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A amizade e a cumplicidade artística e política de Gontran Guanaes Netto e Júlio Le Parc: Luto e Luta.

18 jun

 por Gisèle Miranda

 

Quando o ser humano vem a ser cores, quando a cor vem a ser forma humana, quando o ser humano este ligado à terra… Quando estes frutos são usurpados, quando esta usurpação gera a miséria, quando esta miséria gera revolta… quando suas cores são aquelas da dignidade, quando suas cores são aquelas da luta, quando suas cores são aquelas da esperança. (Gontran Guanaes Netto & Julio Le Parc. Cores da Esperança, s/d)

 

Contextos políticos estão indissociáveis das biografias dos artistas Gontran Guanaes Netto (Vera Cruz, SP, Brasil, 1933- Paris, França, 2017) e Júlio Le Parc (Mendoza, Argentina, 1928-). Conheceram-se em Paris como refugiados políticos vindos de prisões e torturas por lutarem pela Democracia em seus países.

Gontran e Le Parc combateram as ditaduras militares na América Latina, guerras, guerrilhas, conflitos de diversas naturezas e em vários lugares do mundo, alicerçados pela arte. Vivenciaram as mutações das sociedades e se colocam como sujeitos políticos potencializando os discursos sobre arte e, consequentemente, na produção artística como luta e luto; consciência e resistência; memória e história.

Eles amealharam recursos para criações de Museus, através de doações de seus trabalhos, assim como recursos financeiros através da venda de suas obras para resgatar pessoas em risco, seja em luta pela democracia, contra a exploração, violência, miséria.

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Eles são testemunhos viscerais de quase um século de produção artística e política, além de uma nova ética como resultante dos traumas próprios e dos outros numa constante aliança solidária (Seligmann-Silva, 2018).

Gontran Guanaes Netto deixou-nos as cores de sua esperança e a força de sua luta: “antigo combatente, jamais!”

Júlio Le Parc continua a LUTA!

 

 

 

Referências:

SELIGMANN-SILVA, Márcio. Café Filosófico, TV Cultura, 2018. O testemunho como chave ética 

Textos do Blog Tecituras :

Julio LE PARC por Gontran Guanaes Netto

O encontro nas cores/luz: Gontran Guanaes Netto e Julio Le Parc por Gisèle Miranda

Grito do silêncio por Gontran Guanaes Netto

Série Cartas (ensaios) de leitores I: Gontran Netto, o Diógenes da pintura brasileira. por Maria Aparecida Correa Paty

Reminiscências e reflexões por Gontran Guanaes Netto, parte I e II

Série Retecituras V: Gontran Guanaes Netto e seu manifesto pelo Chile por Gisèle Miranda e Gontran Guanaes Netto.

Dados biográficos de Gontran Guanaes Netto por Gisèle Miranda

Provocativas por Gisèle Miranda

Autobiografia de um artista bem-sucedido por Gontran Guanaes Netto

História e Memória sob tortura por Gisèle Miranda e Jozy Lima.

Brava Luta por Gisèle Miranda

As “experiências” de Julio Le Parc por Gisèle Miranda

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As “experiências” de Julio LE PARC (Mendoza, 1928-)

2 jun

por Gisèle Miranda

A Arte Cinética tem algumas ciladas quanto a sua proposta, o que é natural se pensarmos que as primeiras experiências foram cunhadas de alguns movimentos de vanguarda, historicamente entrincheirados entre as duas grandes guerras mundiais.

Uma outra questão aureolar é o movimento real da obra e não a representação do movimento; por isso nem toda obra que se mexe é cinética. A exemplo do Futurismo (1909)  que até tem feixes que parecem encaixar como cinético, ou que de alguma maneira confundem no manifesto, mas destoam quando aproximadas. Obviamente o contexto geopolítico do Futurismo foi tenso com o fascismo italiano de Mussolini e do comunismo russo de Stalin ou, – de Marinetti a Maiakóvski.

Ou mesmo, o germe do Manifesto Realístico (1920) dos irmãos Gabo e Pevsner pinçado em suas experiências técnicas valorizadas, mas superadas. Na Arte OP dos anos de 1950, o efeito cinético aparece quando o espectador parado sente que a arte se move. Tecnicamente não é arte cinética.

O efeito escultura da luz de László Moholy-Nagy (teórica em parceria com Alfred Kemeny, em 1922) fecundou a arte cinética da qual Le Parc compraz, mas com o efeito de 38 anos de diferença até a criação do GRAV – Groupe de Recherche d´Art Visuel, 1960, dos quais foram partícipes Garcia-Rossi, Morellet, Sobrino, Stein Yvaral e Le Parc.

As experiências foram observadas à luz de temporalidades e apreensões técnicas justapostas. Da importância do ar através dos móbiles de Alexander Calder nos anos de 1950, e em meio a fabricação de brinquedos onde ele resgatou e ampliou a discussão com aspecto lúdico, da fonte de energia natural e com as cores de Mondrian e Miró.

Nesse acúmulo de experiências e metamorfoses foram criadas as intervenções vibratórias, a energia (seja natural ou não), do pictórico ao escultural de Soto, Cruz-Diez, Liliane Lijn, Martha Boto, entre outros, até  Le Parc com sua premissa da Luz – seus efeitos às parcerias desconhecidas e o coletivo. Ou seja, previa-se inicialmente a parceria ativa “por forças que se desenvolvem por iniciativa própria” (In: Stangos, 153) até a abdicação do ego em prol da parceria.

São vieses que obviamente compõem leituras e questões associativas para só então criar o conceito do GRAV, que primou pela interferência e, dentro da esfera de Le Parc conjuga a Experiência (1) do artista que cede espaço para a criação em fluxos intensos e singulares que compõem a experiência de algo esperado – a imagem  que surge com o movimento ou o movimento  que cria uma forma no espaço com as variantes inesperadas sob efeito da Luz.

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Nota:

(1) É de conhecimento público que o artista Julio Le Parc prefere designar seus trabalhos de Experiências (ou Alquimias) e não Obras.

(*) Nas fotos as alunas do curso de Artes Visuais da Universidade Estadual de Maringá / Bienal de Curitiba 2015/2016. Museu Oscar Niemeyer.

(**) Um pouco mais sobre Le Parc: tornou-se cidadão de dupla nacionalidade franco-argentina em função de suas atividades políticas; desterrou-se para sobreviver a ditadura militar da Argentina. Em 1964 recusou-se a participar da Bienal de Artes de São Paulo em protesto ao golpe militar no Brasil.  Em 1966 foi premiado na Bienal de Veneza. Junto com Gontran Netto fez parte da Brigada Internacional Antifascistas (1972-1987); Criou a série “Sala Escura da Tortura”, em conjunto com Gontran Netto, Alejandro Marco e Jose Gamarra, partindo de depoimentos de torturados da América Latina em final da década de 1970.

 

Referências:

ARGAN, G. C. (1909-1992) Arte Moderna. Trad. Denise Bottmann e Federico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

GULLAR, F. Relâmpagos – dizer o ver. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

STANGOS, N. (Org.) Conceitos da Arte Moderna. Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1991.

Teleconferência dos artistas Julio Le Parc e Gontran Guanaes Netto, março de 2016 Paris/ Maringá – Universidade Estadual de Maringá/NEAD, sob coordenação de Gisèle Miranda e participação de alunos do 4º ano de Artes Visuais.

Site do artista Julio Le Parc

Bienal Internacional de Curitiba  3/10/2015 a 14/02/2016 no Museu Oscar Niemeyer – Le Parc foi o artista homenageado Bienal, Luz do Mundo, curadoria geral de Teixeira Coelho.

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