (1886-1980) foi um Expressionista mais independente e teve vínculo com o teatro. Em seus trabalhos reforçou a barbárie da vida e o sofrimento amoroso. Vindo do Império Austro-Húngaro, ferido de guerra com uma bala na cabeça e o corpo rasgado por uma baioneta.

Kokoschka viveu uma história de amor com Alma Mahler (1879-1964), uma fantástica mulher de inteligência múltipla que também arrastou os corações do compositor/maestro Gustav Mahler (1860-1911), do arquiteto e criador da Bauhaus Walter Groupius (1883-1969), e do poeta Franz Werfel (1890-1945).

Oskar Kokoschka (Pölchrn, Áustria, 1886 - Montreaux, Suíça,1980), Pietà cartaz assassino, esperança das mulheres, 1909. Litografia. (MOMA)

Oskar Kokoschka (Pölchrn, Áustria, 1886 – Montreaux, Suíça,1980), Pietà assassino, esperança das mulheres, 1909. Litografia. Cartaz para uma peça de teatro. MOMA/ NY, EUA.

Quando Alma Mahler deixou Kokoschka, ele passou a andar com uma boneca inflável chamada Alma Mahler e sem pudores saía às ruas, aos cafés com ela. Kokoschka deixou registrada essa relação em desenhos e pinturas tais como Retrato de Kokoschka e Alma Mahler (1912/13), Noiva do Vento (1913), Amantes (1913).

Oskar Kokoschka (Pölchrn, Áustria, 1886 - Montreaux, Suíça,1980) Retrato de Kokoschka e Alma Mahler, 1912/13. Óleo sobre tela 100 x 90 cm. Essen Museun Folkwang.

Oskar Kokoschka (Pölchrn, Áustria, 1886 – Montreaux, Suíça,1980) Retrato de Kokoschka e Alma Mahler, 1912/13. Óleo sobre tela 100 x 90 cm. Essen Museun Folkwang.

Em meio ao Expressionismo, O Manifesto Futurista (Itália, 1909) e exposições de Cubistas (na França) movimentaram as discussões sobre a arte e política, arquitetura e funcionalidade, pintura e música.

Marc Chagall (1887-1985) se destacou no Expressionismo, no Cubismo e no Surrealismo. Vale lembrar que em 1957, a 4ª Bienal de São Paulo dedicou uma sala especial às obras de Chagall.

Modigliani (1884-1920) com suas personagens longilíneas remeteram às máscaras africanas. O MASP – Museu de Arte Moderna de São Paulo – possui cinco retratos com essas características e realizados entre 1915 e 1919. A vida de Modigliani foi marcada por problemas de saúde, bebidas e drogas. Quando Modigliani faleceu sua esposa desesperada se atirou pela janela, grávida de cinco meses.

Pablo Picasso (1881-1973) vivenciou o Fauvismo, Expressionismo, Cubismo e andou por outros tantos movimentos. Em Les Demoiselles d’Avignon de 1907*, Picasso sem dúvida bebeu da fonte de Matisse (1869-1954) em Luxe (1904) e Joie de Vivre (1906). Matisse fez sua famosa A dança (1910) como uma junção divina entre sua obra e a de Picasso.

Pablo Picasso (Málaga, Espanha 1881- Mougins, França,1973)   Les  Demoiselles d'Avignon, 1907.Óleo sobre tela 243,9 x 233,7 cm. MOMA/NY.

Pablo Picasso (Málaga, Espanha 1881- Mougins, França,1973) Les Demoiselles d’Avignon, 1907. Óleo sobre tela 243,9 x 233,7 cm. MOMA/NY, EUA.

O Cubismo vem da fusão da obra de Cézanne e sua relação com os negros às máscaras africanas pelos rastros de Gauguin e do Fauvismo. A pintura de Cézanne abre elementos à teórica:

Como superar o limite histórico da pintura de Cézanne? Não havia qualquer sentido em acolher os entalhadores negros de máscaras e fetiches no paraíso da arte universal; o necessário era resolver dialeticamente a contradição pela qual soluções opostas por uma ´civilidade extrema´ e por uma ´barbárie extrema´… apenas assim o elemento ´barbárie poderia atuar como elemento de ruptura de um limite histórico como fator revolucionário… Argan, 1992, p. 126

Às vésperas do Cubismo ou no processo de criação estavam Picasso e Georges Braque (1882-1963) como aliados experimentais e teóricos pela arte.

