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30 anos da obra de Antonio Peticov “Momento Antropofágico com Oswald de Andrade”

30 nov

por Gisèle Miranda

        Tupy or not Tupy

(Oswald de Andrade, Revista Antropofágica, São Paulo, 1928).

&

A  operação metafísica que se liga ao rito antropofágico é a da transformação do tabu em totem… cabe ao homem totemizar o tabu (Augusto de Campos, São Paulo, 1975)

Os 30 anos da obra de Antonio Peticov  – Momento Antropofágico com Oswald de Andrade (SP, 1890 – SP, 1954), na estação do metrô Praça da República, na cidade de São Paulo – vem ratificar a importância do nosso Oswald, sua geração e o:

auto fé de um dos martins-pescadores da nossa crítica literária que tentava reduzir mecanicamente às matrizes do canibal Dada-futurista a antropofagia brasileira… conotação importante derivada do conceito de “antropofagia” Oswaldiano é a idéia da “devoração cultural” das técnicas e informações dos países superdesenvolvidos, para reelaborá-las com autonomia… (da mesma forma que o antropófago devora o inimigo para adquirir suas qualidades).[1]

Oswald teve educação privilegiada, recursos para viagens ao exterior e formação em Direito pela USP (1912); assumiu, desde cedo, um discurso vanguardista de conteúdo crítico literário. A cultura estrangeira foi o alimento ingerido, ritualizado em seu Tupy or not Tupy, gestado e parido no Manifesto Antropofágico de 1928.

A década de 1920 foi frutífera para Oswald, como autor de romances, livro de poemas, o Manifesto Pau Brasil (1925) até chegar ao Antropofágico (1928). Os anos 1930, mais um romance e peças de teatro com o destaque para o Rei da Vela (1937). Nos anos de 1940, mais romances e ensaios. Ele viveu até 1954, com dedicação exclusiva à Cultura Brasileira. Pouco antes de seu falecimento, mais um  texto para o teatro e suas memórias – O Homem sem profissão (1954). Fora, os textos em jornais e publicações póstumas.

Por toda a contribuição de Oswald de Andrade à nossa cultura, a justíssima homenagem de Antonio Peticov com O Mural/ instalação Anamórfico, 1990[3] – uma Comilança geral, do qual Peticov colocou-se como prato principal.

Antonio Peticov (Assis, 1946-), Momento Antropofágico com Oswald de Andrade, 1990. 16,40 m comprimento; 3,10 m de altura e 65 cm de profundidade. O Back-Light do teto tem 3,50 m x 7 m; o cilindro de aço do retrato de Oswald 191,59 cm x 30 cm diâmetro. O Pau-Brasil sobre o qual o cilindro está apoiado tem 1,20 m com diâmetro aproximado de 25 cm. Estação do metrô Praça da República, São Paulo.

Oswald de Andrade por Antonio Peticov

Em um conjunto de formas, além da Imagem de Oswald de Andrade como Totem anamórfico,  Antonio Peticov inseriu seu repertório artístico ao contexto histórico do homenageado e o próprio contexto gestacional à instalação da obra no metrô. Diversos momentos da trajetória de Oswald foram resgatados por Peticov, para compor um conteúdo necessário.

Do coletivo das almas perdidas (1918), Peticov resgatou um desenho de Ferrignac[4]. De Tarsila do Amaral, Peticov resgatou seu Abapuru (1928) e o incorporou nos azulejos.

Resgatou Oswald e Pagu na constância visual do “café Paraventi” associado ao casal Moderno, no jornal O Homem do Povo[5] – periódico criado e mantido por ambos na militância política. Militância incomum a uma mulher naquela época, inúmeras vezes presa (em uma das vezes, por cinco anos) e libertária no consciente papel da vanguarda – seja como jornalista, animadora cultural com firme trabalho no Teatro amador de Santos, que lhe valeu a homenagem de Paschoal Carlos Magno.[6]


[1] Augusto de Campos, São Paulo, 1975, p. 6 e 7. In: Catálago Antonio Peticov, 1990.

[2] Ver: https://tecituras.wordpress.com/2020/11/26/oswald-de-andrade-o-perfeito-cozinheiro-das-almas-deste-mundo1/ Em 1926, Oswald de Andrade casou com Tarsila do Amaral; em 1930, com Patrícia Galvão (Pagu); 1936 com Julieta Bárbara; 1944 com Maria Antonieta.

[3] Anamorfose nas artes visuais “(do grego anamorphosis) Deformação de uma imagem formada por um sistema óptico cuja ampliação logitudinal é diferente da amapliação transversal.” In: Catálogo Antonio Peticov – Momento antropofágico, 1990. P. 4.

Link do Vídeo dos 30 anos do mural anamórfico com Oswald de Andrade, 28 de novembro de 2020. https://www.instagram.com/tv/CIMM477nNII/?utm_source=ig_web_copy_link

[4] Inácio da Costa Ferreira, o Ferrignac (Rio Claro, 1892-São Paulo, 1958); formado em Direito, caricaturista, escritor, desenhista e partícipe da Semana de 22.

[5] Referência: O Homem do Povo, 1932. Patrícia Rehder Galvão, a Pagu.

[6]  Série Paschoal Carlos Magno XI: Aldeia Culturalista – Memorial do Arcozelo

Oswald de Andrade: “O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo”[1]

26 nov

por Gisèle Miranda & Lia Mirror

Resgate histórico e artístico

Para dialogar historicamente essa fase de Oswald de Andrade, se faz necessário resgatar a base institucional e artística adaptada aos trópicos, ou seja, a importância do Neoclassicismo Francês no Brasil, perfilado por um Barroco endógeno e um percurso academicista cutucado pelo nacionalismo internacional da Primeira Guerra Mundial e os Movimentos da vanguarda europeia. Sabemos que todo essa história culminou na Semana de Arte de 1922, e a arte nacional estrangeiro acompanhou de perto o processo de industrialização em São Paulo.

Quando finda o Neoclássico na França, começa uma nova adaptação do Neoclássico no Brasil, com a chegada da Missão Artística Francesa, em 1816. Logo, o Realismo assumiu uma importante função social até a entrada dos Movimentos de Vanguarda, quando os valores estéticos, técnicas, aspirações são discutidos através de inúmeras possibilidades .

Em cem anos, a nova lingua entranhou aos costumes da colônia à República. A base da arte no Brasil derivou de um discurso monárquico que se desdobrou em um academicismo subserviente para os artistas nascidos aqui.  

No mais, o Barroco no Brasil não terminou no século 19, com a vinda dos Neoclassicistas franceses, porque, segundo Eugenio D’Ors (In: Machado, 2003), o Barroco criou uma amálgama conceitual chamada EON (potência re-criadora), hoje encontradas nas igrejas neobarrocas.

O processo histórico, cultural e artístico brasileiro de 1922, equiparou, não facilmente,  as discussões sobre a Arte Moderna na Europa. Sabemos, muito claramente, a importância do Expressionismo de Anita Malfatti (vindo de seus estudos na Alemanha e EUA), que lhe valeu a histórica crítica negativa de Monteiro Lobato, mas também, a histórica defesa de sua arte por Oswald de Andrade, entre outros. Sabemos da importância do Cubismo em Tarsila do Amaral (e seus estudos na França), do Surrealismo em Ismael Nery, enfim, tivemos representantes dos movimentos da vanguarda europeia, além de teóricos de nossas próprias manifestações com Oswald de Andrade e Mario de Andrade, antropofagicamente e de reconhecimento de nossa cultura.

Mas, e o Dadá no Brasil? As premissas do Dadá não foram fáceis de serem assimiladas, seja pelo discurso antiarte ou antiguerra. O Brasil esteve neutro em quase todo o período da guerra. E a elite cafeeira em processo de urbanização e industrialização, mas, a politica e a economia dependentes de países em guerra. Com características particulares, essa elite, em 1914 – apenas 26 anos da abolição da escravidão no Brasil, aceitou o abandono dessa população, a limpeza social, e o fluxo imigratório (branco) como mão de obra substituta.

Nossa segunda lingua era o francês e a nossa elite de ascendência estrangeira. Os filhos bem educados, poliglotas estavam sempre antenados aos acontecimentos na França e, posteriormente, nos EUA.

Do ponto de vista artístico, o intelectual e escritor Oswald de Andrade, já em artigo de 1912, reclamaria características nacionais para a arte do país, reivindicando uma forma de expressão que não fosse a arte acadêmica consagrada na Europa. (AMARAL, 2004, p. 22)

Antes de ser um teórico da Semana de Arte de 1922,  de criar o Manifesto Antropofágico, Oswald foi o Cozinheiro das Almas, em um reduto masculino, alimentado pela liberta DadaCyclope. A fonte de DadaOswald, não foi a Tarsila, nem a Pagú, foi a CYCLOPE.

La femme Cyclope, uma história de amor coletiva

Alguns dos intelectuais da cidade de São Paulo foram acolhidos por Oswald de Andrade em 1918, registrado em um diário de encontros do cozinheiro com as almas perdidas.  O anfitrião e seus convidados, em português ou em francês, debatiam ou escreviam, filosofavam, faziam críticas, desenhavam, colavam, nem sempre com sentido, pois experienciavam possibilidades, brincavam com seus codinomes, bebiam e comiam. O contexto artístico-literário desse exato momento tinha a “verve parnaso-a-cadêmica …nossa leviana e retardada belle èpoque.[2]

O reduto intelectual masculino amalgado pour la femme Cyclope quebrou protocolos, discursos da época e a quebra de seus pares frente à uma mulher, que ia e voltava sem nada dizer ou dever. Não só, de inteligência impetuosa e poética.

Cyclope, um dos apelidos ou pseudônimos, tal como todos os reunidos. Mas o que se passou entre 1917, 1918 e 1919 – foi um curto período que transformou a todos e, dolorosamente findou com a morte da jovem poeta.

Oswald de Andrade e Maria de Lourdes, Ou, Miramar e Cyclope, c. 1917.

Eles vinham comparando-a com Dulcinéa, o amor de dom Quixote. Ela respondia na escrita – Primeira receita: Nos casos de amor á Dulcinéa prefira-se a Dulce núa. Inúmeros textos com derivações à Cyclope, ela respondia: A Cyclope é o grande vício desta vida.[3] Até o último instante ela não parava de cutucar e expressar.

Começo a prever que também já tenho meu coração de moça, e de menina, estrangulado por um sentir devotado e malígno, mordido pela volupia da vida incognita que me offerecem.[4]

Evidentemente, todos esses atributos mexeram com seus admiradores, mas no covil, ela era la femme de Oswald de Andrade. Fora do grupo, ela amava quem queria. Oswald sabia, e a respeitava. Ela era o riso inteligente de uma boa conversa; era a volúpia diante dos valores morais da época, principalmente para as mulheres. Desde cedo uma poeta de lingua afiada. Viveu pouco, partiu como muitas mulheres (até hoje), decorrente de um aborto clandestino. Sua poesia sumiu, perdeu-se no reduto masculino. Ela era “um embrião caótico”, “musa polifônica”, “musa palimpséstica” em ‘guerra’ com o universo masculino… ela era a novidade da estrutura aleatória e da forma ready-made para o Pré Modernista de 1922.[5]

Todos a amavam, mesmo, os inicialmente reticentes. Outros explicitamente desejavam-na, com total ciência de Oswald. Ela era o manifesto Dada em pessoa, em um núcleo intelectual, elitista e, em parte, conservador. Todos a respeitavam porque ela os enfrentava. Cyclope bailava entre eles; essa era a beleza que transbordava.

