Arquivo | Direito RSS feed for this section

Copa 2018: Um Brasil Real

6 jul

por Gisèle Miranda e Lia Mirror

 

Um país tão permeado por desigualdades como o Brasil produziu um sem-número de artistas e atletas – acho interessante aproximá-los de origem pobre que encontram um modo de superar as adversidades sociais por meio e maneiras muito diferentes de expressão… .  (Rodrigo Naves. Na criação de Arthur Bispo do Rosário a palavra adquire novas realidades. In O Estado de S. Paulo. 2014.)

 

Sim, espera-se tudo porque somos desiguais. Em tudo! Também o país da corrupção, mundialmente conhecido. A miséria de um pais tão próspero.

Os 7 x 1 da última Copa, as prisões, o Rio de Janeiro falido sendo uma das maravilhas do mundo. Da Copa aos Jogos Olímpicos…. talentos?  Só a sobrevivência. Como não pensar sobre isso? Quantos talentos perdidos, quantas famílias nas ruas?! Estamos em 2018!

Não é o jogador mais caro do mundo que vai mudar o Brasil. Também não devemos crucificar Jesus, afinal ele não é o nosso ´Cristo Redentor´.

Destacamos Cristiano Ronaldo (atual “melhor jogador do mundo”) que bateu uma falta linda e também perdeu um pênalti! Perdeu a Copa? Ficou um gesto maravilhoso com Cavani (ou com Mujica)!!!  Como faltaram gestos!

cristiano-ronaldo,-edinson-cavani_625x300_1530416995567 (1)

Foto divulgação/ 2018

Mas venceu a diversidade, a força e a garra dos refugiados da histórica República Francesa e uma bela discussão sobre o tema que assola o mundo. Precisamos de mais Liberdade, Igualdade e Fraternidade!

“O meu país é a terra” em um mundo tão carente de tudo e tão desigual! Mas “o pulso ainda pulsa… estupidez… hipocrisia… ( e até) Sarampo. O corpo ainda é pouco” (*) para um Brasil com “27 milhões de desempregados, o quinto país do feminicídio” (**) e um crescente aumento do estupro, embora saibamos que o silêncio das vítimas predomina e não contabiliza; o estupro é historicamente uma arma de guerra, ou seja, estamos em guerra!

S´Alah!

 

Neno Ramos, sem palavras, 2018

Neno Ramos, Sem Palavras, 2018.

 

 

(*) “O Pulso” de Marcelo Fromer / Tony Bellotto / Arnaldo Antunes, 1989.

(**) Dados registrados na mídia “séria” brasileira em agosto 2018.

Futebol arte e alienação: ginga ou assepsia?

 

Anúncios

Droga é legal, o homem que não é.

4 jul

Por Byra Dornelles

 

Domingo passado estava conversando com um amigo meu que é musico e constatei algo que penso há anos: droga é legal! Pense em toda a obra dos Stones, Brown Sugar na década de 70 e dos Doors, se não houvesse drogas. Sem apologia , eu só uso drogas ilegais duas vezes ao ano, no meu aniversario e no reveillon, mas fico pensando…Cabeça de Dinossauro dos Titãs, sem o Arnaldo Antunes drogado, seria possível? Sgt. Peppers, dos Beatles sem ácido lisérgico?

Rimbaud…?
Uivo do Allen Ginsberg?
As portas de Percepção de Aldous Huxley sem drogas?
Flashbacks, de Timothy Leary?

O A E O Z, dos Mutantes?

Meu amigo dizia: “sou um homem! Como é que é!?
Alguém ou o sistema vai me dizer o que eu devo comer ou beber? A maconha é meu samba!”

A proibição provém justamente do medo que ‘eles’ têm da máquina parar de funcionar e de que todos acabem com sua rotina febril e estagnante, de que nasça uma nova ordem em que os princípios cristãos caóticos e caducos venham ser questionados.

A partir do momento que a sociedade rotula a pessoa de ‘viciado’ ele é excluído de uma possível participação e é discriminado.

 

Byra tirinha

 

Ralph Emerson, que nasceu em 1803, usava haxixe e ópio e defendia um sistema de idéias basicamente fundamentado na individualidade, crescimento interior, autoconfiança e rejeição à autoridade, instigando assim, as pessoas a procurar um Deus interior e abandonar o cristianismo.

Qual a importancia das drogas? Elas são usadas desde que o mundo é mundo! Qual o medo que elas despertam? Na Hollanda e alguns bairros de Londres tem espaços liberados pra seu uso com controle da sociedade e não tem casos de violência ou quaisquer distúrbios.

Nesses casos acima em que cito alguns artistas que usaram e fizeram obras maravilhosas, alguém pode argumentar referindo-se às mortes de overdose e tal… . É por isso que digo que a droga é legal e como o homem é que não sabe manipular e perde o controle, se Freud conseguisse conter sua fome de cocaína talvez chegasse a resultados enormes. Se Hendrix não se chapasse daquela maneira não teria morrido de sufocamento pelo vômito… Janis Joplin estava acostumada com uma dose de heroína sarapa e naquele dia fatal veio uma carga muito pura e… Elis Regina me parece que foi a mesma coisa.

Em 2003 houve um congresso aqui no Brasil, chamado Narco News, no qual um professor norte-americano, Robert Stephens, tentando espalhar o medo, como fizeram em 1937 quando foi proibida a maconha nos EUA, querendo apertar o cerco aos usuários e tambem visando aqui, a implantação de clínicas de ‘tratamento’, (esse terrorismo chamado de justiça terapêutica ), fez varias falsas afirmações sobre a droga:

1 – causa insônia
2 – náusea
3 – nervosismo
4 – ansiedade e perda de apetite(!!!)

É claro que foi desmascarado lá mesmo na terra dele, imagine aqui, dizer que maconha provoca insônia e perda de apetite! No mínimo ele nunca experimentou!

Alguns nomes históricos que usaram/pesquisaram drogas:

Carlos Castaneda, Aleister Crowley, William Burroughs, James Joyce, Ken Kesey, Torquato Neto, Alan Watts, Lennon, Paolo Mantegazza, Sergio Sampaio, Miles Davis, Jim Morrison, Keith Richards, Raul Seixas, Mick Jagger, Tim Maia, Jerry Rubin, Eduardo Bueno, Abbie Hoffman, Kurt Cobain, Arnaldo Baptista, Albert Hoffman, Allen Ginberg, Timothy Leary, Arnaldo Antunes;

Concluindo, vamos usar todas as drogas, plantas, com responsabilidade e moderação pois seu uso pode causar dependência, pensando que é fundamental:

1- Construir seu próprio e desfrutável universo,

2 – Pense por si mesmo e questione a autoridade, como disse Burroughs: “ Na verdade, tudo é permitido”.

3 – “ O fato de todo homem e toda mulher ser uma estrela”.

Eu não posso causar Mal nenhum a não ser a mim mesmo… (Lobão e Cazuza)

 

byra rg
*Byra Dorneles (Auto-didata, ex-calafate e estuda sobre drogas desde os 13 anos)
Base do texto:

www.narconews.com 
“Flashbacks” de Timothy Leary.

