Série Antonio PETICOV IV: Cérebro Full Circle

15 fev

Por Gisèle Miranda

Na imagem Full Circle é perceptível a realização de uma secção para que fosse possível ver o lobo da ínsula (a ilha). Embora, sem a representação dos lobos parietal e frontal  vê-se parte do lobo occiptal – lobo responsável pela absorção dos impulsos advindos da retina.

Antonio Peticov (Assis, SP, 1946-), Full Circle, 1996.

A secção também foi realizada na cavidade da aparente forma de vulcão, para aguçar a percepção visual. A primeira redoma que abraça a imagem central (o vulcão) mostra a perspectiva apenas de um lado.

O córtex cerebral se apresenta como uma lâmina que recobre todo o cérebro (o entorno), e se diferencia na sua arquitetura, assim como em suas funções. Sua estrutura é fundamental, pois capta os estímulos internos e externos, onde todos os sentidos estão presentes. Pela medição do córtex cerebral, o indivíduo passa a ter conhecimento da temperatura, da dor.

Peticov…

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Série Antonio PETICOV III: Cérebro O Sonho de Xamã

15 fev

Por Gisèle Miranda

O Sonho de Xamã é fruto da trajetória de Peticov. Vozes, olhares e odores de quem cria. É um conjunto maquinal excitado para produzir respostas. Há o rigor de mostrar-se condizente no aspecto científico, porém tem seu peso direcionado a plasticidade criativa.

Antonio Peticov (Assis, SP, 1946-), O Sonho de Xamã, 1996

Na representação de Peticov, a imagem de uma árvore (em seu corte ao meio exato) que corresponde ao tálamo, situado na base do cérebro e tendo por designação o acasalamento de funções; posteriormente, a função é delegar atividades a locais específicos.

No tálamo há ramificações de retransmissões cooptadas pelos núcleos[1] em suas funções de motricidade, memória, vigília. Cabe ressaltar que a densidade de uma lesão depende muito da região, ou seja, ter uma grande lesão e nada ocasionar ou ter uma minúscula lesão e ser fatal.

Sobre o título dado a imagem – o…

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Dados biográficos de Gontran Guanaes Netto

1 fev

Em 1 de janeiro de 1933 nasceu Gontran Guanaes Netto na cidade de Vera Cruz / SP, Brasil, mas somente registrado em 17 de fevereiro 1933.

Por Gisèle Miranda

Em 1 de janeiro de 1933 nasceu Gontran Guanaes Netto na cidade de Vera Cruz / SP, Brasil, mas somente registrado em 17 de fevereiro 1933.

bruna-zanqueta-e-seu-melhor-amigo-ggn-2016 Bruna Zanqueta Cavalheri, Retrato do melhor amigo que já tive, 2016.

Em 1955 nasceu na cidade de São Paulo sua primeira filha, Lucia (fotógrafa residente na França http://www.luciaguanaes.com/). Em 1958, sua segunda filha, Cristina (terapeuta corporal, residente nos EUA) – do casamento com a bailarina Helena Villar.

Em 1959 fez o retrato de Fidel Castro, por solicitação dos Alunos da Politécnica/USP para festejar a Revolução Cubana. O Retrato de Fidel Castro foi levado ao palanque montando na Praça da Sé (região central da cidade de SP) por estudantes simpatizantes e, logo em seguida queimado pela polícia – segundo Gontran: “foi queimado pelo DOPS” – criado em em 1924, e que perdurou durante ditadura militar no Brasil (1964-1985). Portanto…

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Série Releituras & Breves Comentários I – História e Memória através de Maurice Halbwachs & Marc Bloch

1 fev

“os homens se parecem mais com sua época do que com seus pais”

(Provérbio Árabe, In: Apologia da História ou o ofício do Historiador, 2001)

Maurice Halbwachs faz parte dos seis milhões de judeus que os nazistas assassinaram. Ele estava com 68 anos quando às vésperas de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial tiraram-lhe o tempo de quiçá novos escritos. Sociólogo admirado em diversas áreas deixou-nos a obra Memória Coletiva publicada postumamente em 1950 e, uma segunda edição no auge do enigmático ano de 1968, Francês.

Por Gisèle Miranda

“os homens se parecem mais com sua época do que com seus pais”

(Provérbio Árabe, In: Apologia da História ou o ofício do Historiador, 2001)

Maurice Halbwachs faz parte dos seis milhões de judeus que os nazistas assassinaram. Ele estava com 68 anos quando às vésperas de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial tiraram-lhe o tempo de quiçá novos escritos. Sociólogo admirado em diversas áreas deixou-nos a obra Memória Coletiva publicada postumamente em 1950 e, uma segunda edição no auge do enigmático ano de 1968, Francês.