Por fim, a nota de falecimento de Cyclope e a referência do intempestuoso casamento com Oswald em seus últimos dias. Ela só tinha dezenove anos. Todos os manuscritos dela se perderam – Oswald em um determinado momento da vida assumiu a culpa da perda desses manuscritos, pois estavam com ele. Quanto a culpa pela morte anunciada, ao sabê-la moribunda colocou-se responsável, casando com ela.

Dona Maria de Lourdes Castro de Andrade – falleceu, hontem, nesta capital, a exma. Sra. Maria de Lourdes…., ha dias casada como nosso distincto collega de imprensa e ex comoanheiro de redação, bacharelando Oswald de Andrade.  (…) A Dayse o teu pobre Oswald… (Agosto, 25, 1919. Colagem de recorte de jornal na última página do Diário Coletivo)

Nota de falecimento de Cyclope, 25 de Agosto de 1919. Colada na última página s/n do Diário Coletivo.

Referências:

AMARAL, A. A. Artes Plásticas na Semana de 22. São Paulo: Editora 34. 1998, segunda Reimpressão, 2004.

ANDRADE, Oswald de. O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo. Diário coletivo da garçonière de Oswald de Andrade. São Paulo, 1918.Edição fac-similar. Textos de Mário da Silva Brito & Haroldo de Campos. Transcrição tipográfica de Jorge Schwartz. Editora Ex Libris, 2015. (A Garconière era o codinome do apartamento).

MACHADO, Lourival. Barroco Mineiro. São Paulo: Perspectiva, 2003.

MICELI, S. Nacional Estrangeiro: História Social e Cultural do Modernismo Artístico em São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

WALKER, José Roberto. Neve na manhã de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.


[1] O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo: Diário coletivo da garçonière de Oswald de Andrade. Coletivo da garçonière de Oswald de Andrade. São Paulo, 1918. As citações mantêm a grafia original da época, assim como nesse texto.

[2] Réquiem para Miss Cyclope, musa dialógica da pré-História textual Oswaldiana, p XVI. IN: Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo, 1918. Outros nomes de Cyclope: Daisi (Dayse), Dasinha, Miss Terremoto, Tufãonzinho. Oswald era Miramar; Os adeptos se reuniram na rua Líbero Badaró, região central de São Paulo. Entre os  participantes estavam: Menotti del Picchia, Ricardo Gonçalves, Fer­rignac, Monteiro Lobato e Guilherme de Almeida.

[3] Idem, página 9.

[4] Idem, p. 18.

[5] Idem, p. XVI a XXII. Segundo Oswald, a decisão do aborto foi de Cyclope. Porque não queria ter e não sabia quem era o pai. Ele a apoiou e esteve a seu lado até o fim.

“Mineirinho” ou “Fernando”

11 nov

por Gisele Miranda

A consciência existe, mas há momentos em que ela não pode ser maior que a sensibilidade. A sensibilidade gera uma inteligência rara. A sensibilidade de Clarice Lispector no conto “Mineirinho”, talvez possa ser importante nessa alusão. Retiradas as diferenças biográficas, deixo o Mineirinho como referência à saga da contravenção dos Andrade, o jogo do bicho, os jogos eletrônicos, o poder, os “filhos do carnaval”, os inimigos e os tiros de muitas mortes até chegar em Fernando.

Não conheci o Mineirinho nem “esse” Fernando, mas reconheço esse corpo estendido no chão que um dia foi um jovem bi campeão carioca de judô; um corpo cravado de balas.

“…Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro…, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula… digo em espanto o nome de Deus e chamo meu irmão… O tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro…. Se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porque adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime. Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem…” Clarice Lispector, Mineirinho, 1969.

Por que escrevo?

“Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz… (…) Vós me obrigais a um esforço tremendo de escrever… Eu não aplico o proibido mas eu o liberto.” Clarice Lispector (*)

Serei acusada de ‘defender um bandido’ assim como foi Clarice Lispector? Com a sensibilidade da Clarice irei até onde ela foi.

Referência:

(*) https://www.wattpad.com/110148767-um-sopro-de-vida-por-clarice-lispector-cap%C3%ADtulo

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/11/11/testemunhas-dizem-que-a-mulher-de-fernando-iggnacio-tambem-estava-no-helicoptero-mas-conseguiu-fugir.ghtml

Série Movimentos de Vanguarda IV – DADÁ/DADAÍSMO, parte II

5 nov

por Gisèle Miranda & Lia Mirror

Hoje, a antiarte é praticamente um nome agressivo para a arte moderna. Para Duchamp, porém, ela aparecia como a fratura possível (e necessária) entre o gesto criador e o objeto artístico. (Rodrigo Naves. Duchamp: cínico, cético, trágico. In: O vento e o moinho, 2007, p. 441.)

&

“Só um detalhe diante de todo esse massacre, que ainda visualizo… uma mulher, deitada de costas, no chão, atada ao eixo de um carro pelo pescoço e ombros, para não poder virar a cabeça. Ela não havia sido queimada nem degolada viva. Mas sua exxpressão estava convulsionada. Claramente ela havia morrido de pavor. Diante dela, havia uma grande estaca fincada no chão. E um bebê nu, amarrado nela. Totalmente queimado, os olhos arregalados. Ao lado, uma grelha com cinzas de carvão” ( In: Malmkrog, 2020[1])

A participação de Marcel Duchamp (Blainville-Crevon, França, 1887- Neuilly-Sur-Seine, França, 1968) no DADÁ e sua renúncia voluntária à uma arte rica em material sensível, foi de uma coerência histórica, ética, cínica e cética [2]em meio a tragédia da Primeira Guerra Mundial e das guerras concomitantes.

Duchamp estudou o Impressionismo, flutuou entre o Fauvismo e o Cubismo, e não se interessou pela teoria do Futurismo, mas se encontrou com a antiarte Dadá. No Surrealismo chegou a ser considerado por Breton, o homem mais inteligente do século XX.[3]

E o século XX, abarcou as duas grandes guerras mundiais como males necessários que através dos tempos, estende-se como uma calamidade tolerada. A guerra é a grande pátria, honorável pela coragem de seus soldados e sagrada em nossa história – dos deuses aos santos e sob as imposições politicas e religiosas.

Sem dúvida, Duchamp fugia da guerra e de todo o discurso de tolerância. Ele saiu da França e foi para os EUA, em 1914. Quando o patriotismo norteamericano foi à guerra, em 1918, Duchamp embarcou para a Argentina, um país neutro. Lá ficou sabendo da morte de seu irmão Pierre Maurice Raymond Duchamp Villon (Danville, França, 1876- Cannes, França, 1918), artista, soldado e médico que morreu de febre tifóide, no final da guerra.

Marcel Duchamp (1887-1968). Foto Man Ray, 1916.

Também tomou conhecimento da morte de escritor e pugilista Arthur Cravan (Lausanne, Suíça, 1887-México, 1918), Dadaísta controverso, de tom e gestos agressivos[4], contudo um Dadá convicto, que ao fugir da guerra, como desertor, foi para o México com a poeta Mina Loy (Londres, Reino Unido, 1882- Aspen, Colorado, EUA, 1966), e se casam. O dinheiro da passagem dela para os EUA, no final da guerra, foi conseguido com uma luta de boxe, do qual Cravan entrou bêbado no ringue, e obviamente foi nocauteado por um pugilista profissional. Após o Dadá-boxe, Cravan embarcou em um barco, sozinho, com a promessa de encontrar sua amada Mina Loy nos EUA, mas desapareceu no Golfo do México, para onde levou sua maior obra Dadá, mas antes, não resistiu ao casamento, tal como Duchamp, Breton, Arthur Cravel…, lembrando que sempre foram anticasamentos, único ponto suportável entre os dadaístas apaixonados.

A bandeira de Duchamp se desdobrou em não gerar filhos para a guerra, pois a guerra tornou-se outra grande guerra. As duas Grandes Guerras Mundiais foram marcas históricas da geração desses artistas. Por isso, nenhum teórico foi mais coerente (embora tenha casado duas vezes[5]); Duchamp se defendeu o quanto pode da família, ou da sociedade que, segundo ele: força você a abandonar suas ideias reais para trocá-las por coisas aceitas por ela…[6] .

O ver, puramente retiniano, tornou-se empilhamentos de corpos, fugas e barbáries. Tudo com muito cheiro de carne humana. A fase dadaísta de Duchamp, foi intensa no aprimoramento Conceitual na Arte, paralelo à morte da pintura, com o odor nauseabundo do contexto histórico, do qual teorizou e criou uma vanguarda sobre a vanguarda dadaísta. Levando consigo a irmã-artista (enfermeira na guerra), Suzanne Duchamp (Blainville-Crevon, França,1889-Neuilly-sur-Seine, França, 1963), a quarta, dos seis irmãos Duchamp. O irmão mais velho Gaston Duchamp (Damville, França, 1875- Puteaux, França, 1963), também artista, ficou conhecido pelo peseudônimo  Jacques Villon; na guerra ele foi um soldado-cartógrafo.

Suzanne manteve estreitos laços com seu irmão Marcel. Assinou o Manifesto Dadá, em uma contraposição ao fascismo Futurista de Marinetti.  Ela se tornou uma importante pintora dadaísta, a partir do conhecimento minucioso sobre os ready-mades e a necessidade do Conceito na arte-não arte de Marcel Duchamp; não importava o tamanho do conceito, mas o menor que fosse, como disse Marcel Duchamp, em uma das tantas vezes: – o que não gosto é do completamente não-conceitual, que é puramente retiniano, isso me irrita. No entanto, não era comum e nem tampouco utilizável na época. [7]

Suzanne casou em 1919, com o pintor suíço Jean Crotti (Bulle, Suíça, 1878- Paris, França, 1958) amigo de Marcel Duchamp. Crotti também assinou o Manifesto Dadá. No entanto, Suzanne Villon Crotti, mesmo com sua boa arte, alcançou pouco, como as demais mulheres de sua época. Ela era a irmã dos Duchamp e a esposa de Crotti. Suzanne, sem dúvida alguma, merece a referência histórica corrigida e destacada. Suzanne foi uma grande artista dadaísta.