 

A amizade e a cumplicidade artística e política de Gontran Guanaes Netto e Júlio Le Parc: Luto e Luta.

18 jun

 por Gisèle Miranda

 

Quando o ser humano vem a ser cores, quando a cor vem a ser forma humana, quando o ser humano este ligado à terra… Quando estes frutos são usurpados, quando esta usurpação gera a miséria, quando esta miséria gera revolta… quando suas cores são aquelas da dignidade, quando suas cores são aquelas da luta, quando suas cores são aquelas da esperança. (Gontran Guanaes Netto & Julio Le Parc. Cores da Esperança, s/d)

 

Contextos políticos estão indissociáveis das biografias dos artistas Gontran Guanaes Netto (Vera Cruz, SP, Brasil, 1933- Paris, França, 2017) e Júlio Le Parc (Mendoza, Argentina, 1928-). Conheceram-se em Paris como refugiados políticos vindos de prisões e torturas por lutarem pela Democracia em seus países.

Gontran e Le Parc combateram as ditaduras militares na América Latina, guerras, guerrilhas, conflitos de diversas naturezas e em vários lugares do mundo, alicerçados pela arte. Vivenciaram as mutações das sociedades e se colocam como sujeitos políticos potencializando os discursos sobre arte e, consequentemente, na produção artística como luta e luto; consciência e resistência; memória e história.

Eles amealharam recursos para criações de Museus, através de doações de seus trabalhos, assim como recursos financeiros através da venda de suas obras para resgatar pessoas em risco, seja em luta pela democracia, contra a exploração, violência, miséria.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Eles são testemunhos viscerais de quase um século de produção artística e política, além de uma nova ética como resultante dos traumas próprios e dos outros numa constante aliança solidária (Seligmann-Silva, 2018).

Gontran Guanaes Netto deixou-nos as cores de sua esperança e a força de sua luta: “antigo combatente, jamais!”

Júlio Le Parc continua a LUTA!

 

 

 

Referências:

SELIGMANN-SILVA, Márcio. Café Filosófico, TV Cultura, 2018. O testemunho como chave ética 

Textos do Blog Tecituras :

Julio LE PARC por Gontran Guanaes Netto

O encontro nas cores/luz: Gontran Guanaes Netto e Julio Le Parc por Gisèle Miranda

Grito do silêncio por Gontran Guanaes Netto

Série Cartas (ensaios) de leitores I: Gontran Netto, o Diógenes da pintura brasileira. por Maria Aparecida Correa Paty

Reminiscências e reflexões por Gontran Guanaes Netto, parte I e II

Série Retecituras V: Gontran Guanaes Netto e seu manifesto pelo Chile por Gisèle Miranda e Gontran Guanaes Netto.

Dados biográficos de Gontran Guanaes Netto por Gisèle Miranda

Provocativas por Gisèle Miranda

Autobiografia de um artista bem-sucedido por Gontran Guanaes Netto

História e Memória sob tortura por Gisèle Miranda e Jozy Lima.

Brava Luta por Gisèle Miranda

As “experiências” de Julio Le Parc por Gisèle Miranda

Da 31ª Bienal de São Paulo: “Como (…) coisas que não existem” a “29 de abril de 2015”

24 jun

por Gisèle Miranda

 

O tema da 31ª Bienal de São Paulo (2014-2015) “Como (pegar, nomear, viver, pensar…)  coisas que não existem” –   com os verbos no infinitivo e com reticências “ é uma invocação poética do potencial da arte e de sua capacidade de agir e intervir em locais e comunidades onde ela se manifesta” . Então, como existir no silêncio, no tropeço, nas camuflagens da ignorância, no esquecimento, desinteresse em prol de um futuro vazio produzido pela arrogância?

O escocês Charles Esche assinou uma curadoria que não agradou muito ao público brasileiro ao propor: pensar… nomear, imaginar, viver, lutar, recordar, conhecer, refletir. Houve associação crítica com o Dadaísmo (1916) sobre a estética da Bienal, mas em vista que a história não se repete, diria que a inspiração Dadaísta partiu do confronto, outrora a arte questionando valores de uma burguesia fascista e em guerra, e hoje, arte, memória e história com  uma classe média (brasileira), digna de ser nomeada como “uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante.” (Marilena Chauí, 2013 In:Cult, 182, p.10)

O Brasil da classe média atiçada a ‘bater panelas’ quando tem o que comer, atacar a mulher de maneira machista à misógina e pedir intervenção militar quando desconhece a violência, nada mais resultante que a Educação desse mesmo país, seja representada por cenas de horror em “29 de abril de 2015”. Os professores (e a grande maioria professoras) em manifestação pacífica foram alvos de policiais, balas e bombas. É claro que o passado ignorado tornou-se um monstro em diferentes esferas numa catarse de escombros.

29 de abril de 2015 no Centro Cívico, Curitiba, Paraná, Brasil, sob o governo de Beto Richa.

29 de abril de 2015 no Centro Cívico, Curitiba, Paraná, Brasil.

Há questões que precisam ser nomeadas a partir de uma discussão sobre o passado. O que Esche mostrou na  31ª Bienal foi o passo da virada contemporânea em diálogo com o passado ignorado seguido do ” 29 de abril de 2015″.

A 31ª Bienal de São Paulo reportou a população do Brasil aos países vizinhos e a outros mais distantes, que hoje são cutucados em seu passado de violência, pobreza, marginalização as adaptações da fugacidade contemporânea, e nesse momento são percebidos enormes vácuos.

Juan Carlos Romero, Violência, 1973-1977 (impressão sobre papel)

Juan Carlos Romero, Violência, 1973-1977 (impressão sobre papel)

Palmas para Esche por esse elo tecido pela história e pelas memórias coletivas entre a 1ª Bienal de Veneza (1895) à 1ª Bienal de São Paulo (1951), e as edições instigantes e necessárias Bienais em diversos países.

A 56ª Bienal de Veneza (2015), sob curadoria do nigeriano Okwui Enwezor com a temática “Todos os futuros do mundo” incidiu sobre a desigualdade de oportunidades. Enwezor foi o primeiro negro a assumir a Bienal de Veneza. Cabe lembrar que a Nigéria recentemente criminalizou a “mutilação genital feminina”, pratica que, segundo a UNICEF, atingiu 125 milhões de meninas em quase 30 países do continente africano.

 

Alguns temas e obras discutidos na 31ª Bienal:

Apelo (2014), de Clara Ianni e Débora Maria da Silva. O Vídeo “convoca ao vivos para recordar os mortos… confrontando o esquecimento”. O local da discussão é o Cemitério Dom Bosco, “criado em 1971 pelo governo militar para receber cadáveres de vítimas do regime repressor…”. O mesmo local, hoje, absorve as “vítimas das ações conduzidas pelos esquadrões da morte da Polícia Militar de São Paulo”. Débora Maria da Silva é uma das mães que “perderam seus filhos devido a violência policial” (Guia 31ª Bienal, p. 40-41). Associado a isso está a luta contra a redução da maioridade penal.