Marc Bloch era historiador e deixou-nos Apologia da História ou o ofício do Historiador e, A Estranha Derrota, manuscritos durante a sua prisão; logo depois foi assassinado por um pelotão de fuzilamentos da Gestapo. Bloch e muitos outros foram admiradores de Halbwachs, tinham-no como referência, assim como admiravam e remetiam comumente Émile Durkheim.

O que…

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Série Retecituras V: Gontran Guanaes Netto e o seu manifesto pelo Chile

31 jan

Durante a ditadura militar do Chile, iniciada em 11 de setembro de 1973, as obras doadas tinham o intuito de reafirmamento/reconhecimento da luta externa contra Augusto Pinochet (que perdurou por dezessete anos) e por solidariedade ao Chile livre. Mesmo sob repressão, o Museu Salvador Allende resistiu.

Quando o Chile resgatou a sua democracia o Museu foi revitalizado por intermédio da Fundação Salvador Allende e com a participação do artista e curador brasileiro Emanoel Araújo.

Por Gisèle Miranda & Gontran Guanaes Netto


A Série Retecituras nasceu pelo revigoramento da escrita, em seu devir inacabado, também rememorado e retecido. Uma aula de história, arte e política.

O tema desse devir maturado é o Museude Solidariedade Salvador Allende – que  nascido político teve fases significativas de suas obras.

Antes do golpe militar no Chile, o Museu foi pensado entre 1971-72, por Salvador Allende e contou com participação, entre outros, do crítico de arte brasileiro Mario Pedrosa.

Durante a ditadura militar do Chile, iniciada em 11 de setembro de 1973, as obras doadas tinham o intuito de reafirmamento/reconhecimento da luta externa contra a ditadura instaurada por Augusto Pinochet (que perdurou por dezessete anos) e, mais do que tudo, por solidariedade ao Chile livre. Mesmo sob repressão, o Museu Salvador Allende resistiu.

Quando o Chile resgatou a sua democracia o Museu foi revitalizado por…

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Série Reflexões sobre o Anarquismo III: a militância de Fábio Luz

31 jan

Fábio Luz foi muitas vezes criticado por ser um burguês. Jamais negou vir de uma família de relativas posses quando comparado aos miseráveis. Essa questão das origens sociais do militante deve ser compreendida no âmbito das teorias e idéias sociais do século 19. Os anarquistas, dizia ele, não fazem votos de pobreza. Não era preciso ser maltrapilho, sem lar e sem pão para ser solidário com a dor humana.

Por Jozy Lima


É exatamente contra a miséria, o sofrimento, a fome, os desesperos da maioria dos homens, esmagados por uma minoria sem alma, que insurgem os bons espíritos, os corações bem formados, as almas sensíveis… (Fábio Luz, 12 ago. 1922)

Gontran Guanaes Netto, desenho- escrita, Série Figuras do Real, 1980

Fábio Luz foi muitas vezes criticado por ser um burguês. Jamais negou vir de uma família de relativas posses quando comparado aos miseráveis. Essa questão das origens sociais do militante deve ser compreendida no âmbito  das teorias e idéias sociais do século 19.  Os anarquistas, dizia ele, não fazem votos de pobreza. Não era preciso ser maltrapilho, sem lar e sem pão para ser solidário com a dor humana.

Sim, Luz era um homem de letras, médico e funcionário público. Houve um encontro entre ciência e militância anarquista que foi o mote para sua literatura…

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Série Reflexões sobre o Anarquismo IV: a militância de Fábio Luz

31 jan

Quando Fábio Luz chegou aos 70 anos – solidificados por uma militância anarquista, seus livros, novelas, contos encontraram abrigo na Academia Carioca de Letras. Mas a sua lucidez anarquista frente ao abrigo de sua pena sempre deixou claro que não seria um membro como os outros. Sua condição de militante anarquista faria grande diferença.

Por Jozy Lima


Venho transmitir como posso e o que posso, aos que na conquista do pão não dispõem de tempo suficiente para estudar. Leio para eles e por eles. Com eles converso sobre coisas de ciência e em boa camaradagem passo algum tempo. (Fábio Luz, SPARTACUS, 4 out.1919)

Para Fábio Luz, a propaganda era quase tudo. Tinha poderes de forjar mentes e atitudes. Por isso, fazer propaganda, nesta época, significava fazer uso da pena, onde quer que fosse possível – para operários, burgueses, intelectuais e etc.