Francis Picabia (Paris, França, 1879- Idem, 1953) foi o motor do Dadá suíço na França, nos EUA e na Espanha. Ele por sorte não foi deserdado pelo pai por seu temperamento, como era comum naquela época. Casado desde 1909 com a escritora e crítica de arte dadaísta Gabrièle Buffet (Fontainebleau, França, 1881- Paris, França, 1985), o casal vivia de regalias financeiras, que foram suportes para viagens, investimentos artísticos, ajuda aos amigos e tipografias de duas revistas criadas para o Dadá. Picabia foi um Dadá rico e com uma arte rica em teoria, e grande amigo do poeta Apollinaire (homenagem In Memorian no Dadá) e amigo dos irmãos Duchamp, com estreitos laços com Marcel Duchamp – que sempre afirmou ter sido Picabia o articulador, a voz artística do Dadá em várias linguas. Picabia foi um dos poucos a não abraçar o Surrealismo, em 1924.[8]

O tripé Marcel Duchamp, Picabia e Man Ray (Filadélfia, Pensilvânia, 1890- Paris, França, 1976) criou um Dadá Conceitual. Pois que os três se encontraram inúmeras vezes para longas interlocuções, além das correspondências.

Man Ray foi o pseudônimo de Emanuel Radnitzky, que fotografou Impressionistas, Expressionistas, Fauvistas, Cubistas, Dadaístas, Surrealistas… . O Dadá o instigou a criar, interferir, além de registrar. Man Ray enriqueceu e ampliou o conceito da fotografia. E com Duchamp foi para o Surrealismo.


[1] Texto retirado do filme: MALMKROG. Direção Cristi Puiu. Co-produção Romênia, Sérvia, Suíça, Bósnia-herzegovina, Macedônia do Norte, 2020. Cor. 200 min. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Baseado no texto do filósofo Russo Vladimir Soloviov. No filme, a personagem lê uma carta de seu marido, um general cossaco, em que relata o massacre de uma aldeia Armênia pelo Turcomanos, durante a Primeira Guerra Mundial. A intenção aqui, é mostrar os conflitos concomitantes à Primeira Guerra, período tratado nesse texto. Até hoje, a Turquia não assumiu as mortes de 1,5 milhão de pessoas no histórico Massacre Armênio, que começou em 1914 e se estendeu até depois da Primeira Guerra Mundial.  A carta dizia que os soldados Turcomanos deixaram uma cozinha: assaram mulheres e crianças vivas; além do estupro, seios arrancados, barrigas abertas.

[2] NAVES, Rodrigo. O Vento e o Moinho: ensaios sobre arte moderna e contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.  p. 437-438.

[3] CABANNE, Pierre. Marcel Duchamp: engenheiro do tempo perdido. São Paulo: Perspectiva, 2001, p. 24.

(*) Independente do desinteresse de Duchamp pela teoria do Futurismo, algumas obras foram consideradas como do Futurismo. Seus irmão Jacques Villon e Raymond Villon também têm obras do período da efervescência do Futurismo. O mesmo ocoorreu com Max Ernst, Picabia, Picasso… . In: Futurismo & Futurismi: a cura di Pontus Hulten. Milão: Gruppo Editoriale Fabbri Bompiani, 1986, p. 280-281; 282.; 287.

[4] Segundo Duchamp: Cravan insultou muitas pessoas, entre elas, Sonia Delaulay e Marie Laurencin, no Salão dos Independentes, em 1914. Criando inimizades.  In: Cabane, p. 89.

[5] Casou duas vezes. O primeiro casamento com Lydie Sarazin Levassor, de 1927 a 1928 – foram 6 meses de casamento até o divórcio concensual, com as testemunhas vitais de Picabia e Man Ray. O segundo casamento com Alexina Duchamp, de 1954 a 1968; Alexina, no casamento anterior, foi nora de Henry Matisse.

[6] Cabanne, p. 131. Resposta de Duchamp sobre a pergunta de Cabanne: Você se defendia sobretudo da família.

[7] Cabanne, p. 133-134.

[8] Picabia se indispôs com André Breton, mas Breton chegou a divulgar uma obra de Picabia em uma revista Surrealista. Mas ele tomou outro rumo e se encontrou, anos depois, na pintura abstrata.

Outras Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Tradução Denise Bottmann & Federico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

BAITELO JUNIOR, Norval. DADÁ-BERLIM DES/MONTAGEM. São Paulo: ANNABLUME, 1993.

BONA, Dominique. GALA. Tradução de Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Record, 1996.

BORRÀS, Maria Lluïsa. PICABIA. New York: Rizzoli, 1985.

MAN RAY Fhotographe. Introduction Jean-Hubert Martin. Paris: Philippe Sears, 1981.

SCHAPIRO, Meyer: A Arte Moderna séculos XIX e XX. Tradução Luiz R. M Gonçalves. São Paulo: Edusp, 1996.

STANGOS, Nikos (Org.) Conceitos da Arte Moderna. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.

Série Movimentos de Vanguarda IV – DADÁ/DADAÍSMO, parte I

30 set

por Gisele Miranda & Lia Mirror

Dadá prevê seu fim e se ri disto. A morte é um assunto perfeitamente dadaísta à medida em que ela não significa nem o mais insignificante. Dadá tem o direito de se suprimir e fará uso disto quando for chegada a hora.  (Huelsenbeck. In: Baitelo Junior, p. 28)

DADÁ É O CAOS, POIS A GUERRA É O CAOS. O Dadá surgiu durante a Primeira Guerra Mundial, em 1916.  O Dadá é a dessacralização, a desestabilização, o contraditório e o infantil – dadá – são as primeiras palavras de uma criança com o mundo caótico e complexo. Dadá diz tudo e nada e tornou-se o mais confuso dos Manifestos experimentais da Vanguarda Modernista. Contudo, denso em seu processo pela guerra e no pós guerra.

O Dadá teve reinterpretações em todos os lugares por onde passou. Era o próprio contexto internacional da Primeira Guerra Mundial, articulado com artistas de outros movimentos. A linguagem visual Dadá é nonsense – nada de sintaxe, ou seja, o oposto da poética Futurista, o que não impediu seus adeptos no Dadaísmo. As colagens Cubistas e Futuristas não condizem com as colagens do Dadá. O Dadá acolheu a Metafisica e a expurgou para o Surrealismo, em 1924, acrescido de utopia e onirismo. Também recebeu Puristas e Expressionistas da Bauhaus.

Em meio as polêmicas, antifamília, anticlássico, parte dos jovens artistas são deserdados, expulsos do núcleo familiar, ou mesmo, os próprios artistas rompendo casamentos, abandonando filhos, eventos que resultaram em brigas, quebra quebra proposital e decorrente, ou seja, fora do controle, com prisões e processos. Esses mesmos jovens que foram ao front, mataram, foram feridos, morreram ou retornaram com os traumas inevitáveis do pós guerra.

Ora satíricos, ora aberrativos. Em todo esse processo experimental, nomes como Franz Jung, George Grosz, Max Ernst, Huelsenbeck, Hausmann, Francis Picabia, André Breton, Paul Éluard, René Crevel, Marcel Duchamp, Kandisnsky, Picasso, De Chirico, Hannah Höch, Marcel Janco, Phillipe Soupault, Louis Aragon, Sophie Taueubr, Paul Dermée, Celine Arnaud, Man Ray, K. Schwitters, os outros. Sim, todos beberam do Movimento Dadá – Dadá é nada, i.e., tudo. (In: Baitelo Junior, 1994, 13)

Do Cabaret Voltaire (Suíça, 1916) à Primeira Feira internacional Dadaísta (Berlim, 1920):

“O homem dadaísta é adversário radical da exploração… Portanto, mostra o homem DADAÍSTA como VERDADEIRAMENTE real diante da fedorenta mentira do pai de família e capitalista espreguiçando em sua poltrona.” (Hausmann. In: Baitelo Junior, p. 68)

A crise da cultura internacional acionada pela guerra colocou em xeque o objeto artístico, ou o conteúdo contido na obra:

A verdadeira arte será antiarte… reduz-se assim a uma pura ação… Dadá não quer produzir obras de arte, e sim ‘produzir-se em intervenções (…) o Dadaísmo propõe uma ação pertubadora, com o fito de colocar o sistema em crise, voltando contra a sociedade seus próprios procedimentos… utilizando de maneira absurda as coisas a que a ela atribuía valor. (ARGAN, 1992, p. 356)

Marcel Duchamp ao colocar bigode na Monalisa, contestou o valor comum. Nada pessoal ao grande Leonardo da Vinci, nem mesmo a Gioconda, mas os tempos eram outros. No readymade, Duchamp brinca com os valores de objetos comuns como a roda da bicicleta, o mictório e os expõem querendo que a sociedade internacional refletisse sobre a guerra – quando tudo ao redor é morte ou quando o progresso se alia a morte no discurso da guerra e sua associação ao desenvolvimento científico e tecnológico. Por isso o Dadá rejeitou as técnicas anteriores. O que importante é que houvesse uma ação questionadora e pertubadora que instigou a civilização a pensar e a começar do zero: a obra é mental.

Jovens, doenças, guerras e amores

Jovens refugiados proclamam o Dadá em território neutro. Mas o Dadá sobrepôs fronteiras porque todos sentiam-se refugiados durante a guerra. A juventude artística grita em Paris. Os jovens ex combatentes, poetas, pintores, articuladores do pensamento libertário promovem encontros, escrevem em revistas, montam exposições e performances.

A tuberculose, doença infectocontagiosa atormentou muitos jovens dos séculos XIX e XX, embora sua existência remonte oito mil anos. O termo só foi cunhado em meados do século XIX, antes era conhecida como peste branca.

Muitos procuravam os bons ares em um sanatório na Suíça, caro, contudo eficaz em isolamento pelos bons ares dos Alpes – os sanatórios eram comumente conhecidos como hospitais para tratamento da tuberculose.

O poeta René Crevel era um tuberculoso. Foi para a guerra. Sobrevivente e Dadaísta, abandonou os estudos sobre Diderot, até que, bem doente, cometeu suicídio. Ele era amigo de outro Dadaísta doente dos pulmões, o poeta Paul Éluard (Eugène Emile Paul Grindel).

Paul estava internado em um sanatório quando conheceu Gala (Elena Ivanovna Diakonova), a russa por quem se apaixonou durante o tratamento. Receberam alta e cada qual foi para seu lar, ela na Rússia e ele na França. Entre cartas, a guerra começou. Éluard foi para o front e ficou algumas vezes hospitalizado no meio do caos.

Meu ideal não está mais no céu,

E lanço meu estribilho

Às estrelas… em teus olhos! (Paul Eluard, 1913. In: Bona, p. 36)

Em 1917, Paul e Gala se casaram em Paris, durante a ocupação alemã, ou seja, em uma Paris bombardeada. Gala foi o motor do amor na guerra. Ela saiu da Rússia, durante a queda do Império e a Revolução Russa. Ela atravessou territórios de trem em meio a conflitos em plena Primeira Guerra Mundial. Ela aos 22 anos e ele aos 21 anos.

Gala tornou-se a musa de seus poemas. Musa de sua vida, mãe de sua filha e Dadaísta, ou melhor, a mulher de um Dadaísta. Assim era o mais comum, sem a participação feminina. Pouco se tem de referência de mulheres, todas nas sombras de seus maridos ou namorados. Ajudavam, mas não eram reconhecidas. Salvo exceções da poetisa Celine Arnaud (esposa de Paul Dermée, que se suicidou em 1952, um ano após a morte do marido) e das pintoras Hannah Höch, Sophie Taeubr (esposa de Arp) e Sonia Delaunay (esposa de Robert).