Clara Iannni e Débora Maria da Silva, Apelo, 2014. Estudo para filme.

Clara Iannni e Débora Maria da Silva, Apelo, 2014. Estudo para filme.

AfroUFO (2014), de Tiago Borges e Yonamine. Um óvni de um futuro incerto que pousou no Brasil todo pichado ou do “pixo”. O contato estético e a intervenção no espaço interno nos reporta a uma “história colonial comum”. Nossa relação vital com o continente Africano, com séculos de escravidão à uma liberdade que hoje contempla também o discurso sobre a redução da maioridade penal e o perfil das superlotações nos presídios.

Tiago Borges e Yonamine: AfroUFO, 2014.  (local interno da nave)

Tiago Borges e Yonamine: AfroUFO, 2014. (local interno da nave)

Coletivo Mujeres Creando, “fundado em La Paz em 1992… constituindo por prostitutas, poetas, jornalistas, vendedoras de mercado, trabalhadoras domésticas, artistas, costureiras, professoras…” O coletivo é atuante em performance, instalações propiciando debate público a “ditadura do patriarcado sobre o corpo da mulher… porque não há nada mais parecido com um machista de direita que um machista de esquerda” (Catálogo 31ª Bienal, p. 35) Atrelada às discussões da autonomia do próprio corpo estão índices altíssimos de problemas decorrentes de abortos realizados na clandestinidade, porque nos países da América do Sul o aborto é ilegal e penalizado. O “sexismo e o patriarcado institucionalizado” vêm aumentando o número de casos de estupros nas grandes cidades. O silêncio, a vergonha e o medo não são computados, embora o índice seja crescente.

Mujeres Creando - útero ilegal, 2014. (série 13 horas de rebelión) Instalação de escultura e vídeo.

Mujeres Creando – útero ilegal, 2014. (série 13 horas de rebelión) Instalação de escultura e vídeo.

Também com Giuseppe Campuzano (1969-2013) quando em 2004 criou o Museo Travesti del Peru; Sergio Zevallos e suas discussões sobre andrógenos, transgêneros e travestis “um conjunto de corpos no qual ´há´ privação de sua condição humana, não por registro e vigilância, mas pelo silêncio e apagamento de seus rastros.” (Catálogo 31ª Bienal, p. 242)

Giuseppe Campuzano, Carnet, 2011. Fotografias para documento de identidade.

Giuseppe Campuzano, Carnet, 2011. Fotografias para documento de identidade.

UEINZZ grupo cênico que prioriza “experimentações estéticas minoritárias por “um bando de: quaisquer-frageis-filósofos-terapeutas-esquizos-e-outros-poetas…” (Catalogo 31ª Bienal, p. 229). Entre os atores da Cia. está o filósofo Peter Pál Pérbart da PUC SP, ativo na luta pela Cátedra Foucault. Em 2012 ao expressar oposição artística contra uma nomeação ao cargo de reitora, esteve entre os três docentes listados a expulsão causando comoção acadêmica e por fim, arquivamento do processo de expulsão. No entanto, o caso de manifestação artística desembocou em 2015, em um processo a “Zé Celso Martinez Corrêa e sua trupe dionisíaca” pela encenação no dia da manifestação.

Éder Oliveira com suas pinturas enormes de “jovens delinquentes” ou apenas garotos, menores de idade que estão à margem da sociedade. O perfil desses jovens tem muito da nossa história de séculos de violência e de abandono “caboclos com traços de índios e negros” (Guia 31ª Bienal, p. 147). Aliás, a temática violência aparece em um todo da Bienal, mortes prematuras de crianças por esquadrões da morte, ditaduras militares que assassinaram jovens manifestantes aos desaparecimentos. Violência impregnada nas ruas, nas canções, nos vídeos como do turco Halil Altindere como o seu Wondeland (2013), dos cartazes do argentino Juan Carlos  Romero com  Violência (1973-1977).

Éder Oliveira, sem título - intervenção urbana, 2013.

Éder Oliveira, sem título – intervenção urbana, 2013.

Entre tantas obras e tantos coletivos, o artista argentino León Ferrari (1920-2012) e sua parceria de quinze anos com o coletivo de Buenos Aires, Etcétera, criado em 1997. A obra de León “Palavras Alheias: conversas de Deus com alguns homens e de alguns homens com alguns homens e com Deus” de 1967, vem do combatente artista (Ateu) que empunhou suas mãos à criação de obras que denunciassem responsabilidades, principalmente da igreja católica em momentos históricos da Argentina. O elo entre o artista renomado e o coletivo vem do conhecimento do passado à obra contemporânea Errar de Dios.

León Ferrari e Coletivo Etcétera, 2014.

León Ferrari e Coletivo Etcétera, 2014.

Referências:

31ª Bienal (Catálogo e Guia), Como (…) coisas que não existem, 2014.

Blog do IMS, por Carla Rodrigues http://www.blogdoims.com.br/ims/profissao-professor-proanacao-carla-rodrigues

Paraná 247, por Mário Sérgio Cortella http://migre.me/qqRR7

Revista CULT junho 2015, n. 202, ano 18. O Terrorismo poético, Peter Pál Pelbart por Heitor Ferraz, p. 10-15.

Revista CULT, agosto 2013, ano 16, n. 182. Pela responsabilidade intelectual e política, Marilena Chauí por Juvenal Savian Filho.

O grupo Arquitetura Nova e Lina Bo Bardi

19 jan

Gisèle Miranda 

 

O surgimento da arquitetura moderna no Brasil se configurou na prática revolucionária: A arquitetura, mais do que as artes visuais, vive do diálogo com o poder das classes dominantes e a despeito da intencionalidade ou não explicita pelo produtor, a obra de arte é frequentemente manipulada politicamente em seus estágios de circulação… e consumo. (AMARAL, 2003, 16)

O grupo Arquitetura Nova teve a militância de Rodrigo Lefèvre (São Paulo, SP, 1938-Guiné-Bissau, 1984), Flávio Império (São Paulo, SP, 1935- idem, 1985) e Sérgio Ferro (Curitiba, PR,1938-). Os três repensaram a arquitetura e as condições de produção no canteiro de obras, além dos estudos de pintura e de arquitetura cênica e de trajes.

 

O trio fez experimentos no canteiro para valorizar, respeitar e mostrar o trabalho do pedreiro: desfazendo do revestimento sobre a alvenaria, e deixando aparentes as instalações elétricas e hidráulicas. Os arquitetos do grupo adotaram uma diferenciada relação com os trabalhadores, cuja assinatura não é posta no edifício, mas suas passagens são testemunhos laborais mesmo que marginalizados do registro institucionalizado.

Lefèvre, Ferro e Império representaram a FAU/USP na VI Bienal de Artes de São Paulo,  em 1961, governo Jango, do fortalecimento das lutas populares, das Ligas Camponesas, e das reformas de base. O grupo primou pela socialização de conhecimentos e cooperação mútua entre arquiteto e operário.