Era comum quando escrevia crítica literária, inserir parágrafos dedicados a algum aspecto do pensamento anarquista ou crítica à sociedade capitalista. Mas sem dúvida, o espaço preferido era a imprensa. Sua perspectiva era de que os libertários deveriam centrar seus esforços na imprensa operária e criar sua própria imprensa, para fazer frente à imprensa dominante. Dizia Fabio Luz:

A imprensa diária, isto é, o…

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Série Paschoal Carlos Magno VII: verdejantes moços pelas Barcas e Caravanas da Cultura

31 jan

Mas as Barcas e Caravanas existiram, independentes de estarem na contramão do período político e de suas condições financeiras. E, apesar de Paschoal ter declarado que houve quatrocentos Teatros de Estudantes no Brasil, e a ditadura militar matou-os um a um (Pasquim, 197-, p.13 e 14), formou-se uma matriz teórica para a descentralização do teatro (rompendo também com o preconceito contra o teatro):

Por Gisèle Miranda


Moços era a denominação de jovens para Paschoal Carlos Magno. Assim como estudantes – deveria ser a situação desses moços. Ele bradava: Diga que eu acredito no teatro como elemento de educação! (Magno, PC, 197-)

Com sua trupe de moços, Paschoal desbravou tempos difíceis por uma linha de fuga em plena ditadura militar no Brasil. E como se não bastasse desbravou tempos longínquos.

Desde o período Carolíngio tem-se associado a cor verde para estabelecer a inquietude da juventude:

A pintura e a tintura medievais sempre tiveram dificuldade de dominar aos tons verdes. Estes são os mais instáveis…, uma relação possível entre a química e a ideologia. Como os tons verdes os jovens são volúveis, instáveis, às vezes perigosos. (Levi & Schmitt, 1996: 261)

Paschoal continuou clamando (em desvario) a dramaturgia dos moços-estudantes. As criações e sonhos o levaram ao estereótipo de louco quando realizou as Caravanas…

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Série Paschoal Carlos Magno VIII: A Barraca e o Teatro Experimental do Negro

31 jan

A Barraca de Federico Garcia Lorca foi resgatada pelo Teatro de Estudantes de Pernambuco (TEP) na apresentação de Cantam as harpas de Sião, reescrita pelo jovem talento Ariano Suassuna com o nome Desertor de Princesa. E à frente da Barraca, Paschoal Carlos Magno, em 1948.

Por Gisèle Miranda


A Barraca deFederico GarciaLorca foi resgatada pelo Teatro de Estudantes de Pernambuco (TEP) na apresentação de Cantam as harpas de Sião, reescrita pelo jovem talento Ariano Suassuna com o nome Desertor de Princesa. E à frente da Barraca, Paschoal Carlos Magno, em 1948.

TEP, Teatro de Bonecos ´Haja Pau´, de José de Morais Pinto, 1948.(Paschoal Carlos Magno sentado à direita)

Se apresenta, e se representa, como poder de participação e de integração, no momento em que a comunidade unânime subverte qualquer hierarquia e qualquer ordem estabelecida (Bellème, 1988: 140)

Ao criar uma linha da política divergente, a Barraca abriu uma discussão sobre oralidade, escrita, popular e erudito:  subverte-se a oralidade lendo Victor Hugo, quiçá os tantos Eus de Fernando Pessoa, os tantos ismos que a historicidade artística registrou.

Há também o caráter revolucionário no palco, que também pode realizar-se no estádio…

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Série Paschoal Carlos Magno IX: a Concentração e o marco Shakespereano no Brasil

31 jan

No papel de Hamlet foi escolhido o estudante de Direito, Sergio Cardoso. Pernambuco de Oliveira fez a cenografia, sob indicações de Santa Rosa. Walter Schultz Portoalegre na música, e Jacy Campos na assistência geral. Direção: Hoffmann Harnisch.

Por Gisèle Miranda


Os Teatros de Estudantesos mais de quatrocentos que a ditadura matou-os um a um -, que por volta de 1980, Paschoal-Brancaleonicamente à beira de atear fogo na Aldeia de Arcozelo (que era para ser uma Universidade Livre de Artes) em ato de desespero berrou como um louco, quixotesco, franciscano; um bobo aos olhos dos militares que estavam no poder.

Eram amadores -, e os profissionais condutores contavam com trajetórias de lutas pelo teatro. Paschoal persistiu porque havia saído de uma longa batalha, desde 1929, com a criação da Casa de Estudantes por d. Anna Nery e por ele.

Nos idos de 1939, após ter criado o Teatro de Estudantes do Brasil, e durante suas atividades diplomáticas, Paschoal conheceuHoffmann Harnish, na época, um notável ator e diretor de Shakespeare pela Europa.

Longe do Brasil, Paschoal acompanhou e delegou funções à Maria Jacintha…

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