“Vivam as concubinas e os concubistas!” (Picabia) Dadá odeia hábitos e convenções, tolera o amor, mas detesta o casamento. (In: Bona, 1996, 117)

Francis Picabia abandonou esposa e filhos. André Breton se separou e sua amante casada decide agir conforme o Dadá, e num acesso de fúria:

Destruiu fotos, cartas, livros de Apollinaire com dedicatória, textos manuscritos de Jacques Vaché e alguns quadros – dois Derain, três Marie Laurencin, um Modigliani. Inspirada pelos métodos de Tzara e seu bando – destruir tudo, dizia Dadá -, verdadeira Átila. (…) Ela apenas deixou uma mensagem em forma de poema dadaísta: “Tudo remonta à mais recuada Antiguidade, as pichações que encantam os menininhos não passam nunca de corações e triângulos cercados de fogo.” (In: Bona, p. 117-118)

A dadaísta não oficial, Georgina Dubreuil, desapareceu depois do ocorrido. “Breton ficou em choque”.  Os livros e dedicatórias de Apollinaire se foram. Apollinaire era seu amigo, escritor, poeta italiano que lutou pela França e se naturalizou francês. Poeta e soldado da artilharia, que sobreviveu aos ferimentos na cabeça, mas faleceu em 1918, no fim da guerra de gripe espanhola.

Breton deixou a medicina e rompeu com a família. Em 1921, casou com Simone Kahn, considerada uma intelectual não Dadaísta. Louis Aragon também deixou os estudos em medicina e rompeu com a família.

O casal Éluard, a despeito de todos os abandonados no amor ou na guerra, manteve-se firme. A força do amor se expandiu quando em 1921, Max Ernst, um ex militar da artilharia alemã e dadaísta, deserdado pelo pai, expõe em Paris suas colagens e pinturas. Tão logo Paul Éluard  e Max Ernst se conheceram, tornaram-se irmãos; e descobriam que, por pouco não se enfrentaram na guerra em 1917, pois, no front em Somme, estavam frente a frente, ambos os soldados em trincheiras inimigas. (In: Bona, p. 138)

Ernst era conhecido como DadaMax, dentro dos títulos honoríficos dadaístas.[i] Éluard tornou-se o melhor amigo e meio de Ernst e logo passou a escrever sobre suas pinturas. Também escreveram juntos poemas e passaram a dividir os braços de Gala, sem rivalidades.

Éluard deixou que Gala vivesse o amor sem cobranças. Amou Paul e Max de maneira dadaísta, mas o clube masculino Dadá se ressentiu de Gala. A resposta de Dadamax ao clube, foi inserir Gala numa pintura como parte do grupo Dadaísta, e mais, inseriu Doistoiéviski, abominado pelos dadaístas, mas amado por Gala. Dadamax aproveitou o ensejo do amor e inseriu o Renascentista Rafael Sanzio, também abominado pelo grupo.

Em Au rendez-vous des amis,  Ernst numerou os personagens de 1 a 17… ele próprio leva o número 4 (sentado no colo de Dostoiéviski), Eluard, o número 9. Entre todos esses homens, uma única mulher, o número 16: Gala… Breton parece presidir a sessão… Aragon… Crevel toca um piano invisível… Perét como seu monóculo, Desnos meio apagado… (In: BONA, p. 155)

MAX ERNST. Le rendez-vous des amis, 1922. De pé, da esquerda para a direita: Philippe Soupault (1887-1990), Jean Arp (1886-1966), Max Morise (1900-1973), Rafael Sanzio (1483-1520), Paul Éluard (1895-1952), Louis Aragon (1897-1982), André Breton (1896-1966), Giorgio de Chirico (1888-1978) e Gala Éluard (1884-1982). Sentados, de esquerda para a direita: René Crevel (1900-1934), Max Ernst (1891-1976), Fiódor Dostoyevski, Théodore Fraenkel (1896-1964), Jean Paulhan (1884-1968), Benjamin Péret (1899-1959), Johannes Theodor Baargeld (1892-1927) e Robert Desnos (1900-1945). Museum Ludwig, Colonia.

Em 1922, mesmo com o discurso de abandonar tudo, Éluard continuou a declarar seu amor a Gala e sua enorme admiração por seu amigo-irmão Ernst, ajudando-o, inclusive, financeiramente. Ernst pintou muito a Gala, mas algumas dessas telas foram destruídas durante a Segunda Guerra Mundial, em 1937, com o argumento de “arte degenerada”.

Paul Éluard deixou de escrever sobre as dores da guerra e passou a escrever sobre as dores do amor.

O desespero não tem asas,

Nem o amor

Não me mexo,

Não os olho, Não lhes falo

Mas estou tão vivo quanto meu

amor e meu desespero.

(Paul Éluard, Nudez da verdade, da coletânea Morrer de não morrer. (In: Bona, 167)

Paul Éluard desepareceu em março de 1924. Dois meses depois, escreveu a Gala, do Taiti.  Paul, Gala e Max se reencontraram em Saigon. De lá, retornaram Paul e Gala para a casa sem Max Ernst, que resolveu tomar um novo rumo. Ao chegarem em Paris, o Surrealismo eclodiu sob a égide de André Breton.

Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. Tradução Denise Bottmann & Federico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

BAITELO JUNIOR, Norval. DADÁ-BERLIM DES/MONTAGEM. São Paulo: ANNABLUME, 1993.

BONA, Dominique. GALA. Tradução de Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Record, 1996.

BORRÀS, Maria Lluïsa. PICABIA. New York: Rizzoli, 1985.

COUTO, Renan Cardozo. A Imagem conceitual – uma contribuição ao estudo da arte contemporânea. Tese de doutorado, 2012. UFMG. (consulta em setembro 2020) https://docplayer.com.br/9082502-Ronan-cardozo-couto-imagem-conceitual-uma-contribuicao-ao-estudo-da-arte-contemporanea.html

DIEHL, Gaston. Max Ernst. New York: Crown publishers, 1973.

GOMBRICH, Ernst H. J. História da Arte. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.

MADEIRA, Gisele (dissertação) Pulsações de formas, cores e temas: imagens do cotidiano da obra de um artista (1967 a 1988) PUC/SP, 1995.

MENEZES, Philadelpho. A crise do passado. São Paulo: Experimento, 1994.

SANOUILLET, Michel (apresentação) DADÁ – Réimpression intégrale et dossier critique de la revue publiée de 1916 à 1922 par TRISTAN TZARA. Nice: Centre du XX e siècle, 1976.

SCHAPIRO, Meyer: A Arte Moderna séculos XIX e XX. Tradução Luiz R. M Gonçalves. São Paulo: Edusp, 1996.

STANGOS, Nikos (Org.) Conceitos da Arte Moderna. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.


[i] Havia uma relação de dadaístas como títulos honoríficos. Raoul Hausmann era Dadásofo; George Grosz era Politidadá; Richard Huelsenbeck era Dadamundi; Franz Jung era Dadanarquista, entre outros. In: Baitelo Junior, 1994, p. 106)


Monteiro Lobato no Supremo Tribunal Federal: sobre censura e paranoia do “perigo vermelho”.

25 jun

por Jozely T. Lima

Na pauta atual do plenário virtual do STF um julgamento que trata da questão racial no livro Caçadas de Pedrinho, do escritor Monteiro Lobato (Taubaté, SP, 1882-SP, SP, 1948) me chamou atenção. Trata-se de um mandado de segurança impetrado pelo IARA – Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, que aponta conteúdos racistas no clássico da literatura brasileira, adotado por escolas públicas por meio do Programa Nacional Biblioteca na Escola. O caso chegou ao Supremo em 2011 e os autores disseram que “não há como se alegar liberdade de expressão em relação ao tema diante das referências ao ‘negro’ com estereótipos fortemente carregados de elementos racistas” (1)


Não é a primeira vez que Monteiro Lobato é chamado a dar explicações sobre suas obras. De tempos em tempos o nobre defunto é cutucado, não deixam que descanse em paz. Em vida também não teve sossego diante do controle da cultura pelo Estado, governos, igreja, DEOPS, DOPS*, perseguições e censuras de variadas matizes políticas. Nos anos 1940 foi a antiga paranoia do “perigo vermelho” que o alcançou. O livro Peter Pan: a história do menino que não queria crescer, contado por dona Benta, edição de 1938 foi considerado um veículo de divulgação de “ideias perigosas” e a turma do sítio do pica-pau amarelo estaria a ensinar comunismo para a infância. O que a camarada Emília andou falando por lá não caiu bem. Não sei se o tio Barnabé partilhava das mesmas convicções. (2)

Antonio PETICOV (Assis, 1946-) Meu cavalinho, 2009. Acrílica sobre tela, 110 x 130 cm.


Morto ou vivo, Monteiro Lobato estaria ferrado se caísse no alvo das hostes bolsonaristas e outras criaturas do mesmo campo político. Se Dona Benta e Tia Anastácia cairem nas redes sociais “bolsolavistas” serão acusadas de “pregação esquerdista”. Nos tempos esquisitos em que vivemos não é de se espantar se chegar ao judiciário alguma petição que pretenda varrer Monteiro Lobato das bibliotecas públicas, sob a alegação de que é comunista e ensina comunismo às criancinhas, desde sempre. Isso ainda não aconteceu porque não sabem que na atmosfera estado-novista, Peter Pan: a história do menino que não queria crescer, contado por dona Benta, edição de 1938, foi alvo de busca e apreensão no estado de São Paulo e outros os estados por ordem do Tribunal de Segurança Nacional. Na ocasião até o livro Tarzan, o invencível entrou no rol.

Antonio PETICOV (Assis, 1946-) O futuro, 1996. Desenho, 200 X 140 cm.


Lembremos da tentativa de censura pela Secretaria de Estado de Educação de Roraima que emitiu um memorando com 42 títulos, considerados inadequados às crianças e os adolescentes. (3) Na ocasião o presidente do Supremo Tribunal Federal, Antônio Dias Toffoli, classificou a iniciativa de “inacreditável”. Tantas outras autoridades e entidades se manifestaram pelas notas de repúdio. Aliás, as notas de repúdio são uma das melhores fontes para se produzir conhecimento histórico sobre os absurdos do bolsonarismo e seus congêneres, ambos não cessam de aparecer. Voltando aos livros, inacreditável também, é a avaliação do Presidente Jair Bolsonaro sobre os livros didáticos: “é um amontoado, muita coisa escrita”. Pelo visto Monteiro Lobato ainda vai ocupar a extensa pauta do judiciário. Oremos para que ele descanse em paz!

Notas:

(1) https://www.migalhas.com.br/quentes/326485/questao-racial-em-obra-de-monteiro-lobato-volta-a-ser-discutida-pelo

(2) Carneiro, M. L. T. Livros proibidos, ideias malditas: o DEOPS e as minorias silenciadas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002, p. 151.