O Cinema Novo, os Centros Populares de Cultura, o Teatro de Estudantes do Brasil (TEB) e do Teatro de Arena inspiraram os arquitetos Lefèvre, Ferro e Império. Eles conceberam para a arquitetura moderna brasileira, além de um programa de cunho popular, atuações no Teatro de Arena com rigor crítico, destacando-se na reformulação da cenografia brasileira, no diálogo direto com a matéria e com o processo de criação e de intercâmbio. Mas com o golpe militar de 1964 no Brasil, os ideais democráticos foram cerceados, diminuindo progressivamente as atividades do grupo. Em 1970, Lefrève foi preso e torturado pelo DOPS.

A arquiteta italiana Lina Bo Bardi (Roma, Itália, 1914- São Paulo, SP, 1992) se aproximou do grupo Arquitetura Nova e impulsionou a arquitetura cênica e de trajes. Ela defendeu a abertura de aspectos da contemporaneidade, e restabeleceu a relação entre a arte, a vida e o cotidiano moderno: Abaixo o amuo dos museus tradicionais, disse Lina (BARDI, Lina, 2008; 74)

Lina observou que o museu ainda era concebido como templo, na presença da enfática monumentalidade dos elementos clássicos. O museu deveria atender à demanda cultural de um país. Dessa forma, o Museu de Arte de São Paulo foi pensado com ações voltadas à valorização de obras artísticas antigas e modernas. Assim como o próprio projeto do MASP visava utilização do vão livre para as manifestações, apresentações de cinema, música, dança e feiras de antiguidades e artesanatos. 

Lina buscou o reconhecimento da cultura popular brasileira, acreditando na influencia que isso acarretaria no desenvolvimento do país. Ela deu sequência ao olhar de Mário de Andrade (década de 1930) sobre a qualidade dos artesanatos do Brasil.

Destaque também ao projeto que Lina idealizou para o SESC Pompéia – onde a arquiteta, em parte conservou as antigas instalações da Fábrica da Pompéia e buscou a integração entre o antigo e o novo. De 1977 a 1982, Lina tratou a fábrica segundo seu valor documental e histórico. Em 1984 Lina fez a restauração do Teatro Oficina.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Referências

AMARAL, Aracy. Arte para quê? A preocupação social na arte brasileira 1930-1970. 3. ed. Studio Nobel: 2003.

ARANTES, Pedro Fiori. Arquitetura Nova: Sérgio Ferro, Flávio Império e Rodrigo Lefèvre, de Artigas aos mutirões. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2004.

FERRAZ, Marcelo (Coord). Lina Bo Bardi. São Paulo: Imprensa Oficial, 2008.

MANGUEL, Alberto. Claude-Nicolas Ledoux: Imagem como filosofia; IN: MANGUEL, Alberto. Lendo imagens – uma história de amor e ódio. São Paulo: Ed. Companhia Das Letras, 2001.

Justiça de Transição no Brasil: dimensões conceituais e relevância histórica articulados entre a História e o Direito. (Parte II)

8 jan

por Jozy Lima

O que é Justiça de Transição?

O termo justiça de transição indica uma distinção entre a ideia de justiça, de modo geral, e a especificidade político-jurídica do conceito contida no termo transição. Nesse sentido, Torelly aponta que:

A ideia de “justiça” presente no termo difere daquela apresentada em conceituações abstratas de justiça, como, por exemplo, uma concepção rawlsiana (Rawls, 2002), uma vez que o ponto de partida é eminentemente concreto e contingente, de tal feita que o conhecimento do processo genealógico da ideia de justiça de transição importa para a localização histórica de seus conteúdos, fontes de normatividade e referenciais no direito positivado, uma vez que os casos concretos de transições é que modularam, no tempo, o próprio escopo do conceito.(ALMEIDA; TORELLY. 2010, p. 39)

Portanto, o conceito vincula-se aos processos históricos de transição de ditaduras para regimes pós-ditatoriais. A origem, o termo é atribuído aos estudos de Ruti Teitel. Ela é a co-presidente-fundadora da Sociedade Americana de Direito Internacional – Grupo de Estudo em Justiça de Transição e Estado de Direito. Nos estudos sobre justiça de transição suas análises são referências essenciais, embora permaneçam sem tradução no Brasil. Por isso, as citações adiante foram extraídas dos estudos brasileiros que mencionam suas contribuições, entre eles o de Cecília Macdowell Santos. Pesquisadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal e Professora da Universityof San Francisco, Estados Unidos, a autora, quanto a origem do termo, afirma:

O termo transitional justice (justiça de transição) foi cunhado pela professora de direito Ruti Teitel em 1991, referindo-se aos processos de transformação política e jurídica nos contextos de transições para as “novas democracias” na América Latina e na Europa do Leste. Teitel (2000) propõe uma abordagem indutiva, construtivista e contextualizada da justiça de transição.[…] Em sua genealogia da justiça de transição desde o final da II Guerra Mundial, Teitel (2003) identifica três fases: a primeira, que é marcada pelos Tribunais de Nuremberg, criou importantes precedentes jurídicos, mas foi sui generis. A segunda fase refere-se às transições para a democracia na América Latina e à queda do comunismo no bloco soviético a partir dos anos 1980. Esta fase caracterizou-se pela democratização combinada com algumas medidas de transição e a privatização da economia, deixando-se a cargo da iniciativa individual a litigância. A terceira e atual fase caracteriza-se pela normalização e globalização do paradigma de justiça de transição, com um consenso em torno da necessidade de se lidar com o passado. (SANTOS, 2010, p.129)

Assim, as peculiaridades históricas de cada sociedade influencia no tipo de justiça de transição que irá emergir, ou seja, no modo como o passado será enquadrado, nas diversas instâncias do Estado e da sociedade. Entretanto, em termos gerais, quanto a América Latina, algumas semelhanças são apontadas: 

A sucessão de regimes repressivos e autoritários, ditatoriais e/ou totalitários que avassalaram a América Latina, entre meados dos anos 60 e 80, ainda não foi tratada de forma sistemática por nenhum regime democrático em processo de afirmação do continente. Isso se justifica, de uma parte porque todas as transições políticas para a democracia foram feitas sob compromisso. De outra porque a democracia expandiu-se mais como “forma” do que como “substância”. Na verdade, nenhum dos regimes de fato foi derrotado ou derrubado por movimentos revolucionários de caráter popular; logo, os valores que sustentaram as ditaduras ainda são aceitos como “razoáveis” para a época da guerra fria, e também face às “barbáries também cometidas pelos resistentes de esquerda”. (GENRO, 2010, p.18)

Gontran Guanaes Netto,  autoretrato, 1954-1964;  recorte fotográfico em P&B, 1980

Gontran Guanaes Netto, autoretrato, 1954-1964; recorte fotográfico em P&B, 1980

Justiça de transição, portanto, não é um modelo ou tratado a ser cumprido. É produto de experiências históricas de cada país quanto aos caminhos trilhados para lidar com o legado dos regimes autoritários. Cabe ressaltar que no meio acadêmico e jurídico o interesse pelo tema é recente, como revela o estudo que resultou numa dissertação de Mestrado em Direito, pela Universidade de Brasília. O autor aponta a novidade do assunto em âmbito acadêmico:

A ausência de estudos teóricos e empíricos aprofundados sobre a justiça de transição no Brasil faz prevalecerem análises primárias que apenas repercutem um senso comum baseado em dois diagnósticos: o primeiro, de que o processo de acerto de contas (“accountability”) do estado brasileiro com o passado priorizou apenas o dever de reparar, valendo- se de um parâmetro reparatório baseado em critérios de eminente natureza trabalhista que seria impertinente e, um segundo, de que a ideia de “anistia” que, em sentido etimológico significa esquecimento, deturparia as medidas justransicionais do Estado brasileiro pois em última análise faria o país viver um processo transicional que procura esquecer o passado, e não superá-lo. (ABRÃO; TORELLY, 2010, p. 29) 

Gontran Guanaes Netto, autoretrato,1968-1969; recorte fotográfico em P&B, 1980

Gontran Guanaes Netto, autoretrato,1968-1969; recorte fotográfico em P&;B, 1980

No campo das pesquisas acadêmicas novos arquivos indicam que há muito por fazer. Vide recente notícia sobre os trabalhos coordenados pelo professor James Green, da Brown University e pelo professor Sidnei Munhoz, da Universidade Estadual de Maringá, com a participação de estudantes. De acordo com a publicação “até agosto, a equipe estará instalada no National Archives & Record Administration (Nara), College Park II, Maryland, nas proximidades de Washington, onde a maior parte dos documentos oficiais do Estado está guardada nos Estados Unidos.” Ainda de acordo com o Professor Munhoz da Universidade Estadual de Maringá:

A primeira contribuição é auxiliar na pesquisa e na busca do conhecimento histórico em um período tão marcante como foi a ditadura militar. Em segundo lugar, é preciso destacar a importância social de nosso projeto. Isso porque, até o fim do ano, queremos disponibilizar tudo o que foi reunido digitalizado na internet. Qualquer pessoa no Brasil ou fora dele terá acesso ao material.

Gontran Guanaes Netto, autoretrato, 1972; recorte fotográfico em P&B, 1980

Gontran Guanaes Netto, autoretrato,1971- 1972; recorte fotográfico em P&B, 1980

Ressalte-se que, em termos de justiça de transição, as dimensões jurídicas e históricas se encontram também no direito à memória, entre outros. Entre os direitos que englobam o tema, Roberta Camineiro Baggio, Professora Doutora da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia e Conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Baggio acentua que:

A concepção de justiça de transição tem sido consolidada ao longo das últimas décadas, principalmente sob o ponto de vista acadêmico, tendo atingido uma conformação normativa muito recente no cenário internacional, especialmente após as decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos, a instituição do Tribunal Penal Internacional e o relatório do secretário-geral da ONU sobre a temática, apresentado ao Conselho de Segurança. Ainda que o termo justiça de transição possa causar controvérsias, não há muitas dúvidas sobre as dimensões englobadas pelos debates instigados até hoje por esse tema, sendo possível dividi-las em quatro: o direito à memória e à verdade, o direito à reparação das vítimas, a responsabilização dos agentes perpetradores das violações aos direitos humanos e a readequação democrática das instituições que possibilitaram os abusos de poder.(BAGGIO, 2010 p.269).

No citado relatório do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, intitulado O Estado de Direito e a justiça de transição em sociedades em conflito ou pós-conflito, produzido em 2004, indica-se as perspectivas jurídicas e políticas que envolvem a questão do legado de violações dos regimes autoritários:

A noção de “justiça de transição” discutida no presente relatório compreende o conjunto de processos e mecanismos associados às tentativas da sociedade em chegar a um acordo quanto ao grande legado de abusos cometidos no passado, a fim de assegurar que os responsáveis prestem contas de seus atos, que seja feita a justiça e se conquiste a reconciliação. Tais mecanismos podem ser judiciais e extrajudiciais, com diferentes níveis de envolvimento internacional (ou nenhum), bem como abarcar o juízo de processos individuais, reparações, busca da verdade, reforma institucional, investigação de antecedentes, a destituição de um cargo ou a combinação de todos esses procedimentos (ANNAN, 2009, p.325)

Contribuem à compreensão do tema as análises que discutem o entrelaçamento jurídico e político que perpassam as experiências de justiça de transição, sobretudo, quanto às estruturas de poder que sustentavam o regime anterior e remanescem no regime posterior. Diante da questão o estudo de Cecília Macdowell Santos, pontua que:

[…] a concepção de justiça de transição apresenta algumas limitações teóricas e analíticas. Uma das questões a ser problematizada refere-se à maneira como se pensa a relação entre o direito e a política. Ao contrário do argumento de Teitel, no sentido de que o direito está mais influenciado pelo contexto político nos momentos de transição, os estudos críticos do direito mostram que o direito e a política estão intimamente ligados em qualquer contexto político. Os processos criminais que tramitaram na Justiça Militar brasileira, entre março de 1964 e abril de 1979, estavam tão influenciados pelo contexto político repressivo daquele momento quanto a Lei de Anistia de 1979 foi moldada pelo contexto político da chamada “abertura lenta, gradual e segura”. No mesmo sentido, as recentes ações declaratórias contra torturadores, ajuizadas por ex-presos políticos e seus familiares, também são influenciadas pelo contexto político que atualmente se considera “democrático” e que é marcado pela globalização dos direitos humanos e do paradigma de justiça de transição. (SANTOS, 2010, p.131)

Outro aspecto fundamental que permeia os estudos diz respeito aos obstáculos que impedem os avanços das medidas de justiça de transição. Nesse sentido, lida-se com as consequências de determinada concepção de anistia que sustentou a transição da ditadura ao regime pós-ditadura, por meio da Lei de Anistia, no modo como foi interpretada e consolidada:

O principal obstáculo à consecução da regularização das funções da justiça pós-autoritarismo é produto da persistência histórica de uma interpretação dada pela própria ditadura à lei de anistia de 1979, pretensamente vista como uma “anistia bilateral” que camufla uma auto-anistia, e pela omissão judicial em promover sua adequada, íntegra e coerente interpretação, sob a luz dos princípios constitucionais democráticos e dos tratados e convenções internacionais em matéria de direitos humanos. Nesse sentido veio a realização da Audiência Pública “Os limites e possibilidades para a responsabilização jurídica de agentes públicos que cometeram crimes contra a humanidade durante períodos de exceção” promovida pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça em 31 de julho de 2008, que expôs oficialmente a controvérsia jurídica relevante acerca desta auto-anistia aos atos cometidos pelos agentes de Estado envolvidos na prática sistemática de tortura e desaparecimento forçado como meios de investigação e repressão. (ABRÃO; TORELLY, 2010 p.36)

Após a Audiência Pública, promovida pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, sobre as possibilidades de responsabilização criminal por fatos tipificados como crime praticados por agentes públicos durante 1964-1985, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, ingressou no Supremo Tribunal Federal, com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, onde questionou o § 1º do Art. 1º da Lei de Anistia. A ADPF foi julgada improcedente por sete votos a dois, ou seja, foi mantida a interpretação da Lei de Anistia tal qual sustentou o status quo dos agentes públicos e da elite política no pós-ditadura.