{Picasso e Braque} Resolveram o problema da terceira dimensão por meio de linhas obliquas (já indicativas da profundidade) e curvas (já indicativas do volume) trazendo para o plano o que se apresenta como profundidade ou relevo. In: Argan, 1992, p. 427.

Braque veio do Fauvismo. Trabalhou com Picasso de 1907 a 1914. Segundo Giulio Carlo Argan (p. 430), Braque tinha o rigor do método, pois o Cubismo se definia com a base intelectual instigando uma passagem para a colagem. Em 1915, Georges Braque sobreviveu a um tiro na cabeça durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Georges Braque (Argenteuil, França, 1882- Paris, França, 1963), La Tasse, 1911 Óleo sobre tela 24,1 x 33 cm. Coleção particular.

Georges Braque (Argenteuil, França, 1882- Paris, França, 1963), la Tasse, 1911. Óleo sobre tela 24,1 x 33 cm. Coleção particular.

A aliança de trabalho de Picasso (a força da ruptura) com Braque deu-se de forma tranquila e encontraram caminhos dentro do Cubismo que se integraram: o volume de Picasso e a cor de Braque. Surgem as naturezas-mortas e a ordenação analítica dos objetos conhecidos, para pensar as coisas e o espaço.

Pablo Picasso (Málaga,Espanha 1881-Mougins, França,1973), Natureza morta espanhola, 1912; tela oval de 0,46 x 0,33m. Coleção particular.

Pablo Picasso (Málaga,Espanha 1881-Mougins, França,1973), Natureza morta espanhola, 1912; tela oval de 0,46 x 0,33m. Coleção particular.

Assim, outros grandes Cubistas surgiram nessa atmosfera mental como Marcel Marcel Duchamp (1887-1968), Juan Gris (1887-1927), Fernand Léger (1881-1955), o escultor Henry Laurens (1885-1957).

Com Juan Gris, a profundidade deixou de existir e os objetos encontraram-se no plano. O quadro passa ser o objeto e não a representação. Gris é quem dá a espacialidade da arquitetura de Le Corbusier, segundo Argan.

juan grisJuan Gris (Madri, Espanha, 1887- Boulogne-Billancourt, França, 1927), Fruta em uma toalha de mesa quadriculada, 1917. Óleo sobre madeira 80,6 x 53,9 cm. Solomon R. Guggenheim Museum, New York.

Juan Gris (Madri, Espanha, 1887- Boulogne-Billancourt, França, 1927), Fruta em uma toalha de mesa quadriculada, 1917. Óleo sobre madeira 80,6 x 53,9 cm. Solomon R. Guggenheim Museum, New York.

Houve também o denominado Cubismo Órfico de Robert Delaunay (1885- 1941), batizado assim por Guillerme Apollinaire (1800–1918). O Cubismo Órfico não é analítico nem sintético, indo ao encontro do Futurismo (1909), principalmente quando as cidades projetam-se às alturas, uma destruição com ritmo onde a luz consegue deformar. Mas o tema da velocidade do Futurismo destoa.

torre eiffel

Robert Delaunay (Paris, França,1885 – Montepelier, França, 1941) Torre Eiffel, 1911. Óleo sobre tela 1,98 x 1,36 m. Solomon R. Guggenheim Museum, New York.

Quando Delaunay realizou a Série dos Discos e das Formas Circulares Cósmicas (1912) fixou de súbito em sinais simbólicos, logo foram associadas às discussões de Kandinsky sobre O Espiritual através das cores, revelando algo significativo para a História da Arte europeia: as primeiras pinturas não-figurativas. (Argan, 1992, p. 433).

Apollinaire foi o mestre de cerimônias do Cubismo, pensador e poeta visual, adentrou o Dadaísmo e o Surrealismo como poeta in memoriam. Antes pensou o Cubismo em seus diferentes processos. Assim percebeu em F. Kupka (1871-1957), a importância dos discos de Newton (1912) como de uma pintura abstrata “pura” do Cubismo Órfico com a força vital e mitificadora.

Kupka, F. (Opocno, República Checa, 1871 – Puteaux, França, 1957), Discos de Newton, 1911-12. Óleo sobre tela, 100 x 73 cm.