(3) https://brasil.elpais.com/brasil/2020-02-08/censura-de-livros-expoe-laboratorio-do-conservadorismo-em-rondonia.html

(*) DEOPS: Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo DOPS: Departamento de Ordem Política e Social (Federal)

Sugestões:

LAJOLO, M. & Schwarcz, L. Reinações de Monteiro Lobato – Uma Biografia. Companhia das Letrinhas, 2019.

AZEVEDO, C. L.; CAMARGOS, M. SACCHETTA, V. Monteiro Lobato: Furacão da Botocúndia. São Paulo: SENAC São Paulo, 1992.

“A Estranha Derrota” (*)

Série MANTOS II: Cultura Artística & Histórica – Cinema.

13 maio

por Gisèle Miranda

É importante dizer que não é a quantidade de bilhetes que sustenta esse texto. Mas como a memória exercita seu papel diante da vida. Fiz a costura do Manto II com alguns tantos filmes (bilhetes) guardados, que por sua vez, instigaram outros tantos na memória. Poucos não lembrei de imediato.

Os vinte e um anos costurados pelo conteúdo, línguas, temporalidades, religiosidades, crenças, dores, políticas, vestimentas, odores, guerras, cores, sabores, amores, valores…, assistidos em salas de cinemas, revividos em locais que hoje não existem mais, tal como o Cine Clube Bixiga – que foi o meu refúgio nos fins de semana, durante meus estudos em História e o trabalho com os movimentos sociais da cidade de São Paulo.  No cineclube nasceu minha paixão por Truffaut (Paris, França, 1932- idem, 1984) ou por todos da Nouvelle Vague. Lá também vi Betty Blue 37º 2, de Jean-Jacques Beineix (paris, França, 1946-) com a bela e intempestiva Béatrice Dalle (Brest, França, 1964-), inúmeras vezes.

Todo mês de Outubro esperava pela Mostra Internacional de Cinema. Por isso, dedico o Manto II, a Leon Cakoff (Alepo, Síria, 1948 – São Paulo, SP, 2011) e à Renata de Almeida (São Paulo, SP, 1965-). Nem sempre pude estar nas Mostras, efetivamente por falta de recursos financeiros, mas sempre me esforçava para ir, adquirir os catálogos, ler as sinopses, as críticas e saber dos esforços de Cakoff e Renata, para manter as Mostras, trazer diretores, atores, atrizes para debates, enfim, um grande evento anual imprescindível à nossa cultura e com à nossa participação no juri popular.

Manto II - Cinema, maio 2020.  tecido 2, 5 m x 50 cm. Linha, agulha e bilhetes de cinemas.

Manto II – Cinema, maio 2020. tecido 2, 6 m x 54 cm. Linha, agulha e bilhetes de cinemas.

O sorriso da memória aparece na voz, na presença de Samira Makhmalbaf (Teerão, Irã, 1980-), após assistir A Maçã, no inexistente Cinearte do Conjunto Nacional. De ter votado em Trem da Vida, de Radu Mihăileanu (Bucareste, Romênia, 1958-), filme que venceu o Prêmio do Juri Popular daquele ano. De conhecer a obra do cineasta Amos Gitai (Haifa, Israel, 1950-), de conhecer Kusturica (Saravejo, Bósnia, 1954-) como diretor e ator e, de tantos outros artistas. Também, participar de palestras sobre filmes japoneses com a professora Lúcia Nagib (1956-); curso de cinema com o jornalista e crítico Inácio Araújo (1948-) e, participação especial do inesquecível cineasta Carlos Reichenbach (1945-2012).

Há uma infinidade de descobertas, de alimentos à alma, da necessidade do existir da Cultura, porque cultura é mais do que as belas artes. É memória, é política, é história, é técnica, é cozinha, é vestuário, é religião etc… Onde é dado o sentido do tempo, do visível, do invisível, do sagrado, do profano, do prazer, do desejo, da beleza e da feiura, da bondade e da maldade, da justiça e da injustiça. (Fenelon, D. (1933-2008). In: O Direito à Memória, 1992, 31)*

Antes da pandemia Covid-19, ir ao cinema só na Cinemateca, gratuitamente, ou, no Cine Lasar Segall, onde o valor é mais acessível. Ou ainda, convidada pela amiga Jozy Lima, como nos dois últimos filmes que vi, Parasita, de Bong Joon-Ho (Daegu, Coreia do Sul, 1969-) e As Invisíveis, de Louis-Julien Petit (Salisburia, Reino Unido, 1986-).

Em Parasita diria que “A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível.” (Foucault, 1990). Em As Invisíveis, com o indicativo de comédia francesa – chorei no cinema, e por muitos dias, porque me vi como parte do filme, um limite tênue entre o básico e o nada; entre a luta e o abandono; entre o desemprego e o desespero, ou, a estranha derrota.

Talvez, mais um motivo para costurar o MANTO, bordar, furar, sangrar, lembrar, criticar e me colocar como Michel Aubry (Saint-Hilaire-du-Harcouet, França, 1959 -) quando costurou “mobílias, instrumentos, tecidos…”  como Mantos históricos e com seus “sintomas políticos e sociais.” **

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Filmes listados:

  1. A Vida é Bela. Grupo Severiano Ribeiro, 22 fevereiro 1999, às 16:20 hs.
  2. Wilde. 25 fevereiro 1999. Alvorada Cinemat. – Sala Cândido Portinari, às 21:45 hs.
  3. Barroco Balcânico. Mostra Internacional de Cinema – sala Auditório, 16 outubro 1999, às 12:15 hs.
  4. Garotas do futuro. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc 17 outubro 1999, às 13:15 hs.
  5. A Humanidade. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 17 outubro 1999, às 15:00 hs.
  6. Simon Magnus. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 17 outubro 1999, às 17:45 hs.
  7. Mero Acaso. Mostra Internacional de Cinema – Cine Arte 1, outubro 1999, às … hs.
  8. Agarrando Sonhos. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 23 outubro 1999, às 12:00 hs.
  9. Um só pecado. Sala…, 5 março 2000, às 21:30 hs.
  10. Uma boa dona de casa. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 17 outubro 1999, às 17:45 hs.
  11. E aí meu irmão cadê você. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 20 outubro 2000, às 16:10 hs.
  12. Cerca de la frontera. Mostra Internacional de Cinema, Cine Unibanco 1, 20 outubro 2000, às 20:25 hs.
  13. Minha vida em suas mãos. Mostra Internacional de Cinema – Unibanco 1, 20 outubro 2000, às 22:15 hs.
  14. Leste-Oeste o amor no ex…. Mostra Internacional de Cinema, Sala vitrine, 21 outubro 2000, às 14:00 hs.
  15. Canções do segundo amor. Mostra Internacional de Cinema, Cine Unibanco 1, 21 outubro 2000, às 16:30 hs.
  16. A deusa de 1967. Mostra Internacional de Cinema – MASP, 21 outubro 2000, às 20:40 hs.
  17. A lenda de Rita. Mostra Internacional de Cinema, Unibanco 1, 22 outubro 2000, às 14:00 hs.
  18. O recrutador. Mostra Internacional de Cinema, Unibanco 1, 22 outubro 2000, às 16:10 hs.
  19. Butterfly. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 22 outubro 2000, às 18:35 hs.
  20. Cabecita rubia. Mostra Internacional de Cinema, MASP, 22 outubro 2000, às 20:50 hs.
  21. Bastardos no paraíso. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 22 outubro 2000, às 22:30 hs.
  22. Porno film. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte, 23 outubro, às 15:50 hs.
  23. Pele de homem, coração de besta. Mostra Internacional de Cinema, Cine Vitrine, 23 outubro 2000, 17: 25 hs.
  24. A origem do homem. Mostra Internacional de Cinema – Cine Arte, 23 outubro 2000, às 21:40 hs.
  25. Antes do anoitecer. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte 1, 23 outubro 2000, às 23:40 hs.
  26. Tesoro mio. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 24 outubro 2000, às 14:00 hs.
  27. Anjos do Universo. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 24 outubro 2000, às 15:35 hs.
  28. Quem tem medo de…. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 24 outubro 2000, às 17:45 hs.
  29. O jogo de Mao. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 24 outubro 2000, às 19:30 hs.
  30. Sem descanso. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 25 outubro 2000, às 14:00 hs.
  31. Uma relação pornográfica. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 25 outubro 2000, às 16:10 hs.
  32. 101 reykjavk. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 25 outubro 2000, às 19:20 hs.
  33. Segunda Piel. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte, 25 outubro 2000, às 21:10 hs.
  34. Luna papa. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 26 outubro 2000, às 15:35 hs.
  35. O quarto das meninas. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 26 outubro 2000, às 17:55 hs.
  36. Virilidade e outros dilemas modernos. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 26 outubro 2000, às 21:40 hs.
  37. Thomas Pinchon – uma jornada. Cinearte, 27 outubro 2001, às 16:10 hs.
  38. Ano novo com neve. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte, 27 outubro 2000, às 17:20 hs.
  39. O rei está vivo. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 27 outubro 2000, às 19:35 hs.
  40. Baise Moi. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 27 outubro 2000, às …. hs.
  41. You really got me. Cine Unibanco, 27 outubro 2001, às 00:00.
  42. O dia em que me tornei mulher. Mostra Internacional de Cinema, Unibanco, 28 outubro 2000, às 17:425 hs.
  43. Fama para todos. Mostra Internacional de Cinema,Cine Arte, 28 outubro 2000, às 19:40 hs.
  44. Signos e desejos. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 28 outubro 2000, às 21:35 hs.
  45. Sábado. Cinearte, 28 outubro 2001, às 00:15 hs.
  46. Vidas. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte, 29 outubro 2000, às 14:00 hs.
  47. Faz de conta que não estou aqui. Mostra Internacional de Cinema, Vitrine, 29 outubro 2000, às 17:55 hs.
  48. Vatel. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 29 outubro 2000, às 21:35 hs.
  49. Wojaczek. Mostra Internacional de Cinema, Cine Sesc, 29 outubro 2000, às 23:55 hs.
  50. Gotas de água em pedras escaldantes. Mostra Internacional de Cinema, MASP, 30 outubro 2000, às 20:30 hs.
  51. Como Samira fez o quadro negro. Mostra Internacional de Cinema, Sala UOL, 30 outubro 2000, às 15:20 hs.
  52. Alameda do Sol. Mostra Internacional de Cinema, Cine Arte 1, 30 outubro 2000, às 23:05 hs.
  53. L´Histoire de Adele H. Top Cine, 29 novembro 2000, às 22:00 hs.
  54. Waking life. Sala UOL, 30 outubro 2001, às 14:00.
  55. Moulin Rouge. Cinearte, 29 agosto 2001, às 21:30 hs.
  56. A professora de piano. Cinearte, 25 janeiro 2002, às 14:10 hs.
  57. Samsara. Cine Unibanco, 19 fevereiro 2003, às 21:00 hs.
  58. Frida. Cine Unibanco, 13 abril 2003, às 14:30 hs.
  59. Kamchatka. Cinearte, 02 maio 2003, às 22:00 hs.
  60. Aos olhos de uma mulher. UCL, 19 julho 2003, às 00:30hs.
  61. Festival Anima Mundi. Auditório da Vila Mariana, 23 julho 2003, às 00:30.
  62. A mulher gato. Mostra Internacional infantil… s/d.
  63. SUR – Fernando Solanas. Mostra SESC de Artes Latinidades -ciclo de cinema no Cinesesc, 22 agosto 2003, às 15:00 hs.
  64. Ainda pego essa al….Cine Santa Cruz, 20 setembro 2003, às 14:30 hs.
  65. Balzac e a …. Cine Unibanco, 14 agosto 2004, às 22:00 hs.
  66. Homem Pelicano. Cine Santa Cruz — II Mostra de Cinema Infantil, 28 setembro de 2005, às 19:10 hs.
  67. Noitão (3 filmes) no Bellas Artes, sala Cândido Portinari, 12 agosto 2005, às 23:52 hs.
  68. Crime delicado. Cine Unibanco, 28 janeiro 2006, às 22:00hs.
  69. Melissa P. – 100 escovadas antes de dormir. Mostra Internacional de Cinema – Cinemark santa Cruz 9, 20 outubro 2006, às 21:30 hs.
  70. O Caminho para Guantanamo. Mostra Internacional de Cinema – Cinemark Santa Cruz 9, 21 outubro 2006, às 21:30 hs.
  71. Sonhos com Shanghai. Mostra Internacional de Cinema – Cine Sesc, 22 outubro 2006, às 13:30 hs.
  72. Voltando ao passado. Mostra Internacional de Cinema – Cine Bombril, 23 outubro 2006, às 18:30 hs.
  73. Dias de Glória. Mostra Internacional de Cinema – Reserva Cultural 2, 24 outubro 2006, às 19:30 hs.
  74. Nue Propriete. Mostra Internacional de Cinema – Reserva Cultural 2, 24 outubro 2006, às 21:30 hs.
  75. A Soap. Mostra Internacional de Cinema – Cinemark Santa Cruz 9, 25 outubro 2006, às 21:30 hs.
  76. Arame farpado. Reserva Cultural 2, 26 outubro 2006, às 13:00 hs.
  77. Amu. Reserva Cultural 2, 26 outubro 2006, às 15:20 hs.
  78. Como festejei o fim do mundo. Cinemark Santa Cruz 9, 26 outubro 2006, às 19:00 hs.
  79. Uma verdade inconveniente. Cinemark Santa Cruz 9, 26 outubro 2006, às 21:30 hs.
  80. Oscar Niemeyer – a vida é um sopro. Cine Bombril, 18 maio 2007, às 16:00 hs.
  81. Goyas Ghost. Cine Leblon 1(RJ/RJ), maio 2007, às 16:30 hs.
  82. A Massai branca. Rio Design 3 (RJ/RJ), 22 setembro 2007, às 19:00 hs.
  83. Bem-Vindo São Paulo. Rio Design 3 (RJ/RJ), 22 setembro 2007, às 22:00 hs.
  84. Caos Calmo. Sala 4 (cortesia), outubro 2008, às ..:15 hs.
  85. Baby love. Cine Reserva Cultural, 16 outubro 2008, às 13:10 hs.
  86. Como Albert viu as montanhas se moverem. Mostra Internacional de Cinema – Espaço Unibanco 5, 20 outubro 2008, às 16:00 hs.
  87. Fim da noite. Cine Unibanco, 03 novembro 2011, às 22:00 hs.
  88. Fim de semana em casa. Espaço Itaú de Cinema, 19 outubro 2012, às 16:00 hs.
  89. Elefante Branco. Espaço Itaú, 15 novembro 2012, às 16:00 hs.
  90. O Homem da máfia. Espaço Itaú, 01 dezembro 2012, às 11:00 hs.
  91. Na terra de amor e ódio. Espaço Itaú, 15 dezembro 2012, às 11:00 hs.
  92. A filha do pai. Espaço Itaú, 03 janeiro 2013, às 19:40 hs.
  93. Ha Ha Ha. Cine Sesc, 05 janeiro 2013, às 14:30 hs.
  94. As quatro voltas. Espaço Itaú, 20 janeiro 2013, às 20:00 hs.
  95. Segredos de sangue. Espaço Itaú, 15 junho 2013, às 14:00 hs.
  96. Augustine. Sala 2, 13 julho 2013, às 21:30 hs.
  97. A bela que dorme. Espaço Itaú, 1 julho 2013, às 16:30 hs.
  98. Camille Claudel, 1915. Cine L. Cultura, 14 agosto 2013, às 18:00 hs.
  99. Ferrugem e osso. Sala 1, 16 agosto 2013, às 19:00 hs.
  100. Flores Raras. Cine L. Cultura, 17 agosto 2013, às 17:00 hs.
  101. O verão do Skylab. Cine L. Cultura, 05 setembro 2013, às 14:00 hs.
  102. A Religiosa. Sala 2, 14 setembro 2013, às 19:20 hs.
  103. Uma primavera com a minha mãe. Sala 4, 03 outubro 2013, 15:20 hs.
  104. Os belos dias. Sala 1, 16 outubro 2013, às 15:30
  105. Mar silencioso. Reserva Cultural 1, 18 outubro 2013, às 18:00 hs.
  106. Amar. Reserva Cultural, 18 outubro 2013, às 15:50 hs.
  107. Trem noturno para Lisboa. Cine L. Cultura, 29 novembro 2013, às 19:50 hs.
  108. Pais e filhos. Sala 1, 30 dezembro 2013, às … .
  109. Ninfomaníaca. Espaço Itaú, 08 fevereiro 2014, às 17:00 hs.
  110. O grande hotel Budapeste. Espaço Itaú, 16 agosto 2014, às 16:00 hs.
  111. Amantes eternos. Caixa Belas Artes, 17 agosto 2014, às 14:00 hs.
  112. Viollette. Reserva Cultural, 30 agosto 2014, às 18:40 hs.
  113. Magia ao luar. Espaço Itaú, 31 agosto 2014, às 18:00 hs.
  114. Mommy. Sala 4, 25 dezembro 2014, às 21:25 hs.
  115. Relatos Selvagens. 03 janeiro 2015, às 17:00 hs.
  116. A família Bellier.  janeiro 2015, às … hs.
  117. As Invisíveis. Cine Sala, 24 fevereiro 2020, às 14:30 hs.
  118. Parasita. Cine Santa Cruz 07, 22 fevereiro 2020, às 15:40 hs.

(*) CUNHA, Maria Clementina Pereira (Org.) O Direito à Memória: patrimônio histórico e cidadania/DPH. São Paulo: DPH, 1992.

(**) Catálogo da 30ª Bienal de São Paulo, 2012, p. 228-229.

FOUCAULT, Michel. O pensamento do exterior. Trad. Nurimar Falci. São Paulo: Princípio, 1990.

Ps. Com o tempo farei a inserção dos diretores dos filmes e complementação de dados incompletos.

Série MANTOS I: Cultura Artística & Histórica – Teatro.

3 maio

por Gisèle Miranda

 

A Série MANTOS foi confeccionada à memória coletiva e à história da cultura brasileira ao longo de 1989 até 2019, com espetáculos teatrais, filmes, exposições e shows na cidade de São Paulo.

Os bilhetes culturais e artísticos foram tecidos e conjugados à pesquisa histórica. Embora não estejam todos os bilhetes – os que estão-  remetem aos bilhetes da memória, através dos diretores, atores, autores a um amplo conteúdo ligado à literatura, música, dança, pintura, teatro, cinema, portanto, um conteúdo de uma geração, acessibilidade, valores e investimentos materiais e imateriais.

Os três Mantos da Série, passaram por encontros teóricos e ficcionais com Arthur Bispo do Rosário (Japaratuba, Sergipe, 1909? – Rio de Janeiro/RJ, 1989) na sagração e na fé dessa missão. Com Leonilson (Fortaleza/ Ceará, 1957 – São Paulo/ SP, 1993), nos bordados cruciais à critica. E com Hélio Oiticica (Rio de Janeiro/RJ, 1937 – idem, 1980), quando os Mantos tornam-se Parangolés na  realidade marginal e anti heroica.

O primeiro Manto tem 101 espetáculos costurados, entre peças de teatro, óperas e shows, dedicados à memoria do Culturalista Paschoal Carlos Magno*(Rio de Janeiro/RJ, 1906 – idem, 1980). Paschoal ensinou que todos nós, poetas, temos nossos barcos no ar, na terra e no mar… e que o teatro é educação, que a arte transforma, que cultura é essencial à vida.

 

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O Manto I – começa em 4 de julho de 1989, em uma nítida despedida da cidade do Rio de Janeiro com RIGOLETTO, Ópera de Giuseppe Verdi (Roncole verdi, Itália, 1813- Milão, Itália, 1901), para então adentrar a meados dos anos de 1990, na cidade de São Paulo. Dos 101 espetáculos, 30 estão sem registros de datas, criando vácuos na temporalidade**. São 33 espetáculos infantis que compartilhei com o meu filho, na época com 3 anos, até seus 12 anos de idade.

Ao lembrar do espetáculo Cacilda, homenagem que José Celso Martinez fez a Cacilda Becker, invariavelmente, lembro da potência da atriz Beth Coelho Esperando Godot, de Samuel Beckett; de Giulia Gam numa explosão de gozo. Recordo que, por residir próximo ao Teatro Oficina, e por ter poucos recursos, sempre assistia os ensaios abertos.

Quando costurei Vozes Dissonantes, de Denise Stoklos, imediatamente lembrei de sua Mary Stuart. E chorei por não ter guardado o bilhete do espetáculo Louise Bourgeois, pois foi naquele momento que me apaixonei pela obra de Bourgeois. Denise Stoklos me apresentou a Bourgeois.

Ao tecer OTELO, de William Shakespeare com Norton Nascimento, no Teatro Municipal de São Paulo, veio a tona outro bilhete perdido: Orlando, com Fernanda Torres nua no palco do Teatro Municipal. Na costura da memória, a Fernandinha trouxe a dama Fernanda Montenegro em The Flash and Crash Days, de Gerald Thomas (o que ele fez com as duas foi impressionante). E lembrar de Gerald Thomas, vem Ventriloquist, a trilogia Kafka, Esperando Beckett, todos na memória.

Também não encontrei o bilhete do Quadrante, com Paulo Autran, espetáculo que vi no Teatro Municipal de São Paulo. Nem da Família Addams, com Marisa Orth, no Teatro Renault. Quer dizer, estou encontrando todos na memória! A memória como dizia Umberto Eco, “tem que ser exercitada”. 

Quanto aos shows, vi muito Zizi Possi. Vi Raul Seixas, vi Renato Russo, no Pacaembu. Perdi Astor Piazzola, no Municipal de São Paulo. Vi Novos Baianos.

Mas, os últimos shows que assisti, foram como freelancer, e como sempre, sentindo-me privilegiada com Elza Soares, Maestro Antonio Adolfo, o violinista Turíbio Santos, Marcos Valle, Azymuth, Carlos Lyra – vendendo CD´s, camisetas, vinis.

Olhar para trás é me sentir protegida desse caos pandêmico e desse atentado a humanidade que hoje se encontra personificado por um energúmeno presidencial.