Gontran Guanaes Netto,  1975;  recorte fotográfico em P&B, 1980

Gontran Guanaes Netto, 1975; recorte fotográfico em P&B, 1980

Referências:  Justiça de Transição no Brasil: dimensões conceituais e relevância histórica articulados entre a História e o Direito (Parte I)

Sobre o artista Gontran Guanaes Netto: V. Dados Biográficos de Gontran Guanaes Netto

Justiça de Transição no Brasil: dimensões conceituais e relevância histórica articulados entre a História e o Direito (Parte I)

8 jan

por Jozy Lima

 

Os crimes da ditadura, os tempos da ditadura e a história da ditadura brasileira do período 1964/1985 são objetos de estudos historiográficos. São também, componentes das memórias daqueles que resistiram, daqueles que apoiaram e dos que atuaram como  torturadores, na condição de agentes públicos, em nome do Estado. A questão da tortura como política de Estado é uma discussão necessária, independente de sua apreciação pelo Poder Judiciário. Entretanto, questionamentos jurídicos e políticos acerca dos crimes praticados, por agentes públicos, na vigência do Estado de exceção retornaram à cena histórica, em âmbito jurídico, por meio de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, impetrada pela Ordem dos Advogados do Brasil, em 2008. A ADPF 153 foi julgada improcedente em outubro de 2010. Votou-se, no Supremo Tribunal Federal, pela manutenção do status quo da impunidade.

Trabalho coletivo: Gontran Guanaes Netto, Julio Le Parc, Alejandro Marco, Jose Gamarra, 1973. Gontran Guanaes Netto:

Sala Escura da Tortura, trabalho coletivo: de  Gontran Guanaes Netto, Julio Le Parc, Alejandro Marco, Jose Gamarra, 1973. Gontran Guanaes Netto: “Ao realizarmos a Sala Escura pensamos em dar uma modesta contribuição em uma exposição limitada no tempo. Hoje nos sentimos surpresos diante do fato de nosso impulso coletivo ter se transformado em símbolo das realidades de uma época de violências arbitrarias movidas pelo poder do Estado.”, 2012.

Dúvidas sobre a constitucionalidade da Lei nº 6.683/1979 – conhecida como Lei de Anistia – colocou na pauta do Judiciário a questão da anistia aos perpetradores de crimes contra os opositores e resistentes à ditadura militar. É fato que a possibilidade de punição em relação a determinados crimes da ditadura está em questão e ensejou o ingresso de quatro ações penais pelo Ministério Público, das quais, três foram aceitas pelo poder judiciário. Também, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei para alcançar penalmente os agentes públicos que perpetraram violações aos direitos humanos.

A Lei Federal 6.683/1979 – Lei de Anistia, gestada na Casa Civil da Presidência da República, sob o comando do General Golbery do Couto e Silva e votada no Congresso Nacional em 1979, é objeto de questionamento jurídico e político sobre a impunidade decorrente de sua aplicação. Depois de passados quase 30 anos, o Supremo Tribunal Federal foi solicitado a dar uma interpretação, conforme a Constituição de 1988, ao dispositivo da Lei de Anistia.

Em 2008, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ingressou no Supremo Tribunal Federal, com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. No documento, questionou-se a Lei de Anistia. Foi solicitado ao STF “a sua adequada interpretação quanto a não abrangência, desde o tempo da sua edição, para os crimes dos agentes torturadores”. A ADPF 153 foi julgada improcedente em outubro de 2010. Em novembro 2010, o Brasil foi condenado perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos, no caso Gomes Lund e outros (“Guerrilha do Araguaia”) a “conduzir eficazmente, perante a jurisdição ordinária, a investigação penal dos fatos do presente caso a fim de esclarecê-los, determinar as correspondentes responsabilidades penais e aplicar efetivamente as sanções e consequências que a lei preveja[…]”

De um lado, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental impetrada pela OAB e a sentença do caso Gomes Lund reacenderam o debate jurídico e político sobre a responsabilização criminal dos agentes públicos quanto aos atos praticados durante o regime autoritário, assim como, sobre o conjunto de medidas configuradas como justiça de transição. Por outro lado, também impuseram a necessidade de revisitar a historiografia e discutir determinadas interpretações sobre os fatos históricos que legitimam decisões jurídicas.

 

 

Sobre o artista Gontran Guanaes Netto: Dados Biográficos de Gontran Guanaes Netto

 

Referências:

ABRÃO, PAULO; TORELLY, MARCELO D. Justiça de Transição no Brasil: a dimensão da Reparação. In: Repressão e Memória Política no Contexto Ibero-Brasileiro: estudos sobre Brasil, Guatemala, Moçambique, Peru e Portugal. Brasília: Ministério da Justiça, Comissão de Anistia; Portugal: Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais, 2010. Disponível em <http://www.memoriasreveladas.arquivo nacional.gov.br/media Repre_Memoria_pdf> Acesso em 24/06/2012.

________________ As dimensões da Justiça de Transição no Brasil, a eficácia da Lei de Anistia e as alternativas para a verdade e a justiça In: A anistia na era da responsabilização: o Brasil em perspectiva internacional e comparada. Brasília: Ministério da Justiça, Comissão de Anistia; Oxford: Oxford University, Latin American Centre, 2011. Disponível em <http://srvweb.uece.br/labvida/dmdocuments/a_anistia_na_era_da_responsabilizacao.pdf#page=215.> Acesso em 25/01/2013.

________________Mutações do Conceito de Anistia na Justiça de Transição Brasileira: a terceira fase da luta pela anistia. In: Revista da Anistia Política e Justiça de Transição, N. 7 (jan. / jun. 2012). – Brasília : Ministério da Justiça , 2012b.

ACUNHA, Fernando José Gonçalves; BENVINDO. Juliano Zaiden. Juiz e Historiador, Direito e História: uma análise crítico hermenêutica da interpretação do STF sobre a Lei de Anistia. In: Revista NEJ – Eletrônica, Vol. 17 – n. 2 – p. 185-205 / mai-ago 2012 Disponível em: www.univali.br/periodicos. Acesso em 20/05/2013

ALMEIDA, E. TORELLY M.. Justiça de Transição, Estado de Direito e Democracia Constitucional: estudo preliminar sobre o papel dos direitos decorrentes da transição política para a efetivação do Estado Democrático de Direito. Sistema Penal & Violência, Porto Alegre, 2, mar. 2011. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/sistemapenaleviolencia/article/view/8111/6041. Acesso em: 15 Mar. 2013.