Kupka, F. (Opocno, República Checa, 1871 – Puteaux, França, 1957), Discos de Newton, 1911-12. Óleo sobre tela, 100 x 73 cm.

Com Fernand Léger, Apollinaire ressaltou o Cubismo dinâmico da vida moderna. Viés esse absorvido por sua aluna Tarsila do Amaral (1886-1973). Francis Picabia (1879–1953) se destacou no Cubismo do dinamismo psíquico. (Stangos, p. 64)

Fernand Léger (Argentan, França,1881-, Gif-sur-Yvette, França, 1955),   La Ville ( Cidade ), óleo sobre tela, 231,1 x 298,4 cm. Museu de Arte da Filadéfia.

Fernand Léger (Argentan, França,1881-, Gif-sur-Yvette, França, 1955), La Ville ( Cidade ), óleo sobre tela, 231,1 x 298,4 cm. Philadelphia Museum of Art, EUA.

Marcel Duchamp passou pelo Cubismo analítico com críticas, pois se ateve ao elemento cinético do Cubismo. Ele rejeitou a pintura de tradição indo pelo caminho do puro ato estético, ou seja, para o Dadaísmo. Duchamp foi um crítico da sociedade moderna, além de um grande intelectual.

Marcel Duchamp (Blainville-Crevon, França, 1887 – Neuilly-sur-Seine, França, 1968). Nu descendo a escada, 1912. Óleo sobre tela 147 x 89,2 cm. Philadelphia Museum of Art, EUA.

Marcel Duchamp (Blainville-Crevon, França, 1887 – Neuilly-sur-Seine, França, 1968). Nu descendo a escada, 1912. Óleo sobre tela 147 x 89,2 cm. Philadelphia Museum of Art, EUA.

(*) Les Demoiselles d’Avignon, título inventado pelo poeta André Salmon (1881-1969), anos mais tarde. Argan, 1992, p.422.

(**) A Fundação em Memória a Oskar Kokoschka foi criada em 1988 pela viúva do artista, Olda Kokoschka. Em 2012 foi anexada ao Museu Jenisch de Vevey – Fundação Oskar Kokoschka. Consulta em 6/5/2019. São 489 pinturas catalogadas.

Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Tradução Denise Bottmann & Federico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

ARGAN, Giulio Carlo. Walter Gropius e a Bauhaus. Tradução Joana Angélica d´Avila Melo. Rio de Janeiro: Jos.

FERRREIRA, Glória; COTRIM, Cecilia (Org.) Clemente Greenberg e o debate crítico. (Tradução Maria Luiza X. de A. Borges). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

GIROUD, Françoise. Alma Mahler ou a arte de ser amada. Tradução Ana Maria Chabloz-Scherer. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1989.

GOMBRICH, Ernst H. J. História da Arte. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Tradução Bernardo Leitão; Irene Ferreira & Suzana Ferreira Borges. 2ª ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1992. (coleção Repertórios)

SCHAPIRO, Meyer: A Arte Moderna séculos XIX e XX. Tradução Luiz R. M Gonçalves. São Paulo: Edusp, 1996.

STANGOS, Nikos (Org.) Conceitos da Arte Moderna. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.

TASSINARI, Alberto. O Espaço Moderno. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

Série Antonio PETICOV I: Cérebro Meditation # 3

28 maio

Por Gisèle Miranda


 

Antonio PETICOV nasceu em Assis (SP), em 1946.  Além da notoriedade plástica foi partícipe da vanguarda tropicalista dos anos de 1960; mesclou o Surrealismo, Pop Art e experimentalismos no Grafismo. E, entre o final da década de 1980 e início de 1990 esteve ligado a projetos ambientais[1].

Na reminiscência de Peticov, o seu lado artístico surgiu aos doze anos de idade, e pode ser conjugado aos doze temas destacados pelo filósofo Martin Gardner no livro Home Faber: o trabalho de Antonio Peticov remonta o jogo de Leis do Universo, ou seja, um jogo no qual as ironias dos paradoxos desmascaram as crenças enganosas e estimulam novas visões com um charme vertiginoso.[2]

 

 

Cérebros por Peticov

O tema cérebro quando presente na área médica soa como busca científica. Mas, e o cérebro para os artistas? Ou, para historiadores?

Seu interesse por cérebros começou por um folheto de um congresso científico.  Peticov contatou um amigo dentista que sugeriu algo mais místico. Mas Peticov bateu o pé, até ter em mãos um livro de anatomia da face.

Daí por diante, os relances pessoais e profissionais surgiram. Desde a imagem de seu irmão que esteve em coma por meses ao interesse de criar artisticamente algo que, em primeira instância, não se faz claro para um leigo.

A série Cérebros surgiu porque chamou a atenção dos mais familiarizados e também instigou os sentidos dos leigos permitindo uma aproximação lúdica.

As alterações anaptoantropológicas registram as transformações ao longo do tempo, desde os recuos maxilares, aumento do encéfalo[3], diminuição da face[4] ao desaparecimento do terceiro molar. Dessa maquinaria, do ponto de vista objetivo e subjetivo, até os orifícios (forames) têm designações vitais (transitam nervos, artérias, veias): sendo possível estimar a idade, detectar o sexo e o crescimento.[5]

O Bregma tem sua historicidade identificada pelos gregos como sinônimo da alma, assim como acreditavam que a alma era absorvida por essa abertura e se fixava vibrante em seu fechamento natural.

 

Antonio Peticov (Assis, SP, 1946-), Meditation #3, 1996

 

Em Meditatin # 3, Peticov mostra a imagem cerebral vista por baixo, sem cerebelo, visualizando o mesencéfalo (local onde existem centros de coordenação motora), os dois nervos olfatórios e os nervos ópticos acolhidos pelo artista como nervos culturais – que agem juntos aos neurônios (são polivalentes), e se aglutinam em vários locais do cérebro.

Nas áreas neuronais, de acordo com a idade, torna-se possível uma plasticidade – capacidade de um neurônio estabelecer novos contatos sinápticos. Por isso é possível viver normalmente (dependendo da área cerebral), sem problemas organizacionais e psicomotores com a perda de 85% dos neurônios.

O arco em forma de coração inverso sustentado pelo corpo humano em meditação torna-se instrumental da redoma cerebral vista por baixo – em sua cavidade. A imagem criada por Peticov se traduz na subjetividade  dos sentidos dessa maquinaria.

A tonalidade azul (em gradações) rege a concentricidade exposta em sua polaridade – na luz, o amarelo e no escuro, o azul se abraçam em estado puro: quanto mais espessas ou escuras.[6]

Há conotações místicas  que mesclam reminiscências ou tendenciosos experimentalismos de Peticov; pensando o tempo não apenas como relógio biológico, mas como Oscar Wilde, em o Retrato de Dorian Gray.

 

 

 


[1] Bosque NaturaNatura Forrest na cidade do Rio de Janeiro e Projeto Natura – Rio Pinheiros na cidade de São Paulo.

[2] GARDNER, M. Homo Faber – the work of Antonio Peticov. São Paulo: Pau Brasil, 1988 (326 p.)

[3] Situado no Neurocrânio e formado por oito ossos planos e irregulares que se constituem de uma grande cavidade donde se aloja o encéfalo.

[4] Viscerocrânio – corresponde a face e nele estão situados órgãos dos sentidos e o início dos sistemas digestório e respiratório.

[5] Pelo Fontículo Bregmático – cérebro visto de cima onde são perceptíveis as suturas (que desaparecem com o tempo). Sagital (seta – a ponta da seta é denominada de Bregma) e Coronal (conhecido por ser o local onde os reis e as rainhas encaixam as coroas).

[6] Segundo Goethe (1749-1832), em Doutrina das Cores (Apresentação, seleção e tradução de Marco Giannotti). São Paulo: Nova Alexandria, 2011.: amarelo, azul e vermelho são cores primárias que produzem cores secundárias. Construção baseada em estudos físicos, químicos e fisiológicos. Anterior a Goethe, o cientista Isaac Newton (1643-1727) em 1666 identificou sete cores do espectro: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta.

Já para o artista plástico e filósofo Kandisnsky (1866-1944) em Do espiritual da Arte (Tradução Eduardo Brandão). São Paulo: Martins Fontes, 1990. Primeira edição, de 1910, acrescido e publicado em 1912, a teoria caminha com a poética donde se observam as cores partindo de necessidades interiores.

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