Olhar para trás é ver construções com conteúdo artístico, o que faz muita diferença e acrescenta à academia, à pesquisa acadêmica e a produção científica, que também me dediquei.

No mais, em meio os alfinetes, agulhas, linhas, tecidos, papéis, os furos, o sangue – há muita luta e sobrevivência crítica e artística, histórica e política!

O segundo Manto será FILMES/Cinema. O terceiro, EXPOSIÇÕES. Até lá!

Abaixo, alguns bilhetes listados.

  1. RIGOLETTO, Ópera de Giuseppe Verdi (Roncole verdi, Itália, 1813- Milão, Itália, 1901). Teatro Municipal do Rio de Janeiro, julho 1989.
  2. Dom Pasquale. Obra de Donizetti (Bérgamo, Itália, 1797 – idem, 1848), Teatro Municipal do Rio de Janeiro, julho de 1989.
  3. Fragmentos de um discurso amoroso. Texto de Roland Barthes. Adaptação Teresa de Almeida. Direção Ulisses Cruz. Música de André Abjamra. Cenografia e figurinos Ninette Van Vuchelen. Com Antonio Fagundes. Teatro Cultura Artística de São Paulo, 1989.
  4. Martha Graham Dance Company. Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Carlton Dance Festival, 1989.
  5. Jornada SESC  de Teatro (SESC dr. Vila Nova), São Paulo/SP. De 8 a 21 de julho de 1996.
  6. O Professor (Teatro) Teatro Municipal de São Paulo, 26 janeiro 1997.
  7. O Feminino na Dança. Com palestras d Helena Katz, Christine Grener, Cássia Navas, e Fabiana Dutra Brito. entro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes.De 30 de abril a 1 de junho de 1997.
  8. A Quarta Estação de Israel Horovitz. Direção Fauzi Arap com Juca de Oliveira e Denise Fraga, no Teatro Cultura Artística – Sala Rubens Sverner, 14 julho 1997.
  9. Otello, de Giuseppe Verdi. Regência Isaac karabtchevsky. Orquestra Municipal, Coral lirico e solistas. Teatro Municipal de São Paulo, 29 agosto 1997.
  10. O Masculino na Dança. Com Workshops com Sandro Boreli, Mário Nascimento, Edison Garcia, Sérgio Rocha. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes. De 3 a 21 de setembro de 1997.
  11. Cavalleria Rusticana I Pagliacci (Orquestra e coro do Teatro Municipal de São Paulo & artistas convidados, 23 setembro 1997.
  12. Antígone, de Sófocles. Direção Carlos Gardin. Teatro Tuca Arena, 26 setembro 1997.
  13. Bananas de pijamas vão ao teatro. Teatro Jardel Filho, 16 novembro 1997.
  14. O Diário de um Louco. De Gogol, adaptação livre de Luiz Conceição. Teatro Villa Lobos, Rio de Janeiro, RJ, novembro 1997.
  15. Uiva e vocifera, de Hamilton Vaz Pereira. Teatro Oficina, 10 abril 1998.
  16. Tio Vânia, de Anton Tchecov. Direção Elcio Nogueira. Teatro Brasileiro de Comédia, 24 abril 1998.
  17. Concerto Wagner – Strauss. Regente Gabor Otvos. Soprano Hildegard Behrens. Teatro Municipal de São Paulo, 4 maio 1998.
  18. Senninha e sua turma no teatro. Direção Renata Soffredini. Com Fernando Lyra Jr. Teatro Bibi Ferreira, 5 maio 1998.
  19. Porca Miséria. Comédia de Jandira Martini e Marcos Caruso. Direção geral Gianni Ratto. Teatro Sérgio Cardos, 5 julho 1998.
  20. Em nome do Pai. Centro Cultural São Paulo, Sala Jardel Filho, 11 julho 1998.
  21. Exercício para Antígona. Centro Cultural São Paulo, Sala Jardel Filho, 15 julho 1998.
  22. O Pequeno príncipe. Teatro Ruth Escobar, sala Mirian Muniz, 9 agosto 1998.
  23. Narrador. Centro Cultural São Paulo, piso 796, 16 agosto 1998.
  24. Doce lembrança. Centro Cultural São Paulo, piso 796, 18 agosto 1998.
  25. Dom Carlo, de Giuseppe Verdi. Direção Musical e Regência de Eduardo Muller. Direção Figurinos e Cenários de Hugo de Ana. Orquestra e coro do Teatro Municipal Solistas e Convidados. Teatro Municipal de São Paulo, 30 agosto 1998.
  26. Salomé, de Richard Strauss. Solistas convidados, Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo, 30 setembro 1998.
  27. Branca de Neve e os sete anões. Ibirapuera, 17 outubro 1998.
  28. Ele é fogo! Texto e Direção Isser Korik. Teatro Ruth Escobar, sala Dina Sfat, 25 outubro 1998.
  29. Romance. Teatro Crowne Plaza, 28 novembro 1998.
  30. Cacilda! Direção José Celso Martinez. Teatro Oficina Uzyna Uzona, novembro 1998.
  31. La Bohème, Ópera em quato Atos de Giacomo Puccini (Luca, Itália, 1958 – Bruxelas, Bélgica, 1924). Teatro Municipal de São Paulo, em 5 dezembro 1998.
     
  32. A História de Lampião Jr. e Maria Bonitinha. Teatro Paulo Autran, 21 fevereiro 1999.
  33. Palavra Cantada (Show). Paulo Tatit e outros. CD Canções Curiosas. SESC Fábrica Pompéia, 28 fevereiro 1999.
  34. As aventuras de Pinóquio. Teatro Paiol, 07 março 1999.
  35. A Bela e a Fera. Texto e Direção Tatyana Dantas, com Fernanda de Souza e Felipe Folgosi. Teatro Sergio Cardoso, 17 abril 1999.
  36. O violino mágico, de Júlio Fischer. Direção Christina Trevisan. Teatro Sérgio Cardoso, 2 maio 1999.
  37. The Addam´s. Texto de Edmundo de Novaes Gomes. Direção Carlos Gradim. Teatro Ruth Escobar, sala Gil Vicente, 22 maio 1999.
  38. Marcelo, marmelo, martelo. Teatro Jardel Filho, 8 agosto 1999.
  39. Hércules. Ibirapuera, 25 setembro 1999.
  40. O terror dos mares. Adaptação Ronaldo Ciambroni. Direção Cesar Pezzuoli. Teatro Imprensa, 2 outubro 1999.
  41. Fragmentos troianos. Direção Antunes Filho. Teatro SESC Anchieta, 04 março 2000.
  42. AMOR – uma ode ao universo feminino de Clarice Lispector. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes, 18 maio 2000.
  43. Filhos do Brasil. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, maio 2000.
  44. Cartas de Rodex. Centro Cultural São Paulo, espaço cênio Ademar Guerra, maio 2000.
  45. Raul fora da lei. Centro Cultural São Paulo, sala Adoniram Barbosa, maio 2000.
  46. Semana de Dança. Centro Cultural são Paulo, sala Jardel Filho, junho 2000.
  47. Anjo duro, de Luiz Valcazaras. Com Berta Zemel. Teatro Sergio Cardoso, 02 julho 2000.
  48. N X W Série Pocket Opera, de Gerald Thomas. Teatro SEC Ipiranga, 22 julho 2000.
  49. Angela Ro Ro (Show). Tom Brasil, 16 dezembro 2000.
  50. Deborah Colker – MIX – Teatro Sergio Cardoso, 26 setembro 2001.
  51. A Terra Prometida, de Samir Yazbek. Sesc Anchieta, 13 outubro 2001.
  52. Uma aventura mágica com o Monstro Brigueiro. Texto e direção Isser Korik. Teatro Folha, 5 janeiro 2002.
  53. Conferência Pierre Levy. Teatro Vila mariana, 29 agosto 2002.
  54. João e Maria  Ópera em 3 Atos. Baseado na história dos Irmãos Grimm.  Libreto de Adelheid Wette. Música de Engelbert Humperdinck. Tradução de Dante Pignatari e Jamil Maluf. Teatro Municipal de São Paulo, 19 dezembro de 2002, às 18hs.
  55. Funk como Le gusta (Show). Confraria Pompéia/ SESC, 15 fevereiro 2003.
  56. O Chapéu de palha de Florença, de Nino Rota (Milão, Itália, 1911- Roma, itália, 1979). Teatro Municipal de São Paulo, temporada, março 2003.
  57. Bispo. Com João Miguel. Teatro Galpão, 20 abril 2003.
  58. Vozes Dissonantes, com Denise Stoklos. Teatro João Caetano, 6 agosto 2003.
  59. Gothan SP – Fórum Cultural. Cia teatral Ueinzz. Teatro Galpão, 27 junho 2004.
  60. A Entrevista, de Samir Yazbek. Direção Marcelo Lazzaratto. Com Ligia Cotêz e Marcelo Lazzaratto. Teatro Cultura Inglesa de Pinheiros, 5 março 2005.
  61. Semana de Dança. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, 24 maio 2005.
  62. Teatro Carlos Gomes, 04 julho 2007.
  63. Luiz Melodia (Show) Premio Victor Civita – educador nota 10. Sala Cultural São Paulo, 15 outubro 2007.
  64. Nocaute. Teatro Folha, 23 abril 2008.
  65. OTTO. Sesc (ginásio de esportes), 25 novembro 2011.
  66. A Família Addms. Texto Marshall Brickman & Rick Elice. Música e letras de Andrew Lippa. Baseado nos personagens de Charles Addams. Versão brasileira de Claudio Botelho. Com Marisa Orth e Daniel Boaventura. Teatro Abril, março de 2002.
  67. A dama do mar. Texto de Susan Sontag., baseado na peça de Hendrik Ibsen. Direção Bob Wilson. Com Lígia Cortez, Ondina Castilho, Bete Coelho, entre outros. Teatro Sesc Pinheiros, 15 junho 2013.
  68. Do outro lado. Teatro Porto Seguro, 25 outubro 2017.
  69. Elza Soares. Comedoria Pompéia/ SESC, virada cultural, 08 maio 2019.
  70. Comum. Projeto Meta-Arquivo 1964-1985 Grupo Pandora de Teatro (SP) Texto e direção Lucas Vitorino. SESC Belenzinho, 08 setembro 2019, às 18:30.
  71. Olhos Recém-nascidos com Denise Stoklos. Teatro João Caetano SP, março, s/ano
  72. Turandot, de Giacomo Puccini. Teatro Denoy de Oliveira. 25 junho s/ano.
  73. Dyário de um Louko. Centro Cultural São Paulo, centrinho cultura, s/d.
  74. Vô doidim e os velhos batutas. Teatro Denoy de Oliveira, s/d.
  75. RED FANG (Show). Inferno, 08 setembro s/ano.
  76. Cassia Eller (Show) Directv, 3 outubro s/ano.
  77. Chico Buarque. Palace, 18 abril s/ano.
  78. A terra do povo da graça. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  79. OTELO, de William Shakespeare. Adaptação Alexandre Montauri; Direção Janssen Hugo Lage, com Norton Nascimento. Teatro Municipal de São Paulo, 11 novembro s/ano.
  80. No reino das águas claras, de Monteiro Lobato. Adaptação Maisa Montresor. Direção geral Milton Neves; direção musical Cesar Pezzuoli. Teatro Imprensa, s/d.
  81. O senho dos sonhos. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  82. Simão e o boi pintadinho. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes, s/d.
  83. Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues. Direção José Celso Martinez Correa. Teatro Oficina, s/d.
  84. O menino detrás das nuvens. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  85. Moço em estado de sítio. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  86. Rumos musicais: Miguel Briamonte. Instituto Cultural Itaú, Sala Azul, piso Paulista, 5 outubro s/ano.
  87. Contra Igual, de Fernando Pessoa. Centro Cultural São Paulo, s/d.
  88. O Anti Shakespeare. Centro Cultural São Paulo, porão, s/d.
  89. Avoar, de Vladimir Capella. Direção Chiquinho Cabrera e Edu Silva Filho. Teatro Imprensa, s/d.
  90. O mágico de OZ. Adaptação Sônia Fonseca. Direção Léia Marone. Teatro Cultura Tutóia, s/d.
  91. Gatos e Cia. Adaptação Meire Tumura & Maria Duda. Direção Maria Duda. Supervisão geral Attílio Riccó. Teatro Itália, s/d.
  92. As sereias da River Gauche. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  93. Contos, cantos e acalantos. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes, s/d.
  94. Uma Professora muito Maluquinha, de Ziraldo. Direção Renata Soffredini, s/ referência do teatro, s/d.
  95. Casa de brinquedos, musical de Toquinho, Teatro Gazeta, s/d.
  96. Pedro e o lobo. Centro Cultural São Paulo, sala Paulo Emílio Salles Gomes, s/d.
  97. Um dia de Pic & Nic. Teatro Ruth Escobar, s/d
  98. PAI, de Cristina Mutarelli. Direção Paulo Autran, com Beth Coelho, Teatro Crowne Plaza, 13 fevereiro s/ano
  99. Strip Tease com Ana Lívia. Instituto Cultural Itaú, sala azul piso Paulista, s/d
  100. Corpo a Corpo. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.
  101. O feminino na dança. Centro Cultural São Paulo, sala Jardel Filho, s/d.

 

 

(*) Série Paschoal Carlos Magno I: O Teatro de Paschoal Carlos Magno – O ofício em suas considerações (*)

(**) No decorrer farei o levantamento de datas dos bilhetes/ espetáculos, sem datas.

 

 

 

 

 

 

O TECER dos 10 Anos do Blog TECITURAS

11 abr

por Gisèle Miranda, Lia Mirror & Laila Lizmann

 

O Blog Tecituras nasceu nas paredes de um quarto, gestado e parido. As palavras foram esculpidas, ora na pena, ora com as unhas. O caos, a dor e a “solidão do porvir de poucos” atentou que a “consciência sobrevive a qualquer circunstância”. As incisivas palavras são do artista Gontran Guanaes Netto* (Vera Cruz, São Paulo, Brasil, 1933 – Cachan, França, 2017), amigo, professor e tutor às avessas. Do Sujeito Histórico, Artista Realista Político, Professor da Memória à História.  Gontran Netto deu-nos a honra de sua colaboração no Tecituras com suas obras e suas reflexões em manuscritos e interferências.

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A homenagem dos 10 anos do Tecituras vem de um conteúdo Histórico, Artístico, Crítico e Político. De conteúdo imaterial, inquietações do pensamento à escrita com o objetivo de compartilhar conhecimentos, experienciar e zelar pelos bens culturais, com colaboradores – com ou sem vínculos acadêmicos e com uma bagagem de textos não perecíveis ao tempo, atualizados, conscienciosos de sua necessidade, por isso, nossa justa homenagem a Gontran Guanaes Netto! Há inúmeros textos sobre sua arte, sua luta, além de tutelar um pequeno espaço tecido há 10 anos.

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O conteúdo artístico faz uma grande diferença. O conteúdo crítico é uma filtro necessário diante da abundância do vazio, da educação cara e fria, frente a educação da exclusão. Dessa homenagem, tecemos reverência a missão ou o ofício dos professores em situações de falta d´água, restrições, endividamento, aluguel atrasado, ajuda de familiares e amigos. Inevitavelmente, ratificar a data de 29 de abril de 2015, o cenário ápice da violência na Educação brasileira, ao Brasil atual, machista a misógino, ignorante que enaltece a intervenção militar quando desconhece a violência histórica, cuspiu na História e na Educação. Após cinco anos dessa violência, e de tantas não sanadas, vem a público, o Ministro da Educação (des) mascarado na mesa de reunião do horror (!), entre os seus pares. (**)

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Nosso Brasil tão diverso, nascido de um histórico de pura violência, dos séculos de escravidão, da exclusão, dos preconceitos, Esses séculos não foram sanados, tão pouco, os 21 anos de violência do Estado Militar Brasileiro, porque não há Consciência Histórica.
As ditaduras devastaram toda a América Latina. Torturaram violentaram, reprimiram, subornaram, difamaram e mataram. Toda essa herança resiste e, que cada vez mais, estratifica nos professores, na moral da violência e da “sub -missão”  material, nos salários, na ausência dos livros, das leituras, do tempo, das escritas, numa “missão impossível”.
Entre a teoria, o discurso frio e confortável da boa escrita (e cara educação) há o extremo da prática, do discurso de luta, nada confortável. Entre as fases antagônicas existem mais falas sujas, oportunas e arrogantes. Sem dúvida, a figura opressora tem cúmplices entre os próprios oprimidos. (1)

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Entre os traumas, há sobreviventes na floresta dos homens e mulheres livros (2), independente da indexação, do conforto, da assepsia, da insensibilidade, do apodrecimento, dos muros, onde os discursos, principalmente econômicos, falam mais alto, não por acidente, mas por natureza. (3)
Os professores que apanharam em 2015, os que mais adoecem a olhos (não) vistos nos representaram no front, e hoje, unidos a população em geral, principalmente com os mais pobres para aplaudir os profissionais da área médica e de serviços essenciais à beira do precipício Humano e Político, na pandemia Covid-19.

Já dizia nosso querido Gontran Guanaes Netto: Antigo combatente, jamais!

Então, Antigas combatentes, Jamais! & Marielle, presente! João Pedro, presente!

 

 

(*) Sobre O Artista GONTRAN GUANAES NETTO

(**) https://www.youtube.com/watch?v=cIWzeiEMpko; https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/05/25/weintraub-diz-que-desabafo-em-reuniao-nao-foi-pensado-e-e-sincero-e-educado.htm

(1)  BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo Vol 2: A Experiência Vivida, Difusão Européia do Livro, 1967. “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.

(2) homens e mulheres livros e livres. t tecituras.wordpress.com/2010/03/11/serie-retecituras-iii-fogo-451-aos-doutores-de-historia/

(3)  DELEUZE, Gilles. Conversações. São Paulo: Ed. 34, 2010, p. 221. 

 

Série Ficcional H. Miller XXIX: A cama divã

26 jan

por Lia Mirror, Laila Lizmann, Lara Kleine Augen & Gisèle Miranda

 

 

(…) As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
(Álvaro de Campos pseudônimo de Fernando Pessoa)

 

 

 

Após a morte de nosso amigo ancião Blake, os livros foram dispersos, as histórias perderam os fios de Ariadne e os monstros que roíam as entranhas dos que LIAm, deixaram de existir.

O salto para o abismo se deu entre a realidade e a ficção; passou por Foucault* e se deleitou no escarnio de Henry Miller. Assim sucedeu a árdua tarefa.

– Ele pegou a caneta, os olhos, o papel, o corpo dela e riu. Riu e os colocou no tempo perdido, díspares. O bicho raivoso da vaidade predatória, desumanizou e fez das suas noites, outras bocas, outros corpos na cama dela.

 

Louise Bourgeois (NY, EUA,1911– Paris, França, 2010) Sete na cama, 2001.

 

Todos riram! A nobreza plebeia construída nas solitárias leituras rasgou uma carta. Uma, das tantas cartas de amor, porque só os ridículos escrevem cartas de amor. **

Ela rasgou o tempo, cortou as letras, os segredos, as palavras, as mãos, a grafia, o cheiro, a tinta, o gosto e as fotos. Não bastasse, ela devorou o próprio coração, assim como Rimbaud, lentamente.

A memória será esquecida. O olhar não enxergará. O gosto não provará. O toque será um iceberg. Reconstruirá um Frankenstein, só amado por seu criador; ou, uma Alma Mahler inflável e amada por Kokoschka?

Alma Margaretha Maria Schindler ou Alma Mahler-Werfel (Áustria, Viena, 1879- NY, EUA, 1964) de Oscar Kokoschka (Áustria, Pöchlarn, 1886 – Suíça, Montreux, 1980). A boneca Alma Mahler. Projeto/desenho de Kokoschka para a feitura em tamanho natural s/d.


A febre foi testemunha, enquanto ela confeccionava seus monstros, ardia e jorrava larvas. No delírio ela foi em busca de um livro, o que desencadeou um pesadelo Shakespeariano. Aos prantos, ela gritou por Shakespeare diversas vezes.

Amanhã será outra dor. Enquanto as pessoas rirem, nós protegeremos a ingenuidade, o sorriso do olhar menina que percorreu os mesmos rios dos algozes e enfrentou a fadada miséria, violência, pedras, precipícios, afogamentos, curras, enforcamentos e surras.

Da pedra bruta brotou uma flor rara. Da brutal fragilidade nasceu um vento forte para as ondas de um mar tempestuoso. Náufraga, salva pelo olhar atento do lobo do mar.

Louise Bourgeois (NY, EUA,1911– Paris, França, 2010) Cama azul, 1998 gravura 49,5 x 67,3 cm

Em terra firme ela foi jogada no picadeiro com nariz de palhaço. De lá viu o lixo abundante, nada reciclável. Viu a crosta numa casca podre que escorria água suja.


Ah, esse monstro que nos rói as entranhas tem nome, tem história, tem o valioso conteúdo dos livros, dos saberes e até do rejuvenescimento, segundo Thomas Mann. Ah, Henry Miller, Rimbaud, Dostoiévski e tantos outros que venham eternizar nossos sentimentos, nossas falas, nossos sexos, nossas dores, nossas palavras.

“Agora

não navega

nem tampouco vive

erra

se

escrito” ( C. Vogt, Marinheiro Pessoa***)

 

Nota:

(*) Foucault: “A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível.” (Foucault, 1990)

(**) Álvaro de Campos, in “Poemas” Heterônimo de Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal, 1888- Idem, 1935): “Todas as cartas de amor são ridículas” Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). – 84. 1ª publ. in Acção, nº41. Lisboa: 6-3-1937.

 (***) Carlos Vogt. O Itinerário do Carteiro Cartógrafo – Cantografia. São Paulo: Massao Ohno, 1982.

(1) MILLER, Henry. Trópico de Capricórnio. Tradução de Aydano Arruda. São Paulo: IBRASA, 1963.

 

 

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