ANNAN, Kofi . O Estado de Direito e a justiça de transição em sociedades em conflito ou pós-conflito. Relatório S/2004/616 apresentado ao Conselho de Segurança da ONU em 23.08.04. In: Revista da Anistia Política e Justiça de Transição, nº. 01, pp. 320-51, Brasília, jan/jun, 2009. p. 325. Disponível em: < http://www.memoriasreveladas. arquivonacional.gov.br/media/ Repre_Memoria _pdf> Acesso em 24/06/2012

BAGGIO, Roberta Camineiro. Justiça de Transição como Reconhecimento: limites e possibilidades do processo brasileiro In: Repressão e Memória Política no Contexto Ibero-Brasileiro: estudos sobre Brasil, Guatemala, Moçambique, Peru e Portugal. Brasília: Ministério da Justiça, Comissão de Anistia; Portugal: Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais, 2010. p 260-286. Disponível em: <http://www.memoriasreveladas. arquivonacional. gov.br/media Repre_Memoria_pdf> Acesso em 22/03/2012

BRASIL. Lei n. 6.683, de 28 de agosto de 1979. Concede anistia e dá outras providências. Diário Oficial da União [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 28 ago. 1979. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/>. Acesso em: 17 fev. 2012.

CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. Petição incial. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 153. Disponível em <www.stf.jus.br/portal/geral/verPdfpaginado.asp?id=330654.> Acesso em 21/05/2013.

CORTEIDH – Corte Interamericana de Derechos Humanos. Caso Gomes Lund y otros (Guerrilha do Araguaia) vs. Brasil: excepciones preliminares, fondo, reparaciones y costas: sentencia de 24 de noviembre de 2010. Serie C. n. 219. Disponível em: <http://www.corteidh.or.cr/casos.cfm>. Acesso em: 17/04/2012.

MEYER, E.P.N. Ditadura e Responsabilização: elementos para uma justiça de transição no Brasil. Belo Horizonte: Arraes Editores, 2012.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. Relatório preliminar de atos de persecução penal desenvolvidos pelo MPF acerca de graves violações de direitos humanos cometidas por agentes do Estado durante a ditadura. Disponível em http://noticias.pgr.mpf.mp.br/noticias Acesso em 19/07/2013.

PEREIRA, Anthony W. Ditadura e Repressão: o autoritarismo e o estado de direito no Brasil, no Chile e na Argentina. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

PIRES JÚNIOR, Paulo Abrão. O alcance da Lei de Anistia: O último passo. In: Seminário Internacional Sobre Justiça Internacional Penal, 2010, São Paulo. Palestra. Disponível em: <http://portal.mj.gov.br/main.asp?Team= 2AD759EF-DCFB-46EB-A16C-73502B9C09EF>. Acesso em: 20 mai. 2013.

SANTOS, C. M. Memória na Justiça: A mobilização dos direitos humanos e a construção da memória da ditadura no Brasil. In: Revista Crítica de Ciências Sociais, 88. 2010, p. 127-154 Disponível em: < http://rccs.revues.org/1719; DOI 10.4000/rccs.1719.> Acesso em 08/06/2013.

SILVA FILHO, J. C. M. O Julgamento da ADPF 153 pelo Supremo Tribunal Federal e a Inacabada Transição Democrática Brasileira. Disponível em: < http://idejust.files.wordpress.com/2010/07/adpf153zk2.pdf >

30ª Bienal de São Paulo: Os fios tecidos de Arthur Bispo do Rosário

21 set

por Gisèle Miranda

 

A Bienal se reencontrou com as obras de Arthur Bispo do Rosário e desta vez sob curadoria de Luis Pérez-Oramas.

Pérez-Oramas foi incisivo em sua “iminência das poéticas” e nas vozes diferenciadas que ecoam. Esse é o elo, o fio de Bispo (outrora de Ariadne) que fia e desfia na arquitetura de Oscar Niemeyer. Se Babel, labirinto ou oceano, as vozes apresentam-se  em um “ensaio polifônico”.

Em meio a isto, Bispo surpreende. Foi alvo da limpeza social da época, escapou da lobotomia e conviveu sob preconceitos, mesmo que isso não tivesse claro para ele. Melhor assim, bastavam as vozes de sua esquizofrenia já que as vozes do Estado e da sociedade só o discriminavam.

Superação com sentidos variados incluso pela perspectiva-escrita de Rodrigo Naves quando relacionou a vida de Bispo (e de muitos outros artistas) às dificuldades gritantes de nossos atletas, visto pelo histórico e os recentes jogos Olímpicos e Paralímpicos. Disse ele:

Um país tão permeado por desigualdades como o Brasil produziu um sem-número de artistas e atletas – acho interessante aproximá-los de origem pobre que encontram um modo de superar as adversidades sociais por meio e maneiras muito diferentes de expressão. Se a injustiça social não encontrou entre nós – ao menos até os anos 80 – uma resposta política efetiva, parece fora de questão que artisticamente nosso meio cultural seria muito menos rico sem a contribuição daqueles que teriam tudo para permanecer silenciosamente à margem. [1]

De fato essa correlação é muito oportuna. Alguns superam “a margem” quase como um milagre. Para o descrente, a revolta e a certeza que muitos ficaram no caminho sem volta.

Arthur Bispo do Rosário

A 30ª Bienal foi tomada pelo fio e desfio de Bispo do Rosário – o des- A- fio de suas vestimentas, das palavras bordadas e alinhavadas aos pensamentos. Bispo é nosso Oceano Atlântico. Nele Bas Jan Ader continua vivo no encanto performático e mítico de seu desaparecimento. [3]

O oceano Atlântico que expurgou o marinheiro-artista Bispo do Rosário é o mesmo que sugou o artista-marinheiro Bas Jan Ader – se nos atermos sobre “a falha, a queda, o risco… e a finitude da vida”[2] – elementos intrínsecos a curadoria sem estrelismos de Pérez-Oramas; “clean” para a maioria crítica, mas com a consciência histórica das Bienais desde 1951 às oscilações da 29º Bienal em meio às controvérsias da”pichação e do vazio”. (*)

Neste oceano há fios, redes conectados à arte têxtil de Sheila Hicks, “rejeitando os limites tradicionais que separam a arte, artesanato e design”, seduzida pelos cantos inebriantes da “tecelagem das Américas do Sul e Central”[4].

Michel Aubry também içado pelos fios costurou “mobílias, instrumentos, tecidos…” como mantos históricos e com seus “sintomas políticos e sociais ”[5]. Em um dos mantos  – “sobretudo” – Aubry imprime traças à visão de tragédias e intolerâncias de um passado recente e numa taxidermia com linhas e agulhas.

Bispo alinhavou com outros artistas, cortou, fez e desfez no “risco” de Bas Jan Ader à preponderância das texturas, dos tecidos e tons, visibilidades geracionais em consonância a identidade e a coletividade através das fotografias de Hans Eijkelboon, na moda dos anos de 70 e 80 do Studio 3Z , de August Sander, entre os 111 artistas desta 30ª Bienal de São Paulo.

Muitos tecidos, muitas costuras, muitas experiências; muitas linhas e agulhas. Por quê? – Há uma amplitude e complexidade do tema. [6]

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

 

Notas:

(*) V. Bienais de Arte de São Paulo: Salve, Basquiat

(1) Rodrigo Naves. Na criação de Arthur Bispo do Rosário a palavra adquire novas realidades. In O Estado de S. Paulo. 2014.

[2] Catálogo da 30ª Bienal de São Paulo: A iminência das poéticas / curadores Luis Pérez-Oramas  {et al.}. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2012, p. 110

[3] Bas Jan Ader desapareceu “no oceano Atlântico ao tentar atravessá-lo com minúsculo veleiro enquanto realizava a segunda parte de um tríptico chamado In Search of the Miraculous”. In: Catálogo da 30ª Bienal, 2012, p. 110-111.

[4] In: Catálogo da 30ª Bienal de São Paulo, 2012, p. 279.

[5]  In: Catálogo da 30ª Bienal de São Paulo, 2012, p. 228-229.

[6] Walter Zanini em 10 de fevereiro de 2010 – na apresentação do Livro de: COSTA, Cacilda Teixeira da. Roupa de artista – o vestuário na obra de arte. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo: EDUSP, 2009.

Outras referências:

ARTHUR Bispo do Rosário. Emanuel Araújo {et. AL} Organizador e curador Wilson Lázaro. Rio de Janeiro: Réptil, 2012.

BOUCHER, François (1885-1966) História do vestuário no Ocidente: das origens aos nossos dias. São Paulo: Cosac & Naify, 2010.

Catálogo da 30ª Bienal de São Paulo: A iminência das poéticas / curadores Luis Pérez-Oramas  {et al.}. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2012

DANTAS, Marta. Arthur Bispo do Rosário: a poética do delírio. São Paulo: UNESP, 2009.

HIDALGO, Luciana. Arthur Bispo do Rosário: o senhor do labirinto. Rio de Janeiro: ROCCO, 2011.

Grito do Silêncio

24 ago

Por Gontran Guanes Netto

Nesta sala obscura e silenciosa um grito repercute na consciência.

Ao penetrarmos em uma caverna pré-histórica uma grande emoção nos invade diante das pinturas, marca indelével de humanidade. Outras marcas através dos tempos deixaram testemunhos diversos desta presença humana. A capela Sistina nos energiza de calor humano. Através da pintura Guernica será eternizada uma testemunha da violência exterminadora.

Ao realizarmos a Sala Escura pensamos dar uma modesta contribuição em uma exposição limitada no seu tempo. Hoje nos sentimos surpresos diante do fato de nosso impulso coletivo ter se transformado em símbolo das realidades de uma época de violências arbitrarias movidas pelo poder do Estado.

Sala Escura da Tortura, trabalho coletivo: Gontran Guanaes Netto, Julio Le Parc, Alejandro Marco, Jose Gamarra, 1973

Atualmente nada nos move ao apropriarmos desta sala, mas estamos convencidos do que ela representa na apropriação de todas as consciências não omissas, motivando- as a darem uma contribuição concreta para que seja admitida a necessidade de punição exemplar para definitivamente extirpar este vírus maligno.

Não podemos de nenhuma forma aceitar omissões, justificativas que isentem responsáveis das aberrações cometidas. Esta sala silenciosa será símbolo permanente de cobrança de justiça e pesa como memória silenciosa e duradoura.

http://salaescuradatortura.com.br/

Gerações

24 ago

por Gisèle Miranda

 

Dentre as leituras em periódicos encontrei uma pérola temática: “a Geração Perdida” no espaço do leitor. (‘Somos a geração perdida’, avalia aluno da UnB )

A bem capturada ideia à marca da geração remeteu a Hobsbawm (1917-2012), em sua escrita e na licença necessária do historiador de experienciar o presente, a partir de sua trajetória intelectual. De sua geração, a maioria se foi. Mas as gerações posteriores estão aí como partes (geracionais) do “breve século 20” – desde seu fluxo tardio às questões atuais do século 21.

Há todo um contexto histórico nas minúcias geracionais. Para uns, a liberdade, para outros, a existência, a democracia e etc. Mas há marcas desses contextos históricos que nos fazem elos geracionais. O lixo abunda, e a valorização dos canais com o mundo raramente alimentam o olhar sobre o outro em solidariedade, mas ego-massageia a alienação. Para quê o outro?

O que se detecta criticamente é que o outro não tem importância, não tem história, não tem memória, e que na intensidade de alcançar o futuro, esquece-se das diferenças. Há a socialização cultural ou comosocialização política, isto é, os meios pelos quais o conhecimento, as idéias e os sentimentos são transmitidos de uma geração para outra. (BURKE, 2002: 111).  Essa transmissão tem tomado a forma alienante e cogita ser apolítico – como se pudesse!

E um dos pontos que precisa ser reconhecido em função desse desmembramento é que, quem nega a diferença entre esquerda e direita está procriando um núcleo de direita, segundo Hobsbawm.

Os dois historiadores citados conheceram o Brasil, não como turistas, mas como pensadores e amigos de causas que lhes dizem respeito. E a historiadora que vos escreve é uma brasileira; e sou de um tempo – de uma geração – que provém do existir como exercício memorial; pelas condições de inexistencialidade; geração da ditadura militar, do silêncio, da abertura democrática, da AIDS, da diversidade das drogas, de um alto índice de suicídios, da presença na ausência, da globalização. (Lia MIRROR)

Sou de um povo e de uma geração de cidadania ainda em construção pela herança cultural, que sobrevive sob vários aspectos e preponderantemente na violência. Historicamente temos marcas não sanadas no genocídio indígena, na escravidão de negros africanos, dos quais somos descendentes em mistura aos colonizadores.

Algo tem que ser reinterpretado e passado a limpo, pois ainda temos como memória imediata, um Estado que legitimou a tortura e o silêncio. Os frutos estão como bem relatado pelo aluno da UNB, na “impregnação de preconceitos” e de retrocesso dessa geração – geração desdobramento da minha, e por conseguinte, desdobramento da geração que lutou por um Estado democrático – e que convivem.

Sala Escura da Tortura, trabalho coletivo: Gontran Guanaes Netto, Julio Le Parc, Alejandro Marco, Jose Gamarra, 1973

O estudante universitário da UnB tem motivos de sobra para expor sua geração, afinal, as questões colocadas nos remetem a atos como a queima de índios e mendigos, agressões as mulheres, aos nordestinos, ao crescimento de neonazistas, homofobia, bullying, entre outros.

Paralelos a isso temos manifestações temáticas como: feminismo, drogas, sexualidade, entre outras. Em princípio encabeçadas por grupos sérios, mas que têm tido adeptos temáticos sem aprofundamento das questões – “a geração perdida”. Por isso, é mais comum do que se possa imaginar, encontrar feminista com tatuagem da suástica, homossexual com preconceito a nordestinos…, “jovens universitários defenderem que é a mulher quem precisa cuidar dos filhos, enquanto o homem provê o sustento da casa. Ouço também que os direitos das minorias não podem prevalecer caso “incomodem” à maioria.” (relato do jovem da UnB).

Que geração é essa?!

 

 

(*) Eric Hobsbawm nasceu em 1917 no Egito (Alexandria), sob o domínio britânico. Ele faleceu em 01 de Outubro de 2012, em Londres, aos 95 anos.

 

*

%d blogueiros gostam disto: